Capítulo 7 Eu pensei que você estava morto
Garden Vista Estates.
Depois que voltaram do parque de diversões, Andy tomou banho, vestiu um pijama limpo e se sentou no tapete da sala, montando o robô que tinha acabado de comprar.
Depois de mexer nele por um tempo, ele ergueu o olhar para a escada, depois para a cozinha, e apertou os lábios.
—Pai. —Ele largou as peças e correu até Luke, que estava revisando documentos. —Quando a mamãe volta? Faz um tempão que ela não vem pra casa.
Os olhos de Luke saíram dos papéis.
Ele estendeu a mão e bagunçou o cabelo de Andy, num tom neutro.
—Ela está ocupada... trabalhando fora da cidade.
—...Ela ainda está brava comigo?
Andy baixou a cabeça, cutucando os próprios dedos.
—Porque eu gritei com ela e mandei ela embora, então ela não me quer mais?
A testa de Luke se contraiu, quase imperceptivelmente.
—Não. —respondeu rápido, quase sem pensar. —A mamãe não vai deixar de te querer. Ela só precisa de um tempo. Quando terminar o trabalho, ela volta.
Aquelas palavras eram para Andy, mas parecia que Luke também estava tentando se convencer disso.
Afinal, como a Evelyn poderia não querer o próprio filho?
Ela só estava sendo difícil, e agora tinha se colocado numa situação sem saída.
Quando se acalmasse e pensasse direito, naturalmente voltaria.
—Sério? —Andy levantou o rosto.
—Sim. —Luke desviou o olhar e voltou aos documentos. —Vai brincar.
Andy se sentiu um pouco mais tranquilo e correu de volta para as peças.
Evelyn voltou para Oceancrest City uma semana depois.
Assim que chegou, foi direto para o laboratório e mergulhou na rodada seguinte de trabalho.
O desenvolvimento tinha entrado com sucesso na próxima fase — um período crítico. Agora ela precisava manter o foco; não havia margem para erro nos experimentos.
Quando ela e vários pesquisadores discutiam parâmetros, o telefone interno da recepção tocou.
A assistente atendeu, ouviu por alguns instantes e então caminhou até Evelyn com uma expressão meio constrangida.
—Sra. Thomas, tem uma mulher aqui querendo falar com você. O sobrenome dela é Smith. Ela disse que está representando o Grupo Miller.
Maggie?
A mão de Evelyn parou no meio da anotação dos dados, e um lampejo de frieza passou pelos olhos dela.
Ela largou a caneta e assentiu para o colega.
—Continuem sem mim. Vou lá ver.
Na sala de recepção, Maggie já estava sentada no sofá.
Naquele dia, ela usava um tailleur bege, maquiagem impecável; os cabelos cacheados caíam certinhos sobre os ombros, com uma aparência ao mesmo tempo competente e elegante.
Ao ver Evelyn entrar, Maggie se levantou na hora, exibindo um sorriso profissional ensaiado.
—Evelyn, desculpa incomodar.
Evelyn não devolveu a cortesia. Caminhou direto até o sofá em frente e se sentou.
Olhou para Maggie com calma.
—Sra. Smith, você veio até aqui pelo Grupo Miller... do que se trata?
O tom de Evelyn não era exatamente amistoso, então Maggie não perdeu tempo. Ela tirou um documento da bolsa e o empurrou com delicadeza sobre a mesa, na direção de Evelyn.
—É o seguinte: o Grupo Miller reavaliou o investimento no seu laboratório e concluiu que a relação entre risco e retorno já não está alinhada com a estratégia atual de investimentos da empresa.
A voz de Maggie continuou suave, mas as palavras eram inflexíveis.
—A empresa decidiu retirar formalmente todo o apoio financeiro ao laboratório. Este é o aviso de retirada. Todas as cláusulas legais pertinentes e os procedimentos de continuidade estão incluídos.
Evelyn não tocou no documento.
Apenas encarou Maggie, até com um leve sorriso.
—Foi o Luke que te mandou?
Os olhos de Maggie vacilaram por um instante e depois voltaram ao normal.
—Esta é uma decisão oficial da empresa. O Sr. Miller me autorizou a cuidar disso. Evelyn, de acordo com as normas, a partir da data de entrega deste aviso, o laboratório deve interromper imediatamente o uso de todos os equipamentos e materiais comprados com o investimento do Grupo Miller e encerrar todas as atividades de pesquisa realizadas sob este projeto.
Ela fez uma pausa, o olhar passando pelo rosto de Evelyn.
—Claro, nós entendemos que abrir um negócio não é fácil para você, Evelyn. Se o laboratório não conseguir continuar por causa disso e você tiver dificuldades, pode nos avisar. O Sr. Miller e eu podemos tratar caso a caso.
Ela e o Luke?
Tratar caso a caso?
Evelyn quase riu alto.
Ela se inclinou um pouco para a frente, prendendo o olhar no de Maggie.
—Maggie, você já terminou?
Um lampejo de inquietação atravessou o rosto de Maggie sob aquele olhar firme, mas ela se obrigou a assentir com a cabeça. “É basicamente isso. Quanto aos detalhes específicos, o documento…”
“Então agora é a minha vez.” Evelyn a interrompeu.
“Primeiro, o procedimento de retirada do Grupo Miller tem que cumprir à risca as cláusulas de quebra de contrato do acordo de investimento. Todas as multas devem ser pagas integralmente — sem desconto, sem exceções.”
Maggie ficou paralisada.
“Segundo”, Evelyn continuou, “sobre os direitos de uso dos equipamentos e materiais do laboratório. O Grupo Miller investiu inicialmente oitenta milhões de dólares, e cerca de cinquenta milhões foram destinados à compra de equipamentos. Essa quantia — há duas semanas, eu instruí meu advogado a devolvê-la integralmente para a conta pública do Grupo Miller.”
O sorriso no rosto de Maggie congelou por completo.
“O quê? Devolveu? Isso é impossível…” ela protestou por instinto.
Uma transferência tão grande — como ela, como assistente do Luke, poderia não saber absolutamente nada?
“Você não conferiu as contas da empresa antes de vir?”
Evelyn arqueou levemente uma sobrancelha. “Ou o senhor Miller esqueceu de te orientar antes de te mandar pra cá?”
Maggie ficou sem palavras, os dedos apertando com força a alça da bolsa.
Ela realmente não tinha conferido. Só estava ansiosa para usar a retirada como desculpa para ver a Evelyn num estado miserável.
Quem diria que a Evelyn tinha mesmo devolvido aqueles cinquenta milhões?
“E mais”, Evelyn se recostou no sofá, “o laboratório está funcionando bem e com verba suficiente. Não há motivo para o Grupo Miller — nem a Maggie — se preocupar. Se não há mais nada, eu não vou te acompanhar até a saída. Esta é uma área restrita do laboratório — não é permitida a entrada de pessoas não autorizadas.”
Ela enfatizou as últimas palavras.
“Você—” a expressão de Maggie escureceu quando ela se levantou de supetão. “Evelyn, não fica se achando. Sem o apoio do Grupo Miller, quanto tempo você acha que esse seu laboratorinho aguenta?”
Com isso, ela pegou o documento e se virou para sair.
Evelyn achou que, enfim, teria um pouco de paz, mas, pouco antes do horário de fechar, David entrou apressado.
“O CEO do Grupo Miller está aqui. Ele está pedindo para te ver. É melhor você ir falar com ele.”
Luke?
Um lampejo de irritação passou pelos olhos de Evelyn, mas ela ainda assim tirou o jaleco e foi em direção à sala de recepção.
Assim que chegou, viu Luke sentado no sofá, com a expressão carregada. Maggie estava ao lado dele.
Aquilo só podia ser mais um plano da Maggie.
No instante em que Luke viu Evelyn, a expressão dele ficou ainda mais sombria, e ele a questionou na hora: “Evelyn, de onde você tirou esse dinheiro?”
Durante os cinco anos de casamento, era Evelyn quem cuidava da criança — não tinha como ela juntar cinquenta milhões em tão pouco tempo.
Ela não queria perder tempo com ele. “E isso é da sua conta por quê?”
“Você me diz.” Os nós dos dedos de Luke ficaram brancos. “Legalmente, você ainda é minha esposa. Cada palavra e cada atitude sua refletem na reputação do Grupo Miller.”
Evelyn entendeu.
Então ele veio até ali, furioso, só para confirmar se a esposa apenas no papel tinha feito algo para traí-lo, se o dinheiro tinha sido obtido por meios legítimos.
“Evelyn, você não atendeu minhas ligações. Eu achei que você tivesse morrido.” Uma voz masculina clara soou de repente do lado de fora da porta.
Luke se virou.
Um homem alto, vestido de forma casual, estava na entrada da sala de recepção.
Ele devia ter uns trinta e dois, trinta e três anos, traços bonitos, usando óculos escuros grandes, com um ar distinto — claramente um homem de dinheiro.
Ele estava com as mãos nos bolsos, com um jeito meio rebelde, mas captou a situação na sala de recepção imediatamente, um sorriso de desprezo brincando nos lábios.
“Evelyn, você tá bem?” O homem entrou e, naturalmente, parou ao lado de Evelyn, colocando a mão no ombro dela.
As pupilas de Luke se contraíram de leve, e a expressão dele ficou horrível na mesma hora.
“Quem é ele?” Ele olhou para Evelyn.
Evelyn ia responder quando Maggie de repente soltou um suspiro baixo, encarando Evelyn com incredulidade.
“Evelyn, mesmo que você esteja com raiva do senhor Miller, você não pode… O senhor Miller ainda está bem aqui.”
Ela não terminou a frase, mas a insinuação era cristalina.
O rosto de Luke escureceu na hora.
“Evelyn”, a voz dele ficou gelada, e cada palavra parecia sair espremida entre os dentes, “então era por isso que você de repente ficou toda durona — você vem saindo com outro homem esse tempo todo. Como eu nunca percebi antes que você era tão sem vergonha?”
