Uma Noite Presa: A Cativa do CEO

Download <Uma Noite Presa: A Cativa do C...> grátis!

BAIXAR

Capítulo 5

Emma

O meio-dia chegou rápido demais.

Eu estava do lado de fora do escritório do Sebastian, encarando a porta. Meu reflexo me devolveu o olhar na placa de metal polido — blusa amassada, olheiras escuras, o cabelo preso para trás sem eu nem ter olhado direito. Alguém que tinha feito escolhas erradas demais e estava prestes a fazer mais uma.

Faltavam sete horas para o hospital ligar sobre reduzir os cuidados do meu pai.

Bati.

— Entre.

O escritório era todo de vidro e aço. Janelas do chão ao teto emoldurando Manhattan como uma conquista. Sebastian estava atrás da mesa, num terno grafite que provavelmente custava mais do que o meu aluguel mensal costumava ser. Ele não levantou os olhos do que quer que estivesse lendo; apenas apontou para a cadeira à sua frente com uma das mãos.

Sentei. Esperei.

Ele terminou de ler. Fechou a pasta. Então, finalmente, olhou para mim.

Os olhos dele eram a coisa mais fria dentro daquela sala.

— Vamos não perder tempo, senhorita Hartley. — Ele empurrou uma pilha de papéis pela mesa na minha direção. — Seis meses. Seiscentos e vinte mil dólares no total. Meio milhão transferido hoje para cobrir a clínica do seu pai e as dívidas pendentes. Os cento e vinte mil restantes pagos em parcelas ao longo do período. Você fica disponível quando eu precisar. Você não conta a ninguém sobre este acordo. Você mora na residência que eu fornecer.

Eu encarei os papéis. Contrato. Era isso. Tinta preta em papel branco, linguagem jurídica que me prenderia a ele por meio ano.

— Leia — ele disse.

Peguei. Minhas mãos tremiam de leve, então pressionei as páginas contra as coxas para mantê-las firmes. Comecei a ler.

Acordo exclusivo. Isso significava que eu não podia ficar com mais ninguém. Não podia namorar. Não podia ter nenhum relacionamento romântico ou sexual fora disso.

Residência designada. O apartamento dele. Onde ele poderia ter acesso a mim sempre que quisesse.

Sigilo. Eu não podia contar para a Rachel. Não podia contar para ninguém. Se eu contasse, teria de devolver cada centavo, mais indenização.

Multas financeiras por violação. O número fez meu estômago despencar.

Levantei o olhar.

— Isso é um contrato de compra.

— Eu estou resolvendo os seus problemas. — A voz dele era plana. — Você precisa de dinheiro. Eu tenho dinheiro. Você precisa agora. Eu posso fornecer agora. Esses são os termos.

— Isso não são termos. Isso é… — Eu parei. Tentei encontrar a palavra certa. — Isso é posse.

— Chame como quiser.

Pousei os papéis.

— Tem que haver outro jeito.

— Não tem. Não em sete horas.

Sete horas. Ele sabia. Claro que sabia. Provavelmente tinha calculado até o minuto — quanto tempo eu tinha antes da ligação, antes de transferirem meu pai para um nível mais baixo de cuidado, antes de pararem as medicações e a monitorização, e eu ter que vê-lo ir embora porque eu não conseguia pagar.

— Eu poderia… — comecei.

— Poderia o quê? — Ele se recostou na cadeira. — Fazer outro empréstimo que você não consegue pagar? Pedir para a sua madrasta, que já disse não? Esperar a seguradora do seu pai reverter a decisão? — Ele fez uma pausa. — Ou você estava planejando pedir ajuda àquele ex-namorado que transou com outra mulher na sua frente?

As palavras acertaram como um golpe físico. Meu rosto queimou.

— Não — eu disse.

— Não o quê? Apontar que ele é o motivo de você estar aqui? Que foi ele quem destruiu a empresa do seu pai, falsificou os documentos, deixou você com a dívida enquanto comia a sua meia-irmã? — A voz de Sebastian não se elevou. Não precisava. — Você pode fingir que isso é sobre eu estar sendo irracional. Mas nós dois sabemos que você não tem opções.

Eu queria discutir. Queria dizer que ele estava errado. Mas ele não estava.

Eu tinha ligado para todo mundo. Implorado para todo mundo. A única pessoa que me ofereceu algo de verdade foi a Rachel, e ela tinha me dado vinte e oito mil dólares que não tinha — todas as economias, juntadas aos trancos e barrancos ao longo de anos de trabalho.

— Por quê? — perguntei. Minha voz saiu menor do que eu queria. — Por que você faria isso? Você nem me conhece.

Algo tremulou no rosto dele. Rápido demais para eu entender.

— Porque você é atraente o bastante na cama para valer a pena.

A franqueza daquilo deveria ter sido como um tapa. Mas, em vez disso, se assentou sobre mim com uma lógica estranha e terrível. Pelo menos era honesto. Pelo menos ele não estava fingindo que aquilo era outra coisa além do que era — uma transação em que o meu corpo tinha valor e ele estava disposto a pagar por isso.

Soava absurdo. Soava perfeitamente razoável.

E essa era a parte mais perturbadora.

— É só isso? — eu disse. — Esse é o seu motivo?

— Você queria uma resposta. É essa que você vai ter. — Ele se levantou. Caminhou até a janela. Olhou para a cidade como se fosse dono de cada prédio à vista. — Assine o contrato ou não. Mas decida agora.

Olhei de novo para os papéis. Para o meu nome digitado no rodapé. Para a linha em branco esperando a minha assinatura.

Seis meses da minha vida. Seis meses de estar disponível sempre que ele quisesse. Seis meses morando no apartamento dele, dormindo na cama dele, deixando que ele me tocasse do jeito que decidisse.

Seis meses fingindo que eu não era mais uma pessoa. Só uma coisa que ele tinha comprado.

Mas meu pai viveria. As contas seriam pagas. Ele continuaria na clínica onde poderiam monitorá-lo, medicá-lo, mantê-lo estável. Ele não iria parar em algum hospital público onde só o largariam num canto até ele desistir de vez.

— Eu preciso de garantias — ouvi a mim mesma dizer.

Sebastian arqueou uma sobrancelha.

— Você não está em posição de negociar.

— Eu preciso saber que o dinheiro vai direto para a clínica. Não para mim. Eu não quero encostar nele.

— Tudo bem. David vai cuidar da transferência.

— E eu preciso poder visitar o meu pai. Você não pode me impedir de vê-lo.

— Eu não sou um carcereiro, senhorita Hartley. Visite-o quando quiser. Desde que isso não atrapalhe quando eu precisar de você.

Quando eu precisar de você. Como se eu fosse um serviço que ele tinha assinado.

— O que isso significa exatamente? “Quando você precisar de mim”?

Os olhos dele se cravaram nos meus.

— Significa que, quando eu chamar, você vem. Quando eu mandar você fazer alguma coisa, você faz. Quando eu quiser você na minha cama, você está lá.

— Eu não consigo fazer isso — eu disse. Mas, mesmo enquanto dizia, eu já estava pegando a caneta que ele tinha deixado em cima do contrato.

— Consegue, sim. — Ele voltou para a mesa. Parou do outro lado, de frente para mim. — Você vai assinar porque não tem escolha. E depois vai me odiar por isso. E tudo bem. Eu não preciso que você goste de mim.

— Então do que você precisa?

Ele não respondeu. Só esperou.

Pensei no rosto do meu pai quando eu o vi na UTI. No jeito como as mãos dele tremiam. Na confusão nos olhos quando ele perguntou o que tinha acontecido, como tudo tinha desmoronado tão rápido.

Pensei na ligação que eu receberia em sete horas se eu saísse daquele escritório. A voz apologética do outro lado explicando que precisariam fazer algumas mudanças no plano de cuidados dele. A linguagem cuidadosa que significava: vamos deixá-lo morrer devagar porque você não pode pagar.

Pensei em ficar de pé no funeral dele sabendo que eu podia tê-lo salvado e não salvei.

A caneta parecia pesar mil quilos.

— Eu preciso de tempo para ler isso direito — eu disse.

— Você tem cinco minutos. — Sebastian olhou o relógio. — Depois eu tenho uma reunião.

Cinco minutos para abrir mão de seis meses da minha vida. Cinco minutos para decidir se eu conseguiria viver com isso.

Li mais rápido. Os termos eram exatamente o que ele tinha dito. Sem cláusulas escondidas. Sem armadilhas. Só uma troca direta — meu corpo e meu tempo por dinheiro suficiente para salvar meu pai.

Peguei a caneta de novo.

Minha mão tremia tanto que eu tive de pressioná-la contra a mesa para firmar. A ponta tocou o papel. Pensei em tudo o que tinha me levado até aquele momento — conhecer Adrian, confiar em Adrian, levá-lo para casa para conhecer meu pai, garantir por ele quando meu pai hesitou.

Cada escolha que, na época, tinha parecido tão certa.

Uma lágrima caiu no papel antes que eu conseguisse impedir. Borrando um pouco a tinta.

Eu assinei.

Emma Hartley. Minha letra parecia a de uma estranha.

Sebastian pegou o contrato. Não reconheceu a mancha da lágrima. Apenas acrescentou a própria assinatura abaixo da minha, em traços limpos e confiantes. Como se já tivesse feito aquilo cem vezes. Como se comprar uma pessoa fosse só mais uma transação comercial.

Talvez, para ele, fosse.

Capítulo Anterior
Próximo Capítulo