Capítulo 7 SETE | EU FINALMENTE A ENCONTREI
POV do Aaron
Já tinha passado mais ou menos uma hora de festa, e eu ainda não tinha visto a aniversariante. Se alguém soubesse onde ela estava, seria a Jordyn, então fui até ela e perguntei.
— Ei, amor, você viu a Alaia?
Ela franziu o nariz, pensativa, antes de responder:
— Não, não desde que a gente se arrumou junto. Quer que eu vá procurar ela?
— Não. Eu acho ela. Somos gêmeos, lembra? Ela não consegue se esconder de mim.
Dei um beijo rápido nela e entrei na casa para procurar a Alaia. Quando cheguei ao quarto dela, eu senti que tinha alguma coisa errada. Bati na porta, mas do outro lado só tinha silêncio. Mesmo assim, alguma coisa me dizia que ela estava ali.
— Alaia, eu sei que você tá aí, então abre a porta, por favor.
Ainda assim, nenhuma resposta. Eu ficava cada vez mais preocupado, então peguei minha chave de emergência e encaixei na fechadura. Quando girei a maçaneta e tentei abrir, senti resistência do outro lado.
“Que porra é essa?”, pensei, enquanto fazia uma pressão leve e fui aumentando a fresta devagar, o suficiente pra eu conseguir passar espremido.
Assim que entrei, meu coração parou. Olhei para baixo e vi minha linda irmã encolhida no chão. Ela tinha passado tanto tempo alisando o cabelo, mas agora ele já começava a embolar e se encaracolar ao redor do rosto, encharcado pelas lágrimas.
Abaixei e perguntei:
— Alaia, o que aconteceu? Por que você tá deitada aí no chão?
Quando ela levantou o olhar e encarou meus olhos, meu coração se despedaçou. Minha irmã estava sofrendo, e eu não fazia ideia do motivo. Fiz a primeira coisa que me veio à cabeça e a peguei no colo. Enquanto eu a levava com cuidado até a cama, ouvi ela sussurrar:
— Ele me rejeitou.
Na hora, meu corpo ficou tenso, e meu lobo, Ajax, veio à tona, pronto para destruir quem tivesse feito isso com ela.
— Quem te rejeitou? — ele rosnou.
Ele queria um nome, e queria na mesma hora. Ninguém rejeitava minha irmã e vivia pra ver o dia seguinte.
Alaia só balançou a cabeça; a dor da rejeição ainda era demais pra ela. Eu suspirei e lutei pra retomar o controle antes de deitá-la na cama e puxar as cobertas. Depois, deitei atrás dela, abracei-a bem perto e apenas deixei que ela chorasse.
Não demorou muito para a respiração dela ficar lenta e suave, e eu soube que ela tinha dormido. Saí da cama com cuidado e desci de volta. Quando cheguei lá embaixo, a Jordyn veio na minha direção.
— Ei, onde você estava? A festa já tá quase acabando.
Ela viu a expressão no meu rosto e entendeu que tinha algo errado.
— Cadê a Alaia?
Respirei fundo antes de responder:
— Ela tá lá em cima, dormindo. Rejeitaram ela.
— O QUÊ?! — Jordyn berrou. — Cadê o filho da puta? Eu vou matar esse desgraçado por machucar a minha menina. Quem foi? Foi um dos alfas visitantes? Eu sabia que não ia com a cara deles, espera só...
Ela girou nos calcanhares, pronta pra voltar pra festa e abrir as portas do inferno. Antes que ela desse dois passos, eu segurei ela e puxei pra mim. Encostei a cabeça na curva do pescoço dela e inspirei fundo, me acalmando e, no processo, acalmando ela também.
— Eu não sei quem foi, amor — eu disse, ainda abraçando ela. — Ela tava destruída demais pra conseguir me dizer o nome desse filho da puta! Talvez de manhã ela consiga contar pra gente o que aconteceu.
Peguei a mão dela e falei:
— Vem. Vamos voltar pra festa. Pelo menos um dos aniversariantes tem que aparecer.
Jordyn assentiu, e nós fomos.
Eu até conseguia bancar o aniversariante feliz naquela hora, mas no dia seguinte eu ia virar alfa de verdade em cima de alguma alma desavisada.
POV Desconhecido
Eu circulava pela festa com uma sensação de inquietação. Eu sabia que não corria perigo, já que muitos dos guerreiros da minha matilha estavam ali comigo, e a matilha Opal Moon sempre foi uma aliada próxima; mesmo assim, alguma coisa parecia fora do lugar.
Dei um gole na minha bebida e reparei em um monte de lobas me encarando, tentando desesperadamente fazer com que eu notasse elas. Aos vinte e um, eu ainda não tinha encontrado a minha companheira, e não tinha a menor vontade de me envolver com qualquer uma por aí. Ignorei aquela paquera patética e me virei para o meu melhor amigo, Kade.
“Isso aqui não era pra ser uma festa de aniversário?”, eu disse. “Cadê os aniversariantes? Eu sei que já vi o filho deles, o Aaron, por aí, mas acho que ainda não vi a irmã dele.”
“Sei lá”, Kade respondeu, antes de completar: “mas as lobas da Opal Moon? Nossa!”
Eu ri e revirei os olhos pra ele.
“Vai com calma. A gente só vai embora amanhã à noite, e eu não quero você arrumando confusão, se metendo com alguém que não é sua.”
Ele fingiu inocência e declarou: “Eu nunca faria isso!”
“Ah, tá bom”, eu respondi, antes de ir até o buffet.
Depois de pegar minha comida, sentei na minha mesa e comecei a observar as pessoas.
A matilha Opal Moon era enorme, e eu tinha aprendido que um dos motivos do crescimento contínuo deles era a liderança excepcional do Alfa, Jonathan. Eu tinha falado com ele e com a Luna dele rapidamente assim que cheguei, e eles eram, sem exagero, anfitriões impecáveis. Quando eu encontrasse a minha companheira, eu pretendia liderar tão bem quanto os dois.
Pelo canto do olho, vi que Aaron tinha voltado pra festa, mas eu ainda não tinha visto a irmã dele. Comecei a me perguntar: por que eu estava tão focado nessa garota?
Ao pensar nisso, meu lobo, Alastair, começou a se mexer dentro de mim.
O que está acontecendo?
Ela está aqui.
E quem é essa “ela” de que você está falando? Porque se ela não for a minha companheira, então eu não...
Companheira!
Eu saltei da cadeira e olhei ao redor.
Companheira, companheira, companheira! Alastair entoava na minha cabeça, entre uivos.
Se acalma. Você tem certeza de que ela está aqui? Eu não estou vendo ninguém que chame atenção. pensei, com a dúvida começando a se infiltrar devagar.
Ela está aqui!
Tá, tá. Eu confio em você.
Continuei vasculhando a multidão com os olhos. Alastair normalmente era tão frio e calmo quanto eu, então eu sabia que, se ele dizia que ela estava ali, ela estava.
Kade voltou pra perto de mim e perguntou: “Qual é? O que foi? Por que você tá todo travado?”
“Ele encontrou ela”, eu respondi.
Kade me lançou um olhar confuso enquanto eu passava a mão no cabelo.
“O Alastair... ele disse que a nossa companheira tá aqui, mas eu não consigo achar.”
“Até que enfim! Ela é uma das lobas da Opal Moon? Aposto que é gostosa pra c...”
Cortei o pensamento dele com um rosnado baixo e profundo.
Kade olhou pra mim e se desculpou.
“Foi mal, eu só fiquei animado por você.”
Alastair ainda andava de um lado pro outro na minha mente, revirou os olhos e resmungou “idiota” enquanto continuava farejando a nossa companheira. Eu passei pela pista de dança e senti o mais leve traço de cheiro de caramelo. Alastair captou o aroma quase na hora e praticamente me levou direto até a casa da matilha e escada acima. O cheiro ia ficando cada vez mais forte até me fazer parar diante da porta de um dos quartos. Quando eu parei na porta, Alastair gritou comigo.
O que você está fazendo? Nossa companheira está aí dentro. Vai buscar ela! AGORA!
Custou toda a minha força e autocontrole empurrar ele pro fundo da minha mente e bater de leve na porta.
Esperei uma resposta, mas, quando não ouvi nada, Alastair se meteu de novo.
Vai. Pegar. Nossa. Companheira.
Eu abri a porta devagar, e o cheiro intoxicante me atingiu em cheio.
Entrei mais no quarto e vi a figura linda deitada na cama. O único pensamento que passou pela minha cabeça naquele instante foi: “Caramba... um anjo. Essa garota é uma Deusa.”
Alastair concordou com um uivo alto e feliz.
“Nós finalmente encontramos ela...”
