Tarde Demais Para Implorar: A Ex-Esposa Gênia

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Capítulo 9 As negociações de paz são interrompidas

O escritório do CEO, no último andar do Grupo Miller.

Luke estava diante das janelas do chão ao teto, observando lá embaixo a cidade movimentada.

O vidro refletia sua testa levemente franzida e uma expressão de irritação contida.

Já tinham se passado alguns dias desde a reunião desagradável no laboratório.

Evelyn não tinha voltado a procurá-lo, e o acordo de divórcio continuava na gaveta dele.

Por baixo da irritação, ele sentia algo mais complicado.

Ele nunca achou que tivesse feito algo errado — afinal, o investimento inicial tinha sido ideia da Evelyn, e ele recuou porque as brigas constantes dela com a família estavam afetando a imagem da empresa e a estabilidade familiar.

Mas agora...

Luke sentia um desconforto vago.

Evelyn parecia ter realmente conquistado confiança e capacidade para se livrar do controle dele.

Com esse pensamento, ele foi até a mesa e apertou o interfone. “Mia, entra aqui um instante.”

Mia abriu a porta rapidamente. “Sr. Miller.”

“Vá buscar o conjunto de joias da série Starlight que compramos no leilão do último trimestre”, Luke ordenou.

Era um conjunto de joias de diamantes, de design simples, porém elegante, e bastante valioso, originalmente pensado como presente para a esposa de um parceiro de negócios importante.

Mia ficou um pouco surpresa, mas o profissionalismo a impediu de fazer perguntas. “Sim, Sr. Miller.”

Mia foi eficiente; em poucos minutos, uma caixa de presente envolta em veludo azul-escuro foi colocada sobre a mesa de Luke.

Luke pegou a caixa, olhou por um instante e então a largou.

Ele não achava que dar joias tivesse algum significado especial — só considerava que esse tipo de presente mostrava melhor o valor e era a escolha mais segura.

Ele mandou o motorista preparar o carro para ir ao laboratório da Evelyn.

Enquanto isso, no condomínio Garden Vista, Maggie fazia companhia a Andy na sala de brinquedos, onde os dois construíam um castelo com blocos.

Ela parecia distraída, checando o celular de vez em quando.

Mia era uma das informantes dela; então, Maggie soube na hora em que Luke pediu aquele conjunto de joias.

Ele ia encontrar a Evelyn?

E ainda por cima com um presente tão caro?

Maggie ficou inquieta.

Não. Ela não podia, de jeito nenhum, deixar Luke e Evelyn se encontrarem a sós.

Os olhos dela correram pelo ambiente e pararam em Andy, concentrado em empilhar a torre; uma ideia se formou depressa.

Quando Luke chegou ao laboratório, ainda era bem cedo.

Ele não subiu imediatamente; em vez disso, ficou um tempo no carro, organizando o que queria dizer.

Por fim, respirou fundo, pegou a caixa de presente, desceu e seguiu em direção ao prédio do laboratório.

Pouco depois de a recepcionista ligar para avisar, Evelyn apareceu.

Ela usava um jaleco branco simples por cima de um suéter e uma calça cinza-claro, com o cabelo preso de qualquer jeito e o rosto sem expressão.

Só por um instante, ao vê-lo, um lampejo de irritação atravessou os olhos dela.

“O que você quer?” Ela parou na entrada do corredor, sem fazer menção de convidá-lo a entrar.

Luke conteve o incômodo e ergueu a caixa de presente. “Eu quero conversar. Sobre a retirada do investimento — houve alguns mal-entendidos.”

“Mal-entendidos?” Evelyn arqueou uma sobrancelha. “O aviso de retirada, os documentos oficiais carimbados pelo departamento jurídico do Grupo Miller e os que a Maggie entregou pessoalmente — que mal-entendido poderia existir? Além disso, eu já devolvi o dinheiro. Estamos quites. Tem mais alguma coisa?”

“Evelyn”, Luke disse num tom paciente, “não seja tão agressiva.”

“O processo de retirada teve problemas na execução por parte da equipe. Eu não estava totalmente ciente de todos os detalhes antes, e admito que a Maggie não conduziu isso direito.”

Era o mais perto de um pedido de desculpas que ele conseguia.

Ainda assim, Evelyn apenas o encarou em silêncio, sem nenhuma emoção nos olhos.

“E daí? Sr. Miller, você veio até aqui só para me dizer isso... e depois?”

Luke ficou sem palavras por um momento.

— “Isso”, ele fez uma pausa, estendendo a caixa de presente, “é um presente. Vamos deixar o passado no passado. Afinal, ainda temos o Andy. Não precisa deixar as coisas tão tensas entre a gente.”

O olhar de Evelyn caiu sobre a elegante caixa de veludo, mas ela não fez menção de pegá-la.

A expressão dela trazia um traço de absurdo, como se não conseguisse entender o comportamento dele.

Então, Evelyn soltou uma risada sarcástica e balançou a cabeça de leve.

— Luke, você acha que, só porque faz um gesto qualquer e dá algo caro, dá pra apagar tudo o que aconteceu, eu tenho que te agradecer e aí volta tudo ao normal?

— Não foi isso que eu quis dizer...

— Então o que você quer dizer? — Evelyn o interrompeu.

— Luke, na sua cabeça, dá pra medir tudo com dinheiro e coisas — inclusive a dignidade e a carreira da sua esposa?

O rosto de Luke se fechou.

— Evelyn, não seja ingrata. O simples fato de eu ter vindo até aqui já demonstra respeito.

— Respeito por mim? — Evelyn recuou instintivamente.

Como ela tinha conseguido se apaixonar por aquele homem?

Nesse instante, o celular de Luke vibrou no bolso.

Ele pegou o aparelho, irritado, e, ao ver o nome de Maggie piscando na tela, atendeu na hora.

— Luke, deu ruim!

A voz estridente e chorosa de Maggie veio imediatamente, com os gritos dilacerantes de Andy ao fundo.

— O Andy começou do nada com uma dor horrível na barriga, está se contorcendo. Vomitou várias vezes. Eu liguei pro médico, mas ele não para de chorar chamando o pai. Por favor, volta rápido — o Andy precisa de você agora!

Pelo telefone, os gritos agudos de Andy soaram nítidos:

— Papai, papai, minha barriga tá doendo muito, eu quero o papai...

O coração de Luke apertou, e a expressão dele mudou na hora.

— O que aconteceu? O que o médico disse? — ele perguntou, urgente, sem dar mais atenção a Evelyn ao lado.

— O médico disse que pode ser uma gastroenterite aguda, mas ele é tão pequeno e está reagindo tão forte que eu estou com medo de ficar sozinha. Você pode voltar rápido, por favor? O Andy não para de chamar por você...

A voz de Maggie tremia, cheia de desespero e medo.

Luke olhou para Evelyn.

Evelyn tinha ouvido claramente a conversa; seu rosto não mostrava nada enquanto ela o encarava com frieza.

No segundo seguinte, ele tomou uma decisão.

— Estou indo agora! — Luke disse firme ao telefone, antes de desligar.

Ele olhou para Evelyn e falou depressa:

— O Andy ficou doente de repente; pode ser sério. Tenho que voltar imediatamente. Fica com o presente por enquanto — a gente fala sobre o que aconteceu hoje outra hora.

Ele enfiou a caixa de presente nas mãos de Evelyn e, sem esperar a reação dela, virou-se e saiu a passos largos.

Evelyn ficou ali, vendo Luke sumir, com o sorriso sarcástico nos lábios se aprofundando.

Ela se virou e voltou para o laboratório, carregando a caixa de presente.

Vários pesquisadores estavam trabalhando, mas ergueram a cabeça ao ouvir os passos.

O olhar de Evelyn passou por eles e parou em Betty, uma estagiária.

A garota estava curvada, anotando dados, com uma pulseirinha de cordão vermelho já desbotado no pulso.

— Betty — chamou Evelyn.

Betty levantou a cabeça, confusa.

— Sra. Thomas?

Evelyn se aproximou e colocou a caixa de veludo azul-escuro sobre a bancada do laboratório, à frente dela.

— Isso é pra você.

— O quê? — Betty e os colegas por perto ficaram boquiabertos.

— O modelo pode ser meio antiquado. Se você não gostar, pode vender ou dar pra outra pessoa.

O tom de Evelyn era neutro, como se estivesse falando de algo banal.

— Considere como uma comemoração pelo sucesso da primeira fase do nosso projeto.

Dito isso, ela nem olhou mais para a caixa e foi direto para o próprio escritório, fechando a porta atrás de si.

Betty encarou a caixa de presente, obviamente cara, toda atrapalhada, corando até a raiz do cabelo.

David, ao lado dela, ajeitou os óculos e pigarreou.

— Se a Sra. Thomas te deu, é só aceitar. Trabalhe direitinho.

— Ah... tá bom.

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