Capítulo 3 03
Caroline Matolly Narrando
Esses dias tenho me sentido tão exausta mentalmente que não tenho conseguido nem focar nas coisas da faculdade. Estou cursando Direito para fazer um pouco da vontade do meu pai e também porque gosto. Já que ele é delegado e queria que eu seguisse os mesmos passos, mas isso não é para mim. Ele sugeriu Direito e eu aceitei já que me identifico. Estou indo para o quinto período e as coisas estão ficando difíceis. A Luana que o diga hahaha. Tenho vinte anos, sou morena de um corpo escultural. Sim, meus amores, eu me acho uma bela de uma gostosa, porque se eu não me achar, quem é que vai achar?
Meu dia a dia não tem muita graça. Passo a maior parte do tempo sozinha, já que meu pai não sai da delegacia. Aí desde então minha rota é casa, faculdade e casa da Luana hahaha. Minha mãe mora fora, a uns anos atrás eles decidiram se separar, e ela quis viver os sonhos dela, que era morar nos EUA e pintar seus quadros, que acho um mais lindo que o outro. Não sei o motivo ao certo da separação mas super aceitei de boas, porque quem sabe da vida deles são eles. Não quero ninguém infeliz mantendo a pose de família feliz e perfeita por minha causa. Quero que sejam felizes, juntos ou não. Falo com ela por chamada de vídeo sempre que podemos. Óbvio que sinto falta dela, mas já acostumei com toda a situação e não moraria com ela porque amo o Rio de Janeiro. Deus me livre ficar sem uma prainha num sol de cinquenta graus queimando meu coro hahaha.
Estava sentada no sofá olhando pra TV e fiquei pensando em chamar a Luana pra irmos numa boate que tem na Zona Sul, famosinha. Acho que Pink Elefant é o nome.
Peguei meu celular pra ligar pra ela e no segundo toque atendeu.
— Oi, Carolix.
— Já falei pra você não me chamar assim, idiota.
— Não consigo, amiga. Mas fala, o que você quer?
— Estava pensando em fazermos algo diferente do normal. Vamos naquela boate que abriu, acho que Pink Elefant.
— Aaaaaaah, vamos! Preciso curtir e beijar umas bocas, estou me sentindo tão senhora ultimamente.
— Uma senhora safada que você é. Fechou então, amanhã nosso sábado vai ser diferente. Vem pra cá cedinho pra gente agitar as coisas.
— A senhora que manda, aaaaaain já tô animada.
— Estamos hahaha. Tchau, que vou terminar de ver minha série que coloquei e até agora não vi nada. Beijos.
— Beijos, amiga. Te amo.
Fiquei sentada olhando pra série sem prestar atenção em nada, ansiosa pelo sábado que me espera. Não vou avisar o senhor Antônio Matolly porque vai querer me fazer ir com seguranças e eu não tô afim.
Levantei e fui tomar um banho pra começar a preparar meu almoço. Outra coisa que me irrita é ter que cozinhar somente pra mim, já que meu pai não para em casa. Tomei meu banho, coloquei um baby doll, passei meus cremes e fui preparar meu almoço. Fiz strogonoff, comida simples, rápida e gostosa. Acabei de almoçar, limpei a cozinha e fui fazer uns trabalhos da faculdade da semana seguinte pra adiantar o processo, né? Já que o que mais eu tenho nessa vida é tempo.
Fiquei tão focada fazendo os trabalhos que nem vi a hora passar e já eram quase vinte e uma horas da noite. Fui caçar um lanche pra comer e depois fui tomar um banho, deitei na minha cama e fiquei mexendo no celular. Pesquisei sobre a boate e fiquei mais animada ainda. Tudo bem sofisticado, ambiente climatizado e o melhor de tudo: totalmente espaçoso, porque tenho pavor de lugar pequeno. O povo fica igual sardinha e eu já fico logo esbaforida. Fiquei rolando o feed no Instagram e acabei pegando no sono.
