O Desejo E O Destino Da Lua

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Hell Breaking Loose (editado)

Ouvi uma voz grave e aveludada vindo do homem de olhos azuis.

Ele tinha acabado de me chamar de “mate”? Olhei em volta e vi meu pai ali, parado, com uma expressão de choque; meu irmão estava furioso; e minha mãe estava sentada nos degraus, com cara de que ia desmaiar a qualquer momento.

Eu dei um passo para trás, olhando dos pés dele, subindo pelas pernas musculosas, passando pela camisa preta colada no corpo, subindo pelo peito, que parecia subir e descer de leve, até finalmente ver o homem mais bonito que eu já tinha visto na vida. Ele era enorme — não, não enorme: gigantesco.

Devia ter uns dois metros, com ombros largos. Dava pra ver o contorno dos peitorais. Meu olhar passeou pelo corpo dele, mas travou de repente quando me veio à cabeça que eu nem conseguiria passar os braços ao redor dele. Ele era grande demais.

Minhas bochechas começaram a queimar. Que diabos estava acontecendo comigo? Eu nem conhecia aquele homem e não tinha o menor direito de imaginar meus braços tentando abraçá-lo.

Ele disse de novo: “MATE”.

Ele sorriu para mim, olhando tão confuso quanto eu me sentia. Aí ele baixou o rosto até o meu e beijou meus lábios de leve.

E AÍ O INFERNO SE INSTALOU!!!!

Meu corpo começou a arder como se eu tivesse pegado fogo. Eu sentia aquilo subir dos pés pelas pernas até o tronco, percorrer os braços e, por fim, atingir a cabeça. Eu comecei a tremer, e meu pai correu na minha direção, mas a montanha que ainda estava com a mão no meu ombro rosnou — ele rosnou mesmo para o meu pai. Meu pai parou na hora, como se tivesse batido numa parede. Eu olhei para ele com medo nos olhos quando, de repente, comecei a me contorcer. Eu estava em agonia; não dava pra acreditar em quanta dor eu estava sentindo naquele momento. Caí no chão e ouvi alguém dizer:

— Afastem-se! Deixem ela!

De repente, comecei a sentir frio, e então um calor absurdo de novo. Meu corpo começou a fazer um som horrível de estalos. Eu comecei a gritar; eu não acreditava que ninguém estava me ajudando. Eu sentia meus ossos mudando de forma, sentia o poder correndo por esse novo corpo enquanto eu me acomodava no chão. Eu ouvia suspiros de choque e pessoas murmurando. Olhei ao redor, mas com outros olhos — olhos mais nítidos. Eu conseguia ver partículas de poeira flutuando no ar, via as cores de um jeito mais vivo, e tudo estava tão claro.

Eu virei e encontrei aqueles olhos azul-cristal de novo, e foi aí que eu finalmente ouvi uma voz forte e nítida vindo de dentro da minha cabeça:

“Até que enfim, porra!!!!”

Eu me virei num giro e disparei porta afora com quatro patas, não com duas.

Eu não acreditava. Eu não acreditava. Enquanto eu corria pela minha floresta amada, eu ficava hipnotizada. Estava tudo diferente, mas igual. Eu sei que isso não faz sentido, mas é tudo o que eu consigo dizer agora. Eu devo ter corrido alguns quilômetros, porque as vozes que começaram a gritar quando eu saí em disparada tinham sumido até virar nada. Parando numa clareira, olhei para o céu. Era um eclipse; eu não tinha me dado conta de que dia era. Claro que era o dia do eclipse, e naquele momento tudo o que dava pra ver era a lua, tapando o sol por completo.

“Ok”,

eu disse na minha cabeça, com cautela.

“Onde a gente começa?”

“Bem”, uma voz respondeu, “acho que eu devo te dizer o nome da nossa loba.”

Certo. Claro. Eu tinha um nome de loba.

“Nosso nome é Safira, e eu sou a sua outra metade.”

“Por que agora?”,

eu perguntei.

“Por que aparecer agora? Por que a gente não mudou no meu aniversário?”

“No nosso aniversário”,

corrigiu a voz gentil.

“No NOSSO aniversário. E hoje é o nosso aniversário.”

“Isso não pode estar certo”,

eu disse na minha mente.

“Meu… nosso aniversário foi há cinco dias.”

“Genevieve, eu não estaria aqui se a gente não tivesse acabado de fazer dezoito anos. Confia em mim.”

“Claro que eu confio em você, Safira”,

eu disse depressa.

“Claro que sim. É só que eu estou confusa agora.”

“Eu não estou”,

ela disse com firmeza.

“Isso é quem a gente é, está no nosso código genético. E eu sei que posso te ajudar a passar por isso.”

Senti um cheiro de repente e, ao me virar, ergui o focinho para o ar e aspirei. O aroma mais intoxicante que eu já tinha sentido estava ali, e ficava cada vez mais forte. Por mais que fosse o cheiro mais lindo do mundo, eu ainda estava em alerta e coloquei meu corpo de loba numa posição de ataque. Eu não sabia como eu sabia o que fazer; eu só fazia.

Devagar, entrando na clareira, apareceu o maior lobo que eu já tinha visto. Maior que o meu pai, maior que o meu irmão. Eu me abaixei e rosnei para o recém-chegado, mas então percebi que aquele cheiro vinha dele.

O lobo enorme à minha frente se sentou e me encarou, esperando… esperando… e, de repente, tão nítido quanto um sino, eu ouço a Sapphire dizer:

— PAR.

Eu fui até o lobo negro gigantesco e esfreguei a cabeça por baixo da dele. Ele cheirava glorioso, como se todos os meus cheiros favoritos tivessem sido misturados num só. Ele retribuiu, encostando o focinho em mim, e então se levantou e deu alguns passos para trás. Eu ouvi minha loba ganir baixinho com a falta de contato.

O lobo à minha frente começou a tremeluzir e, então, ali, de pé em duas pernas, estava a muralha em que eu tinha esbarrado horas antes.

Ele veio devagar até mim. E fez carinho no meu pelo; onde a mão dele tocava, era como se uma corrente elétrica corresse junto com o movimento.

— Tão linda — disse aquela voz grave, aveludada. — Você é tão linda, minha companheira, minha. Você pode voltar para a forma humana pra mim? — ele pediu, com gentileza. — Eu preciso ver você… inteira.

Um lobo consegue corar? Bom, este aqui consegue, porque eu entendi o que ele queria dizer. Quando ele mudou de forma, ficou completamente nu — e eu teria que ficar nua também. Era algo natural, mas mesmo assim me dava um pouco de medo. Eu não tinha roupa nenhuma para esconder minha nudez.

— Não se preocupa, minha lobinha — disse a voz aveludada. — Entra ali entre as árvores, bem ali, e você vai encontrar umas roupas.

Eu fui até onde ele apontou e encontrei as roupas que eu estava usando antes de mudar.

Perguntei baixinho: “Sapphire? Como a gente volta?”. A risadinha na minha cabeça veio forte e clara.

— Deixa comigo — ela disse. — Eu resolvo.

Eu voltei para a forma humana e, apressada, vesti a roupa. Não tinha calcinha nem sutiã, só meu short e minha camiseta larga, mas era melhor do que nada.

Voltei devagar para a clareira e vi o homem, com aparência de um deus, parado na minha frente — mas agora ele estava de short, tão baixo na cintura que dava para ver o abdômen definido e aquele V perfeito sumindo sob o cós. Eu ouvi uma risada baixa, e a voz aveludada disse:

— Vem cá, lobinha.

Eu fiquei hipnotizada por ele. Me vi andando na direção dele como se não tivesse controle. Ele passou as mãos pelos meus braços, e aquela corrente elétrica voltou. Não doía; era maravilhoso.

— Você sente isso? — ele perguntou. — Sente esse vínculo?

Eu sentia. Eu sentia o puxão em direção a ele. Eu queria tocar cada parte daquele corpo duro como pedra, lamber e morder. Olhei para os lábios dele e senti quando ele levantou meu queixo com a mão. A próxima coisa que eu soube foi que eu estava dentro de uma espécie de bolha de prazer.

Os lábios dele esmagaram os meus. Meus lábios se abriram automaticamente para deixar a língua dele entrar. Nossas línguas lutaram pelo controle do beijo; ele venceu. E nossas línguas encontraram o ritmo daquela dança antiga. Quando ele afastou a boca da minha, começou a beijar e morder ao longo do meu maxilar, e eu quase enlouqueci de desejo. Ele continuou descendo pelo meu pescoço, parando na área mais sensível da minha pele. Ele lambeu e mordiscou o lugar onde a marca de companheiros iria ficar. O formigamento e as fisgadas de energia me atravessaram. Não era dor — era só intenso.

Eu estava consciente demais dele e de tudo o que ele fazia comigo. Eu nunca tinha sentido um prazer tão forte. Gemei alto quando ele foi descendo, até parar na minha clavícula.

Eu estava surtando por dentro, querendo muito mais, mas meu cérebro finalmente voltou ao lugar e eu disse, sem fôlego:

— Eu nem sei o seu nome.

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