SEQUESTRADA PELO DONO DO ALEMÃO

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Capítulo 1 01

Digão Narrando

Mais um dia que acordo puto da vida porque não consigo passar das seis horas da manhã na cama, já levantei com meu mau humor de sempre e naqueles pique: quem entrar no meu caminho hoje é vala. Vou em direção ao banheiro na intenção de tomar um banho para amenizar o estresse e meu rádio começa a tocar, volto puto para pegar ele.

— Quem quer morrer logo cedo? — Já aperto o botão do rádio quase quebrando ele na parede.

— Acordei a bela adormecida?

— Espero que seja algo sério, senão vou te dar umas vinte madeirada pra tu respeitar bandido.

— Cola aqui na boca que quero desenrolar uma visão contigo sobre o delegado.

— Marca umas dez que tô brotando.

Desliguei o rádio e fui tomar meu banho, espero que não seja à toa porque hoje eu tô na neurose e pra matar um pouco custa. Terminei meu banho, botei cueca e uma bermuda de tactel porque o sol do Rio de Janeiro de manhã já é cinquenta graus, imagine meio-dia. Passei desodorante, perfume, lancei um boné de puto, peguei a chave da minha Xtrem e desci metendo o pé pra boca.

Cheguei na boca sem falar com ninguém, entrei na minha sala e dei de cara com o VT.

— Levanta da minha cadeira que você tá muito abusadinho e fala logo o que tá pegando.

— Acho que você tá precisando dar uma transada pra desestressar, não é normal esse mau humor todo não.

— Vai cuidar da sua vida que da minha eu cuido. Fala logo o que tá pegando ou vai trabalhar, vagabundo.

— Teu mal é que gosta muito de esculachar, mas já é hahahaha vai ficar sem saber também, foda-se.

Fiquei olhando pra ele e pensando o quanto esse cara é maluco, cara, hahaha. Ele se levantou pra sair da sala, foi até a porta, fechou e sentou novamente no sofá de frente pra minha mesa, ficando me olhando.

— Tua sorte é que eu sou muito fofoqueiro e não vou aguentar — Ri da cara desse sem noção e ele começou a falar.

— Mano, o nosso infiltrado na Civil disse que o delegado Antônio Matolly está arquitetando uma operação braba pra pacificar o morro e ainda de quebra te levar preso ou morto se ele conseguir.

— Como é que é? Acho que esse velho tá perdendo a noção do perigo e quer morrer na minha mão. Se bem que ele já ia morrer pelo que fez com meu coroa, só não imaginava que seria por agora. Mas enfim, já tenho um plano arquitetado pra dar uma segurada nesse velho filho da puta.

— Então fala logo.

— Sequestrar a filha dele. Mas por hora é só isso que tu precisa saber. Vai fazer a contabilidade das drogas e depois nós trocamos essa ideia.

Ele saiu da minha sala e eu fiquei aqui puto, pensando em tudo que esse velho já aprontou comigo e agora é a vez dele se foder.

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