Tarde Demais para Desculpas, Sr. Bilionário (Em Busca da Minha Esposa de Volta)

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Capítulo 5 005

AS portas de vidro da entrada da Cole Holdings se abriram, e Adrian saiu para o ar fresco do fim de noite com uma precisão calma que refletia sua reputação. A cidade era banhada pelo brilho suave dos postes começando a zumbir, enquanto os últimos raios do pôr do sol riscando âmbar se refletiam nas torres de aço e vidro.

Ele se movia com um tipo de autocontrole que impunha respeito sem dizer nada. O terno sob medida acompanhava seu porte enxuto; os sapatos bem polidos faziam um clique ritmado no piso de concreto, com autoridade. Na mão direita, ele carregava sua pasta preta, elegante, a mesma de anos — cada detalhe impecável, sem um arranhão fora do lugar. No ouvido esquerdo, um único fone sem fio brilhava sob o sol que se apagava, pulsando de leve enquanto ele discava um contato no celular.

O polegar deslizou com facilidade pela tela; os olhos se estreitaram um pouco ao ver o nome conhecido. Chamou uma vez. Duas. E então—

“Sr. Adrian!”

Uma voz quebrou o ritmo da noite. Adrian parou no meio do passo, reconhecendo o tom. Virou-se, o olhar afiado, mas suavizado pela familiaridade.

Peter veio apressado pelos degraus de granito, um pouco ofegante de tanto tentar alcançá-lo. Apertava uma pasta contra o peito, a gravata afrouxada denunciando o cansaço acumulado do dia.

“Peter”, Adrian cumprimentou, com a voz estável, levemente distraída enquanto o telefone ainda chamava baixo no ouvido. “Você está com cara de quem corre atrás de sombra. O que foi?”

Peter parou diante dele e respirou fundo para se recompor.

“Só o conjunto final de documentos que o senhor pediu pra eu revisar. Eu queria confirmar se vai precisar deles na reunião do conselho amanhã. Tem números aí dentro que podem levantar perguntas, e achei melhor preparar suas respostas com antecedência.”

O olhar de Adrian suavizou por um segundo; ele valorizava a dedicação do Peter — sempre valorizou.

“Sempre dois passos à frente. É por isso que eu mantenho você por perto.” Ele ajustou a pasta na mão, os dedos livres tamborilando de leve no couro. “Deixe na minha mesa. Eu vou olhar isso hoje à noite.”

Peter assentiu, o alívio tomando conta do rosto.

“Claro, senhor.” Ele hesitou mais um instante, como se decidisse se dizia algo a mais. Então fez uma pequena inclinação respeitosa com a cabeça. “Boa volta pra casa, Sr. Adrian.”

Os lábios de Adrian se curvaram no mais discreto esboço de sorriso.

“Boa noite, Peter.”

Satisfeito, Peter se virou e voltou em direção à entrada; sua silhueta logo foi engolida pela porta giratória.

Adrian soltou um suspiro contido e voltou a atenção para a chamada no ouvido. Assim que começou a andar de novo, cruzando o estacionamento pouco iluminado rumo ao seu sedã preto, o toque parou e uma voz suave, melodiosa, preencheu seu ouvido.

“Vivian”, ele murmurou, o tom baixando — agora macio e sem defesas, já que não havia mais ninguém por perto. Um calor raro entrou nas palavras. “Meu dia foi tranquilo, meu anjo. E você, como está?”

O cascalho estalou sob as solas dos sapatos quando ele se aproximou do carro. Ele ajustou o celular mais perto, a pasta balançando ao lado do corpo.

“Uhum. Eu sabia que você ia dizer isso”, respondeu baixo, ouvindo com atenção. Um riso curto e grave escapou do peito, surpreendendo até ele de tão natural que soou.

“Bom, eu só estou organizando a minha mesa. O trabalho me prendeu por mais tempo do que eu queria.”

O sedã brilhava sob as luzes frias do estacionamento. Adrian chegou com passo firme e apertou o botão de destravar com um movimento discreto do polegar. As travas fizeram um clique. Com um gesto treinado, ele abriu a porta de trás, colocou a pasta lá dentro e fechou, decidido.

“Não consegue esperar, é?” A voz dele ficou ainda mais baixa, e o riso agora carregava uma provocação. “Calma, meu anjo. Já, já eu chego em casa. Você aguenta mais um pouquinho.”

Ele puxou a porta do lado do motorista e entrou no banco de couro com uma facilidade de quem já estava acostumado. Uma mão foi direto ao volante; a outra ajustou o fone sem fio no ouvido. Ficou olhando fixo para a frente, o reflexo pegando por um instante no retrovisor — um par de olhos afiados, expressão indecifrável —, mas a voz dele voltou a ficar mais suave quando falou.

— Sim — murmurou, quase para si mesmo. — Vou estar aí antes do que você imagina.

Ele encerrou a ligação com um toque leve, encaixou o celular no porta-trecos e ficou um segundo em silêncio. O motor ronronou sob as mãos dele; os faróis recortaram feixes nítidos no estacionamento escuro. Sem hesitar, Adrian conduziu o carro para a frente, o grave poderoso do veículo ecoando na noite enquanto ele saía e sumia nas veias da cidade.


O sedã parou em frente ao condomínio fechado, e Adrian desceu, os olhos encontrando de imediato o prédio conhecido, cor de creme, com uma varanda larga. Era a casa que ele tornara possível; cada parede, cada telha, cada fechadura lembrava a devoção silenciosa que ele tinha por ela. Ele pagava o aluguel, a faculdade, os pequenos luxos; e, embora Vivian nunca pedisse em voz alta, ela sabia que ele nunca deixava faltar.

Adrian apertou a campainha, o som ecoando de leve lá dentro. A noite trazia um cheirinho distante de hibisco do jardim ali perto, e ele ajeitou a camisa enquanto a expectativa se acendia no peito. O clique da fechadura foi baixo, mas a visão que veio em seguida derreteu a tensão dele.

Lá estava ela — Vivian, na porta do quarto, envolta num pijama macio em tons pastel. O cabelo caía solto pelos ombros, e a pele dela parecia brilhar mesmo na luz fraca do corredor. Vivian se encostou de um jeito casual no batente, os lábios se curvando num sorriso provocador.

— Olha só quem apareceu — começou, numa cantilena brincalhona, os olhos brilhando ao se prenderem nos dele. — O aniversariante.

Adrian riu, balançando a cabeça enquanto se aproximava.

— Então você lembrou — provocou de volta. — Por um segundo, achei que você ia fingir que esqueceu.

— Esquecer? — ela soltou, em falsa indignação, encostando de leve uma mão no peito dele quando ele chegou perto. — Ah, por favor. Você ficou na minha cabeça o dia inteiro. Como é que eu ia esquecer o dia mais importante da vida do meu mozão?

As risadas dos dois se misturaram, leves, fáceis, até as palavras se dissolverem em proximidade. Adrian passou os braços pela cintura dela, e Vivian o recebeu no calor do corpo, os braços se fechando no pescoço dele. Eles se encaixaram um no outro como peças de um quebra-cabeça que sempre souberam como caber.

— Você tá com cheiro de noite — ela sussurrou junto ao rosto dele, respirando fundo.

— E você tá com cheiro de casa — ele respondeu, roçando os lábios de leve na têmpora dela.

Vivian riu de novo, um som claro, musical.

— Brega — acusou, embora o olhar amolecesse, entregando o quanto ela gostava.

— Talvez — ele sorriu, encostando a testa na dela. — Mas é verdade. Você não faz ideia do que isso me causa, entrar pela sua porta.

Vivian inclinou a cabeça, e a voz dela desceu para um sussurro baixo, íntimo.

— Então nunca para de entrar por ela.

Os lábios deles se encontraram num beijo delicado, carregando anos de relação misturados com algo não dito, algo mais fundo. Os dedos dela se enroscaram no cabelo dele enquanto as mãos de Adrian deslizavam pelas costas dela, puxando-a para mais perto, selando o momento.

Quando por fim se separaram, Vivian ainda o manteve nos braços, a risada voltando daquele jeito doce e sem defesas que sempre desarmava Adrian. Ela puxou a mão dele, travessa.

— Vem, aniversariante. Não fica aí parado com essa cara de bobo. Hoje à noite você é meu.

Ainda rindo, Vivian o puxou com cuidado para dentro do quarto. O som da risada dos dois se espalhou pelo corredor, os pezinhos dela batendo de leve no piso frio enquanto ela o levava, e a porta se fechou macia atrás deles.

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