07
Claia levou um pequeno susto ao notar um rapaz um pouco mais alto do que ela a encarando com uma expressão vazia.
Ela tinha entrado naquela loja apenas para evitar as amigas de Diora, não para comprar nada.
Já que estava numa situação tão absurda, ter dinheiro era absolutamente essencial. Ela não podia nem gastar moedas soltas de qualquer jeito. Mas, se não tivesse escolha e precisasse gastar dinheiro ali, teria que gastar.
Claia não percebeu que o rapaz usava o mesmo uniforme escolar que ela — escondido sob a jaqueta — e que a cumprimentara porque, na verdade, conhecia Diora.
No entanto, Claia supôs que ele fosse um dos funcionários daquela livraria.
“Boa tarde para você também”, respondeu Claia, educadamente. Ela sorriu com polidez.
O rapaz franziu a testa.
Será que a distante e fria Diora tinha acabado de responder ao cumprimento dele?
Enquanto ele ainda encarava Claia, surpreso, Claia deu um passo para o lado e olhou em volta. Havia tantos livros. Ela amava livros. Principalmente romances.
Ela costumava pegar livros emprestados na biblioteca porque não tinha condições de comprar muitos.
Se o dinheiro dela não fosse necessário para algo muito importante, Claia provavelmente estaria comprando um monte de livros naquele exato momento.
Nesse instante, o telefone tocou. Claia não aguentou mais e conferiu. Continuavam chegando ligações de Jethro e das amigas de Diora.
Claia desligou e foi para as mensagens — e, para sua surpresa, havia muitas novas.
“Espera. O que está acontecendo?”
Claia leu a mensagem de Noah.
Você prometeu dormir no meu quarto no sábado à noite. Finalmente vai ser só nós dois. Ignora o Jethro. Você é minha.
“Louco”, Claia sussurrou.
Claia suspirou. Guardou o telefone no bolso da jaqueta.
“Por que eu tinha que acabar no corpo dessa garota má?”, reclamou Claia.
Diora claramente não era diferente das garotas que costumavam maltratá-la. Como ela poderia aceitar aquela situação? Mesmo que tudo fosse um sonho, ou simplesmente um presente de Deus para confortar seu coração depois de ter sido humilhada, ela achava difícil aceitar.
Claia ficou ainda mais determinada a voltar para casa. Pegou alguns romances e os levou ao caixa.
“Você viu a Diora ou não?”
Claia se virou na direção da voz de Jethro e seus amigos. O pânico a dominou imediatamente, porque eles estavam bem em frente à livraria. Ela até se escondeu, agachando-se atrás do balcão do caixa.
“Eles não podem simplesmente parar de me procurar?”, pensou.
O rapaz que a tinha cumprimentado assim que ela entrou na loja se virou, e os olhares deles se encontraram. Ele percebeu a expressão preocupada no rosto de Claia.
“Não”, respondeu o rapaz.
Mais cedo, ele tinha visto Diora andando rápido pela calçada, com um ar ansioso, como se estivesse sendo perseguida, e tão apressada que foi obrigada a entrar naquela livraria.
No entanto, ao que parecia, quem a perseguia era o namorado e os amigos dele. Que coisa estranha.
“Sério?” Um dos amigos de Jethro agarrou a gola do uniforme do rapaz.
“O quê? Ele me conhece?”, Claia se perguntou.
Jethro e os outros não estavam procurando por ela descrevendo características físicas ou roupas; em vez disso, mencionaram imediatamente o nome dela.
E o cara entendeu. Isso quer dizer que ele a conhece, né?
Claia sentiu um certo alívio quando percebeu que o rapaz tinha ajudado ela.
— Mas ela ainda está aqui, Jeth — disse um dos amigos de Jethro. Ele mostrou a Jethro a tela do celular.
“Localização?”, pensou Claia. “Eles estão me rastreando pelos celulares?”, perguntou-se.
Claia tirou o próprio celular do bolso e foi direto na parte de localização.
— A Diora realmente entrou aí? Difícil de acreditar. Ela podia ter escolhido um monte de outros lugares pra se esconder além de uma livraria. Mas esse moleque também está mentindo. Imagina só — a Diora prometeu dar alguma coisa pra ele se ele ajudasse — disse outro amigo de Jethro.
— Não acredita? Então vai lá conferir você mesmo!
O rapaz saiu da frente de Jethro e dos amigos.
Claia entrou em pânico.
Claia, às pressas, enviou uma mensagem para Jethro.
Jethro, me desculpa. Estou indo para o aeroporto agora. Por favor, não me incomoda.
“Espero que eles vão direto pro aeroporto”, pensou Claia.
Jethro enfiou a mão no bolso da calça e puxou o celular. Leu a mensagem da namorada. Ficou paralisado na hora.
Os amigos viram a mensagem que Diora tinha mandado para Jethro. Depois de ler, um deles, sem pensar duas vezes, foi imediatamente para o aeroporto.
Desde o começo, Diora vinha agindo de um jeito muito estranho. Devia haver alguma coisa errada com ela, então, quando Diora disse que ia para o aeroporto, ele acreditou na hora.
— Espera aí! Isso pode não ser verdade. A Diora pode estar enganando a gente. Nosso amigo acabou de ver ela correndo por aqui — disse outro amigo de Jethro.
— Mas e se a Diora estiver indo pro aeroporto? Ela mandou a mensagem de propósito pra eu levar ela até lá? — perguntou Jethro.
— Também não é impossível. Nesse caso, vamos procurar por ela pela estrada. E você — se encontrar ela e não contar pra gente, a gente te bate tanto que você não vai conseguir ir pra escola nunca mais.
O cara ainda ameaçou o rapaz. Mas quem devia estar fazendo ameaças era o próprio Jethro, já que ele é o namorado da Diora.
— É... também não faz sentido eu mentir — disse o rapaz.
Depois disso, Jethro e os amigos foram embora.
Claia soltou um suspiro de alívio. Pagou os livros imediatamente. A caixa olhou para ela de um jeito estranho.
— Ah... desculpa eu ter me escondido ali antes.
— Tudo bem, moça. Parece que você está passando por uma fase difícil.
— Você tem razão.
Depois de pagar os livros, Claia se aproximou do rapaz que tinha ajudado ela.
— Toma — disse Claia, entregando o troco ao rapaz.
A expressão da Diora agora há pouco tinha parecido estranha. A garota tinha entrado naquela livraria, e o namorado e os amigos estavam procurando por ela, enquanto ela tentava se esconder deles. Se ele escrevesse sobre isso pros colegas, com certeza daria o que falar, e muita gente não acreditaria. Principalmente nessa parte de a Diora dar dinheiro. Desde quando essa garota ficou tão generosa?
O rapaz ainda estava perdido em pensamentos, sem conseguir dizer nada.
— Este é meu jeito de te retribuir por ter me ajudado — disse Claia. — Você me conhece, não é?
— O que deu em você? — perguntou o rapaz. Ele não resistiu e perguntou, curioso com a mudança na atitude de Diora.
