UMA LINDA BABÁ

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Capítulo 6 6

Sigo até a cozinha.

Recolho os pratos, copos e talheres espalhados pela mesa e os levo para a pia.

Lavo tudo com calma, enxáguo, seco cada peça e guardo tudo em seus respectivos lugares.

Enquanto terminava de secar as mãos, escuto Elizabeth me chamar.

— Emily?

Viro-me.

— Pode dar banho e arrumar as gêmeas? Elas têm aula hoje.

— Claro. Elas escolhem a própria roupa?

— Sim. Só não deixe exagerarem muito.

Dou uma risada.

— Pode deixar.

— O quarto delas é o último à esquerda.

Assinto e subo as escadas.

O corredor do andar de cima tinha cinco portas. Caminho até a última, como Elizabeth havia dito.

Antes mesmo de bater, consigo ouvir o som da televisão misturado às gargalhadas das meninas.

Dou duas batidas leves.

— Posso entrar?

Sem esperar resposta, abro a porta.

As duas estavam sentadas na cama, completamente concentradas em um desenho animado.

— Olá, meninas.

As duas desviam os olhos da televisão para mim.

— O que estão assistindo?

— Desenho. — respondem juntas.

Sorrio.

— Odeio acabar com a diversão de vocês... — Faço uma pequena pausa dramática. — Mas está na hora do banho.

As duas reclamam ao mesmo tempo.

— AAAAH, EMILY!

Levo a mão ao peito, fingindo estar ofendida.

— Que isso! Parece até que eu virei a vilã da história.

Elas fazem bico.

— Eu sei que vocês querem continuar vendo desenho, mas precisam se arrumar para a escola.

Ayla cruza os braços e emburra ainda mais.

Ajoelho-me para ficar na altura dela.

— Esse biquinho não combina com uma princesa tão bonita.

Ela continua sem reagir.

Finjo pensar por alguns segundos.

— Certo... então vamos negociar.

Olho para Lis.

— Querida... você quer tomar sorvete depois da escola?

Os olhos dela brilham imediatamente.

— SIMMM!

— Então vamos tomar banho primeiro?

— Vamos!

Ela já começa a tirar a roupa enquanto corre em direção ao banheiro.

Rio da animação dela.

Depois volto minha atenção para Ayla.

— E você? Também quer sorvete?

Ela continua de braços cruzados.

— Eu quero ver desenho.

Sorrio pacientemente.

— E você pode. — Ela me olha desconfiada. — Assim que voltarmos da escola. O desenho ainda vai estar aqui esperando por você.

Ela parece pensar por alguns segundos.

Por fim, suspira dramaticamente.

— Você venceu, Emily.

Ela se levanta da cama e vai caminhando até o banheiro enquanto tira a blusa.

Assim que ela desaparece atrás da porta, ergo discretamente as mãos para o céu.

Primeira negociação bem-sucedida.

[...]

Depois de deixar as gêmeas na escola, entrego à secretaria um bilhete assinado por Elizabeth informando que eu era a nova babá e que seria responsável por buscá-las na saída.

Resolvida a burocracia, volto para a casa.

Assim que entro, a primeira coisa que chama minha atenção é um papel dobrado deixado sobre o móvel onde normalmente ficavam as chaves.

Pego o bilhete.

"Emily, saí com Kia e Arabella para o shopping. As meninas saem às quatro. Fique à vontade.

Elizabeth."

Um sorriso discreto surge em meus lábios.

Dobro o papel e o guardo no bolso da calça.

Como ainda tinha algumas horas livres, resolvo aproveitar para conhecer melhor a casa. Subo as escadas e começo pelo quarto das gêmeas.

Os brinquedos estavam espalhados pelo chão, como era de se esperar.

Vou recolhendo um por um e os guardo dentro do grande baú colorido ao pé da cama. Depois estico os edredons, afofo os travesseiros e deixo tudo organizado.

Saio dali e entro no quarto ao lado.

As paredes eram brancas com detalhes lilases. Havia duas camas de solteiro, uma de cada lado do cômodo, ambas impecavelmente arrumadas.

Devia ser o quarto de Kia e Arabella.

Fecho a porta silenciosamente.

O próximo quarto era bem diferente.

Uma enorme cama de casal ocupava o centro do ambiente, de frente para uma televisão instalada sobre um móvel elegante.

Tudo estava extremamente organizado.

Era, sem dúvida, o quarto de Elizabeth.

Não demoro muito ali.

Fecho a porta e sigo até o último quarto do corredor.

Assim que entro, um sorriso involuntário escapa.

Era o quarto dos bebês.

Tudo parecia saído de uma revista de decoração.

Dois berços ocupavam lados opostos do quarto.

Em um deles predominavam tons de azul.

No outro, rosa.

Havia bichinhos de pelúcia, móbiles delicados, mantinhas dobradas com perfeição e uma cômoda repleta de pequenos objetos de bebê.

Perto da porta estavam um carrinho duplo e dois carrinhos individuais.

Elizabeth realmente tinha uma facilidade impressionante para ter gêmeos.

E, pelo que eu via, também possuía um talento admirável para administrar uma família tão grande.

Fecho a porta com cuidado.

Meu olhar se fixa na única porta que ainda faltava.

Respiro fundo.

Era estranho admitir... Mas eu estava curiosa.

Abro a porta lentamente.

Um perfume masculino e agradável ainda permanecia no ambiente.

O quarto era amplo e aconchegante.

A cama de casal estava impecavelmente arrumada, coberta por roupas de cama em tons de azul.

Em frente a ela havia um móvel onde ficava a televisão e vários porta-retratos.

Caminho até eles.

Pego o primeiro.

A fotografia mostrava cinco rapazes sorrindo para a câmera.

Louis estava entre eles.

Todos pareciam ter praticamente a mesma idade. Muito provavelmente eram os integrantes da banda.

Coloco o porta-retrato de volta exatamente onde estava.

Em seguida, pego o outro.

Nele havia apenas Louis.

Parecia um pouco mais novo.

Ao seu lado estava uma garota bonita, de cabelos castanhos e olhos da mesma cor.

Namorada.

Claro.

— Quem é você?

Dou um pequeno sobressalto.

Viro-me tão rápido que quase deixo o porta-retrato escapar das mãos.

Parado na porta estava um rapaz segurando uma mala. Vestia calça jeans, jaqueta jeans e uma camiseta azul por baixo.

Os cabelos castanhos estavam levemente bagunçados, como se tivesse acabado de passar as mãos por eles.

E os olhos...

Os mesmos olhos azuis da fotografia.

Intensos; hipnotizantes.

Ele me observava com uma mistura de curiosidade, surpresa e desconfiança.

Rapidamente coloco o porta-retrato de volta no lugar.

— Me desculpe.

Endireito a postura.

— Sou Emily. A nova babá das meninas.

Ele arqueia uma das sobrancelhas.

— Estranho... não me lembro de minha mãe ter comentado que tinha contratado uma nova... babá.

Enquanto dizia a última palavra, seus olhos percorrem discretamente minha figura dos pés à cabeça.

Sinto meu rosto esquentar.

— Ela... provavelmente ainda não teve tempo de contar.

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