O Desejo E O Destino Da Lua

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Capítulo 1: a festa (editado)

Por que eu estava tão nervosa?

Por que meu estômago parecia estar amarrado em mil nós?

Eu me preparei pra isso a vida inteira.

Minha mãe passou por isso, meu pai passou por isso, meu irmão passou por isso.

Então por que eu estava tão nervosa??

Bom, eu explico. Meu nome era Genevieve, mas minha família me chamava de Genni.

Eu estava prestes a fazer 18 anos — faltavam literalmente minutos pra eu completar 18.

Lá embaixo, no jardim da casa da matilha, tinha uma festa enorme rolando, uma verdadeira loucura—EI! O QUÊ!?

Eu imagino você dizendo.

Casa da matilha?

Isso, é… eu esqueci de mencionar que a minha família é de lobisomens — e não de lobisomens quaisquer. Meu pai era o Alfa desta… da minha matilha. Minha mãe era a Luna, e meu irmão, que tem 22 anos, era um dos melhores guerreiros. E aí tinha eu, a pequenininha aqui, né, rs.

Sim, eu sou a filha do Alfa e da Luna da matilha Lobo Diamante Azul. A gente era a terceira maior matilha da América do Norte e, como nossos guerreiros treinavam pesado todos os dias, também tínhamos alguns dos lutadores mais ferozes. A matilha do meu pai era muito respeitada, e meu pai também fazia parte do Conselho. O que era uma grande honra.

Então você pergunta:

Por que eu estou tão nervosa agora?

Eu estou nervosa porque, em pouco menos de 20 minutos, eu vou fazer 18.

E 18 significa que eu vou ouvir a minha loba pela primeira vez. Você não se conecta com sua loba até o dia do seu décimo oitavo aniversário.

Dezoito significa que, quando eu ouvir minha loba pela primeira vez, eu vou começar minha primeira transformação.

Dezoito significa que eu posso encontrar meu par, minha outra metade, o lobo que completa o meu. Se você tiver sorte, pode conhecer seu par assim que faz 18. Alguns, como minha mãe e meu pai, só se encontram no começo dos 20 e poucos. Por isso meu irmão, Lucas, ainda não tinha encontrado o dele. Tomara que ele encontre logo, porque ele anda rabugento ultimamente, e isso já tá começando a me irritar. Eu sorrio sozinha — se ele me ouvisse dizendo isso, eu levava um tapa.

Eu nem sabia o nome da minha loba ainda; não dava nem pra começar a pensar em par.

Bateram na minha porta, e minha mãe entrou. Ela estava linda, com o cabelo loiro comprido preso de um jeito impecavelmente bagunçado no alto da cabeça. O vestido era prateado e branco, com um toque de azul, que representava as cores da nossa matilha.

— Você está maravilhosa, querida — disse minha mãe, parando atrás de mim e começando a ajeitar meu cabelo.

— Tem certeza de que quer deixar solto? Eu posso prender pra você.

Eu encarei ela por um instante, tentando entender se eu tinha ouvido direito. Por que a minha mãe, que mal ou nunca tinha tempo pra mim, estava oferecendo arrumar meu cabelo? Eu ia perguntar quando a porta abriu de novo, e duas pessoas que eu nunca tinha visto entraram.

— Ah, aí está você, querida — disse a mais velha das duas mulheres.

— Está animada pra finalmente conhecer a sua loba?

Franzindo um pouco a testa, eu ia abrir a boca pra perguntar quem elas eram e o que estavam fazendo no meu quarto. Minha mãe colocou um sorriso radiante no rosto e se virou, me puxando junto com ela.

— May, Georgia, quero apresentar a vocês a minha menininha e, mais importante, a aniversariante.

Tá… peraí. Que porra era essa. Por que minha mãe estava sendo tão legal comigo, e quem eram essas pessoas?

— Genevieve, querida — disse minha mãe pra mim, com o sorriso mais falso que eu já tinha visto naquele rosto perfeito.

— Esta é a senhorita May, da matilha do Sul do Canadá, e esta é a senhorita Georgia, da matilha da América do Sul.

Enquanto ela apontava para as duas mulheres, eu sorri sem jeito e abaixei a cabeça em sinal de respeito.

— É uma grande honra ter essas duas Lunas maravilhosas aqui pra celebrar com a gente. Elas fazem parte do Conselho junto com o seu pai. Lunas, se puderem descer, a festa vai começar a qualquer momento.

Quando as duas Lunas assentiram e saíram, minha mãe se virou pra mim com um rosnado no rosto onde, um segundo antes, havia um sorriso.

— Escuta aqui, menina. Você só vai falar quando falarem com você. Você não vai sair do meu lado a noite toda, nem quando se transformar. Quando isso acontecer, você vai esperar pelo seu irmão. Eu fui clara? Você não vai envergonhar esta família hoje à noite.

Ela apertou meu braço, mais forte do que precisava, só pra deixar bem claro.

— Claro. Eu não faria nada pra desonrar a matilha do meu pai — eu disse. Senti o aperto dela aumentar, e já deu pra sentir o roxo se formando. Graças à Deusa, meu vestido tinha mangas.

— Agora eu vou prender o seu cabelo e a gente vai descer pra acabar logo com isso.

— Não, obrigada. Eu gosto dele solto. Acho que é a minha melhor característica.

Ela me lançou um olhar feio e foi até a porta.

— Lembra do que eu disse, menina!

E ela foi embora, me deixando para me arrumar sozinha. Tecnicamente, sua mãe deveria ajudar você a se preparar para o seu aniversário de 18 anos. Era para ser um dia mágico entre mãe e filha. Soltei um suspiro e esbocei um sorrisinho triste. Eu sabia que isso nunca ia acontecer comigo. Minha mãe, como você já deve ter imaginado, não gostava muito de mim. Não, esquece isso: minha mãe e minha Luna, não esqueça, não suportavam nem me olhar. Desde pequena eu aprendi a não ficar no caminho dela e nunca responder. Eu respondi uma vez, numa ocasião “especial”, e aprendi rápido demais que qualquer atrevimento me rendia um tapa ou um punhado de cabelo arrancado, antes de ela me jogar dentro do meu quarto. Acho que você entende a cena. E onde estavam meu pai e meu irmão enquanto tudo isso acontecia? Bom, meu pai, por ser o Alfa e membro do Conselho, passava pouquíssimo tempo com a gente como família. Eu amava meu pai e sabia que ele me amava, mas eu não tinha uma relação próxima com ele.

Meu irmão, por outro lado, me adorava. E eu adorava ele. Ele começou a perceber as coisas que nossa mãe fazia comigo e, quando ficou velho o bastante, passava a se esgueirar até o meu quarto com comida e bebida, ou só para me consolar. Ele foi pego algumas vezes, mas nunca foi punido como eu. Ele era o próximo na linha e era intocável. Até para ela.

O perfume dela ainda pairava no meu quarto. Quando ela entrou, levando as outras duas Lunas atrás, eu reparei que ela estava com um vestido caro e perfume. Eu conhecia o gosto da minha mãe: sempre coisa cara. Na maioria das vezes, Chanel. Ela era uma mulher de beleza estonteante, e aquela noite era a chance de desfilar na frente da matilha inteira e dos convidados importantes.

Quando eu me olhava no espelho, eu via uma garota sem graça, com peitos grandes demais e quadris arredondados demais, e uma bunda que só dava para descrever como farta. Meu cabelo nunca parecia decidir que cor queria ter. Era loiro, eu acho, mas tão claro que quase parecia prateado. Não era liso, mas também não era cacheado; era aquele meio-termo horroroso entre ondas e frizz — muito frizz. Eu estava com um monte de produto nele naquele momento, só para controlar o frizz. Eu sentia como se meu cabelo pesasse o dobro, se é que isso faz sentido.

Quando comecei a entrar no vestido, não consegui evitar de me repreender por ter escolhido aquilo. Era azul, claro, e colado no corpo. Quando eu fui comprar, tive um momento de loucura e pensei “ah, que se dane, é só por essa noite”, mas agora eu estava questionando a minha sanidade.

Já enfiada naquela coisa temida, eu me abaixei para ajudar meus pés a escorregarem para dentro dos sapatos. Eles também tinham sido fruto de um surto. Eram altíssimos, me deixando com quase um metro e oitenta, e eram da cor de safira, como o vestido. Puxei um ar fundo e saí do meu quarto. Quando cheguei ao pé da escada, senti alívio ao ver meu irmão e minha melhor amiga me esperando. A Sara não era só minha melhor amiga; ela era minha única amiga, e nós éramos muito próximas. Como a irmã que eu não tinha.

Eu nunca fazia amizades, porque a maioria das garotas que aparecia ficava tão intimidada por estar na casa do Alfa que não voltava. Com os anos, piorou. Todo mundo na matilha sabia que meu pai era superprotetor comigo. Some a isso um irmão mais velho igualmente protetor e você tem o repelente de amigos perfeito.

A Sara pegou na minha mão e apertou de leve.

— Tenta ficar calma e lembra de respirar.

Eu sorri para ela e apertei a mão dela com carinho, em agradecimento. Eu não confiava em mim para falar naquele momento, porque eu parecia cheia de uma emoção que eu nunca tinha sentido antes. Eu não conseguia entender o que estava acontecendo. Eu nunca chorava; eu fazia questão de nunca mais deixar aparecer as lágrimas que chorei por tantos anos… então por que eu estava tão emotiva?

Nós três viramos para o jardim, onde a festa acontecia. Eu estava prestes a fazer 18 anos e tentava me preparar para o que vinha depois. Fechei os olhos, fiz uma prece silenciosa à Deusa para me ajudar a atravessar aquela noite e enlacei meu braço no do meu irmão. Ele ia me acompanhar até o terraço elevado para que eu fizesse meus desejos de aniversário no instante exato em que desse a hora.

Essa cerimônia não acontece para qualquer um. Eu e meu irmão compartilhamos esse privilégio por sermos filhos do Alfa.

Enquanto caminhávamos até o terraço, meu irmão e minha mãe conversavam baixo sobre um convidado. Minha mãe, como Luna, tinha enviado convites às matilhas ao redor e convidado o Alfa e a companheira dele, se ele tivesse uma.

No momento, três das quatro matilhas convidadas estavam ali. Minha mãe resmungou alguma coisa entre dentes, mas eu ouvi mesmo assim. O Alfa Jonas, da maior matilha, ainda não tinha chegado, e minha mãe estava furiosa e ofendida porque ele não tinha avisado que tinha recusado o convite.

Eu nunca tinha conhecido o Alfa Jonas. Não me incomodava nem um pouco que ele não estivesse ali.

E assim… para a minha festa de aniversário/primeira transformação/primeira ligação.

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