Três Motoqueiros Alfa Querem um Casamento Aberto

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Capítulo 2

POV da Riley

Empurrei a porta devagar, a mão tremendo no puxador. Por um segundo, achei que minha cabeça estava pregando peças em mim. Talvez eu estivesse alucinando de exaustão e de tanto coração partido.

Mas não.

No instante em que a porta abriu o suficiente para eu enxergar lá dentro, a realidade me acertou com uma clareza brutal.

Ethan — meu marido — estava lá. Dentro da Wendy. Em cima da mesa dele.

O corpo dela estava arqueado, a blusa empurrada até os ombros, a saia amontoada nos quadris. As mãos dele apertavam a cintura dela, puxando-a de volta contra ele, metendo nela como se não tivesse vergonha nenhuma, nenhuma hesitação, nenhum medo de ser pego. Como se já tivesse feito aquilo centenas de vezes.

Os gemidos dela eram altos, ecoando nas paredes do escritório, ofegantes e sem nenhum freio. Ela nem estava fingindo que tentava ficar quieta. Não tinha medo de alguém ouvir. Não tinha medo de alguém entrar.

E por que teria?

Ninguém entra no escritório do Alfa sem bater.

Ninguém, exceto eu.

Eles me notaram na mesma hora. A cabeça da Wendy virou na minha direção tão rápido que o cabelo chicoteou o rosto dela. A cor sumiu das bochechas, os lábios ainda entreabertos num gemido que morreu na garganta.

O Ethan não travou, mas também não se afastou. Nem se deu ao trabalho de pegar a calça.

Só virou o rosto devagar na minha direção, ainda enterrado dentro dela, e me encarou como se eu tivesse interrompido algo importante.

Em vez de culpa, a expressão dele estava cheia de pura irritação, como se eu fosse um incômodo.

Meu coração parou. Minha mente ficou em branco e minha visão estreitou.

Por um instante, tudo o que eu conseguia ouvir era meu próprio coração martelando contra as costelas.

Tum.

Tum.

Tum.

Eu abri a boca, mas as palavras lutaram contra o luto estrangulando minha garganta.

— Nosso filho… — sussurrei, quase sem voz. — Ele morreu hoje, Ethan.

As lágrimas encheram meus olhos na hora, escorrendo pelo meu rosto em filetes silenciosos e desesperados, enquanto as mãos da Wendy se atrapalhavam para puxar a blusa e se cobrir, os dedos tremendo.

O Ethan enfim, bem devagar, saiu de dentro dela e puxou a calça para cima como se tivesse o dia inteiro. Como se eu estivesse ali perguntando o que ele queria no almoço. Ele se mexia com a mesma confiança preguiçosa de sempre, a confiança de quem sabia que ninguém encosta nele — do jeito que a maioria dos Alfas era.

Eu engoli em seco, mas parecia vidro descendo pela minha garganta.

— E você está aqui — continuei, com a voz por um fio — transando com a Wendy? Com a sua própria meia-irmã?

A Wendy balançou a cabeça, se afastando da mesa, cambaleando.

— Riley… Riley, eu sinto muito… Eu não… eu juro, eu achei…

As palavras dela se embolavam, caíam umas em cima das outras, mas eu ainda não conseguia olhar para ela. Não conseguia olhar para a mulher que ficou ao meu lado no hospital ontem à noite e só foi embora bem cedo hoje de manhã. A mulher que me segurou quando levaram meu bebê para a cirurgia. A mulher que me abraçava toda vez que meu bebê piorava, uma crise atrás da outra.

Ela era família.

Minha melhor amiga.

Minha confidente.

A pessoa em quem eu confiava com tudo o que ainda me restava.

A traição doeu mais fundo do que qualquer faca poderia doer. Mas então o Ethan deu uma risadinha de desprezo, e minha atenção voltou para ele num estalo.

— Você acha que eu me importo com o seu filho morto, Riley? — ele disse, a irritação cortando cada sílaba.

Meu coração… quebrou de novo. Ali mesmo. Como se já não tivesse sido esmagado o bastante.

Ele continuou, dando um passo na minha direção como se o problema fosse eu.

— Faz meses que você é só isso: uma tragédia ambulante. Eu cansei. Cansei do seu choro. Cansei de hospital. Cansei de fingir que eu dou a mínima. Você é chata demais, Riley!

A Wendy levou a mão à boca, horrorizada.

Mas ele não tinha terminado.

— Você queria pena? Queria que eu desmoronasse com você por causa de uma criança que você conseguiu ter, mas não conseguiu nem cuidar? Foi mal. — Ele deu de ombros. — Eu tenho coisas melhores pra fazer.

A frieza na voz dele penetrou nos meus ossos como água gelada. Congelou o pouco de calor que ainda me restava. Fiquei ali, encarando-o, mal respirando, cada célula do meu corpo tremendo de choque, raiva e devastação.

— Você… — engasguei com as palavras. — Você é nojento — sussurrei.

Ele deu aquele sorrisinho de canto — o mesmo sorrisinho arrogante de Alfa que usava quando humilhava funcionários ou descartava problemas que não queria enfrentar.

— Você sempre odiou como eu era preguiçoso, como eu não agia como o marido perfeito da sua fantasia. Pois bem, sabe de uma coisa? Cansei de fingir.

Minhas unhas cravaram tanto nas palmas das mãos que senti algo úmido. Eu não sabia se era sangue, suor, ou os dois.

— Porque é isso que você é, Ethan — eu disse, a voz se partindo a cada palavra. — Eu segurei tudo. Tudo. Nosso filho. Nosso negócio. Nossa casa. Enquanto você…

— Enquanto eu o quê? — ele cortou, ríspido. — Não fazia nada? É. Isso mesmo. E você mesmo assim ficou. Então o que isso diz sobre você?

Eu puxei o ar, trêmula.

Ele ainda não tinha terminado.

— E, sinceramente… — Ele se encostou na mesa, cruzando os braços, os olhos cruéis. — Você sempre foi a patética, Riley. Todo mundo sabia. Todo mundo tinha pena de mim por causa disso. Talvez seja por isso que ele morreu. Talvez a criança simplesmente não fosse feita pra sobreviver com você.

O mundo tombou dentro da minha cabeça de uma vez. O ar foi arrancado dos meus pulmões. Meus joelhos quase cederam. Um som escapou de mim — algo cru, ferido, desumano. Algo que eu nunca tinha me ouvido fazer antes.

— Ethan… — Wendy sussurrou, horrorizada. — Para. Para com isso—

Mas ele não se importou.

Ele não se importou com o meu peito em pedaços, nem com as manchas de leite ainda no meu vestido desde a última vez que eu segurei o meu bebê. Não se importou por ter usado a morte do nosso filho — um filho que ele mal reconhecia — pra me ferir mais fundo do que qualquer homem deveria.

Alguma coisa estalou dentro de mim, e minhas mãos se moveram antes que eu pudesse pensar, e eu lhe dei um tapa forte!

O estalo ecoou pela sala como um trovão. Um som seco, cruel.

A cabeça dele virou de lado, de puro choque, sem filtro.

— Você enlouqueceu? — ele rosnou, levando a mão à bochecha.

— Não, Ethan — eu disse, dando um passo à frente, minha voz firme pela primeira vez desde que eu entrei. — Dessa vez, eu cansei de ser a louca.

Ele bufou. Como se eu fosse desabar de novo, do jeito que eu sempre fazia pra manter a paz, pra fazer o casamento funcionar, pra sustentar as aparências.

A voz de Wendy tremia.

— Riley, me desculpa… Eu não queria… Eu achei que você e ele… ele disse que vocês dois não estavam—

Eu ergui a mão, num gesto duro, e ela parou de falar na hora.

— Você era pra ser minha amiga — eu disse, baixo. — Você era pra ficar do meu lado — mas você me mostrou que não passa de uma puta — eu disse.

Virei de volta para Ethan.

— Você acha que ganhou, não é? — eu engasguei.

Mas ele revirou os olhos.

— Já acabou? Tem investidores esperando. Você pode gritar depois.

A cara de pau. Eu cerrei os punhos, tentando impedir que minhas mãos tremessem. Minha dor não sumiu, mas mudou de lugar — se rearranjou, endurecendo em algo firme.

Eu encarei direto os olhos dele e falei com calma, com clareza, de propósito.

— Você sempre quis um casamento aberto, não foi, Ethan?

Ele piscou, confuso com a mudança repentina.

— Pois — continuei — agora você pode ter.

O silêncio que veio depois sufocou. Wendy soltou um suspiro baixo. Ethan se endireitou, as sobrancelhas subindo, mas eu não desviei o olhar.

— Vamos ter um casamento aberto.

As palavras tiveram gosto de vitória. Uma vitória amarga, fria — mas vitória, ainda assim.

Ethan abriu a boca, pronto pra discutir, pronto pra zombar, pronto pra dizer alguma crueldade, mas eu não dei a ele a chance.

— Pela primeira vez desde que eu me casei com você — eu disse, passando por ele em direção à porta — você vai ver exatamente no que me empurrou.

Alcancei a maçaneta, puxei a porta e olhei para trás uma última vez.

— Você não vai mais me machucar, Ethan — eu disse, baixo. — Nunca mais, a partir de agora.

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