UMA LINDA BABÁ

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Capítulo 7 7

Ele faz um pequeno gesto afirmativo.

— Faz sentido.

Permanece alguns segundos em silêncio antes de perguntar:

— E o que você está fazendo aqui? Cadê minha mãe e as meninas?

— As gêmeas estão na escola. Sua mãe saiu com Kia e Arabella.

Ele apenas assente.

— E quanto ao fato de você estar no meu quarto?

Engulo em seco.

— Hum... eu... — Olho rapidamente ao redor. — Quis conhecer a casa.

Baixo a cabeça, um pouco envergonhada.

— Eu sei que não devia fazer isso. Ainda mais sem ninguém em casa.

Dou um pequeno sorriso sem graça.

— Me desculpe.

Dou um passo para sair do quarto.

Mas, antes que eu consiga passar pela porta, ele segura delicadamente meu braço.

Levanto os olhos para encará-lo.

Por um instante, esqueço completamente o que ia dizer.

De perto, os olhos dele eram ainda mais azuis.

Era impossível não reparar.

Pareciam iluminar o rosto inteiro.

— Ei... — Sua voz sai tranquila. — Eu não estou brigando com você.

Um pequeno sorriso aparece em seus lábios.

— Só fiquei curioso.

Engulo em seco outra vez.

— Mesmo assim... me desculpe.

Com cuidado, retiro meu braço de sua mão.

Ele não oferece resistência.

Apenas continua me observando.

Saio do quarto tentando manter a calma. Desço as escadas em passos rápidos e entro no pequeno quarto sob a escada, fechando a porta atrás de mim.

Só então me permito respirar.

Caio sentada na cama e depois me deito, encarando o teto completamente branco.

Levo uma das mãos ao peito. Meu coração ainda batia depressa.

Solto uma risada baixa, incrédula comigo mesma.

Mas que raio de homem é esse?

[...]

Com muita vergonha de sair do quarto depois do mico que havia pagado, resolvo desfazer as malas.

Guardo nas gavetas tudo o que consegue caber nelas. O restante permanece dentro das malas, cuidadosamente dobrado.

Quando termino, sento-me na cama.

Meu olhar vai da porta para o teto e depois volta para a porta outra vez.

Além da vergonha... A fome começava a apertar.

Respiro fundo, reúno um pouco de coragem e abro a porta devagar.

Coloco a cabeça para fora primeiro.

Silêncio.

Dou mais um passo.

— Está se escondendo de mim?

Dou um pulo. Levo a mão ao peito e viro rapidamente.

Louis estava encostado na escada, exatamente em frente ao quartinho, observando a cena com um sorriso divertido.

— Que susto! — exclamo. — E não, não estou me escondendo de você.

Passo por ele tentando parecer naturalmente tranquila.

— Estava apenas arrumando minhas coisas.

Ele acompanha meus passos.

— Suas coisas? — Olha rapidamente para o quartinho. — Vai dormir aqui?

Paro e me viro.

— Sim. Sua mãe me convidou para ficar.

Ele ergue discretamente as sobrancelhas.

— Interessante.

Não respondo.

Sigo até a cozinha.

Abro a geladeira e fico alguns segundos pensando no que preparar.

— Será que posso te pedir uma coisa?

Olho por cima do ombro.

— Claro.

— Faz um sanduíche para mim? — Ele sorri, quase sem graça. — Sei que você foi contratada como babá..., mas cheguei da viagem morrendo de fome.

Rio baixinho.

— Faço, sim.

Pego os ingredientes da geladeira.

— Eu também estou com fome. Então, se não se importar, vou preparar um para mim.

— Tudo bem.

Coloco pão, queijo, presunto, tomate e alface sobre a bancada.

Enquanto monto os sanduíches, sinto o olhar dele sobre mim.

Discretamente, levanto os olhos.

Louis estava apoiado na bancada. Uma das mãos sustentava o queixo. Os olhos semicerrados permaneciam fixos em mim.

E aquele sorrisinho...

Cruzo os braços por um instante.

— Pode parar de ficar me encarando.

Ele parece despertar de um transe. Endireita imediatamente a postura.

— Eu... desculpa.

A reação dele me faz rir.

Parecia um garoto que acabara de ser pego espionando a vizinha pela janela.

Para disfarçar o constrangimento, ele muda de assunto.

— Quantos anos você tem?

— Dezenove.

Termino de colocar o queijo no pão.

— E você?

Ele arqueia uma sobrancelha.

— Você não sabe?

Dou de ombros.

— Não.

— Nem minha idade?

— Não sou sua fã. — Continuo preparando os sanduíches. — Para ser sincera... eu nem sabia quem você era até hoje.

Ele abre a boca, genuinamente surpreso.

— Isso é raro.

Olho para ele.

— O quê?

— Alguém não saber quem eu sou.

Dou uma risada.

— Está acostumado a ter todas aos seus pés?

Ele ri também.

— Um pouco.

Fecho os sanduíches, guardo os ingredientes na geladeira e pego duas latinhas de refrigerante.

Coloco uma delas e um prato na frente dele.

— Obrigado.

— De nada.

Sento-me do outro lado da mesa.

Ele abre a lata.

— Mulher dando em cima de mim não falta. – ele sorri de lado. — Mas eu não gosto de mulher fácil.

Dou uma mordida no sanduíche.

— Que bom.

Ele me encara por alguns segundos.

Como se esperasse alguma reação.

Não recebe nenhuma e eu continuo comendo tranquilamente.

Depois de um instante, lembro da fotografia.

— Hum...

Ele levanta os olhos.

— Quem é aquela menina?

— Que menina?

Bebe um gole do refrigerante.

— Da foto que estava no seu quarto. — Faço um gesto com a mão. — A morena.

Ele se engasga.

Começa a tossir.

Espero até que ele se recupere.

— A morena?

— É.

Franzo a testa.

— A que estava do seu lado.

Ele limpa a boca com um guardanapo.

— É a Valeria. — Faz uma pequena pausa. — Ela é... uma amiga.

Assinto.

— Ah.

Dou outra mordida.

— Achei que fosse sua namorada.

— Não.

Ele responde rápido demais.

— Não é.

Um breve silêncio se instala entre nós.

Até que ele fala de repente:

— Vinte e quatro.

Levanto os olhos.

— Oi?

— Minha idade.

Ele sorri.

— Tenho vinte e quatro anos.

Rio baixinho.

— Ah... sim.

Eu já tinha até esquecido da pergunta.

Ele apoia os cotovelos sobre a mesa.

— De onde você é, Emily?

— Sempre morei em Doncaster.

Dou mais um gole no refrigerante.

— Só que do outro lado da cidade. Faz uns seis meses que me mudei para uma casa aqui perto.

Ele me observa com curiosidade.

— Então você nunca ouviu falar de mim? Nem da One Chance?

Penso por alguns segundos.

— Acho que já ouvi algumas músicas de vocês, muitos anos atrás. — Dou de ombros. — Mas nunca acompanhei.

— Nunca?

— Nunca fui de passar horas em redes sociais acompanhando artistas ou idolatrando famosos.

Sorrio.

— Não tenho nada contra quem faz isso. Só... nunca foi muito a minha praia.

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