Roubada pelo Meu Verdadeiro Companheiro

Download <Roubada pelo Meu Verdadeiro Co...> grátis!

BAIXAR

Capítulo 8 Preso

POV da Gen

O rosnado da minha loba vibrou no meu peito antes mesmo de eu reconhecer, conscientemente, a ameaça.

“Srta. Chandler.” O proprietário — Sr. Greene — entrou na luz, a fumaça do cigarro se enrolando nas bochechas caídas. “O aluguel tá vencendo.”

A coluna da Piper enrijeceu ao meu lado, mas ela conseguiu sustentar um sorriso educado que não chegava aos olhos. “Sr. Greene. Eu ia deixar amanhã de manhã.”

“Amanhã não paga as contas deste mês.” Ele sacudiu a cinza no asfalto. “Eu agradeceria se fosse agora.”

Eu vi a Piper remexer na bolsa; os movimentos dela estavam controlados, mas tensos. A loba dentro de mim andava de um lado pro outro, pelos eriçados, lendo ameaça em cada linha da postura do Greene.

Piper tirou o talão de cheques, estalando a caneta com mais força do que precisava. “O valor de sempre?”

“Sobre isso.” Greene pegou o cheque sem nem olhar, e a atenção dele escorregou para além da Piper até parar, bem em mim. O olhar dele rastejou do meu rosto até meus pés e voltou, demorando em lugares que me deram ânsia. “Essa é sua amiga, né? Notei ela entrando e saindo nos últimos dias.”

A loba rosnou. Eu pressionei a mão contra o esterno, obrigando-a a recuar.

“Ela é minha colega de quarto da faculdade, Genevieve”, Piper disse, com a voz presa. “Ela só vai ficar por um tempo enquanto procura—”

“Por um tempo.” Greene tirou do bolso do paletó um contrato de aluguel amassado e o abriu com uma lentidão calculada. “Olha só que interessante. Porque, de acordo com a Seção Sete, Cláusula Três, qualquer ocupante adicional exige reavaliação dos termos do contrato.” Ele bateu no papel com um dedo manchado de nicotina. “O que significa que o aluguel precisa ser reajustado.”

O rosto da Piper corou. “Que tipo de reajuste?”

“Quatro mil por mês. Em vez de dois mil e quinhentos.”

“Isso é absurdo! Apartamentos equivalentes por aqui custam, no máximo, três mil e duzentos!”

“Não gostou? Fica à vontade pra procurar outro lugar. Só aviso que o mercado tá bem disputado agora.”

A atenção dele voltou para mim e, dessa vez, a expressão mudou para algo que embrulhou meu estômago. “Claro, se a sua amiguinha aqui quisesse alugar separado, talvez eu tivesse outras opções disponíveis.”

Eu forcei a voz a sair firme. “Que tipo de opções?”

Greene deu um passo pra mais perto. Eu senti o cheiro dele com tudo — tabaco velho, pós-barba barato e, por baixo, o azedo de alguém que via mulheres como mercadoria.

“Uma moça sozinha precisa de considerações especiais, entende. Bem reservado.” Mais um passo. “E, pra inquilina certa — alguém disposta a ser... flexível com os acordos — o aluguel poderia ficar bem em conta.” O sorriso dele se alargou. “Porra, eu podia até isentar totalmente.”

A mão dele se estendeu na direção do meu braço.

A loba explodiu dentro de mim, inundando meu corpo com adrenalina e raiva. Eu recuei num tranco, abrindo quase um metro de distância num instante, e o som que saiu da minha garganta mal foi humano. “Não. Encosta. Em mim.”

Os olhos do Greene se arregalaram e depois se estreitaram. Algo feio cintilou no rosto dele — orgulho ferido misturado com cálculo. Mas ele levantou as duas mãos num teatro de rendição e deu um passo pra trás, soltando uma risadinha oleosa. “Só tentando ajudar, querida. A oferta continua de pé se você mudar de ideia.”

Eu me virei para a Piper, o coração martelando nas costelas. “Eu não posso ficar aqui. Vou embora hoje.”

“Gen, espera—” Piper agarrou meu braço, mas eu já estava indo em direção à entrada.

“Eu não vou deixar você pagar aluguel dobrado por minha causa.”

“Você não tem pra onde ir.”

Eu me soltei com cuidado. “Eu vou dar um jeito. Eu sempre dou.”

Atrás de nós, a voz do Greene subiu da calçada, presunçosa e satisfeita. “Pensem bem, meninas. Meu número tá no contrato.”


Quinze minutos depois, eu estava enfiando roupa na mala enquanto a Piper andava de um lado pro outro no quarto pequeno, com o celular colado na orelha.

“Não, nada nessa faixa de preço... E hotel com estadia prolongada?... Tá, obrigada.” Ela encerrou e imediatamente começou outra ligação.

Eu fechei a mala e peguei minha bolsa do notebook. “Piper. Para.”

“Tem que ter alguma coisa—”

“Eu agradeço, mas eu preciso fazer isso sozinha.” Eu consegui um sorriso que pareceu frágil. “Você já fez mais do que o suficiente.”

A gente acabou no carro da Piper, dirigindo por bairros que eu mal reconhecia. Os três primeiros hotéis não tinham vaga. O quarto falou em duzentos por noite. O quinto fez minha loba rosnar no instante em que entramos no estacionamento.

Por fim, a três milhas do apartamento da Piper, encontramos um hotel de rede, de categoria média, com janelas limpas e uma iluminação decente.

— “Um quarto, por favor”, eu disse ao atendente. “Quanto fica por noite?”

— “Oitenta dólares. Mais impostos.”

Fiz as contas rápido. Nesse ritmo, minhas economias durariam, no máximo, uns seis meses se eu tomasse cuidado.

Entreguei o cartão.


O quarto era exatamente o que eu esperava — móveis genéricos, paredes bege, quadros de paisagem comprados em atacado. Piper me ajudou a levar as malas, depois ficou parada na porta, claramente sem vontade de ir embora.

— “Eu posso ficar. Fazer companhia pra você.”

— “Eu vou ficar bem.” Eu a abracei, segurando talvez um pouco tempo demais. “Obrigada. Por tudo.”

— “Me liga se precisar de qualquer coisa. Três da manhã, não importa.”

Depois que ela foi embora, eu fiquei ali com as costas encostadas na porta, sentindo o peso do dia desabar em cima de mim. O lobo, que estava rosnando e andando de um lado pro outro desde que Greene apareceu, enfim soltou um som que não era raiva — era medo. Um medo cru, impotente, que deixou minhas pernas bambas.

Eu escorreguei até sentar no carpete áspero, abracei os joelhos e deixei o lobo uivar baixinho, lamentando.


Depois de um tempo, eu me obriguei a levantar e abri o notebook. O portal de busca de emprego carregou devagar. Eu fui até a caixa de entrada com as mãos tremendo de leve.

Quarenta e sete novas mensagens desde de manhã.

Comecei a abrir uma por uma, de forma metódica, já sabendo o que ia encontrar.

Agradecemos seu interesse na vaga de Analista Financeiro. Infelizmente, decidimos seguir com candidatos cuja experiência se alinha mais às nossas necessidades atuais.

O período em que você esteve fora do mercado levanta preocupações sobre seu nível de atualização em um setor que evolui rapidamente.

Continuei rolando. As recusas viraram um borrão. Tempo demais afastada. Habilidades desatualizadas. Candidatos melhores.

Refinei os resultados, marcando “Aceita lacunas na carreira” e “Retorno ao mercado”. A lista encolheu drasticamente. O que sobrou fez meu estômago afundar — vendedor de loja, atendente de call center, trabalho em restaurante.

Meu celular vibrou. Uma nova vaga, marcada como “contratação urgente”.

Nightshade Lounge — Recepcionista de Front Desk. US$ 1.200/semana. Moradia inclusa.

Cliquei para ver a descrição completa, e meu lobo se mexeu, inquieto.

Procura-se pessoa profissional, bem-apresentada para posição na recepção de lounge exclusivo. Horários flexíveis. Deve se sentir à vontade interagindo com clientela de alto padrão.

A redação era vaga de um jeito que fez meu instinto arrepiar. Rolei a página e encontrei uma mensagem do gestor de contratação já me esperando.

Kyle Morrison, Gerente de RH: “Sra. Marlowe, seu perfil chamou nossa atenção. Nossos clientes VIP exigem atenção especial. Se você for esperta, seus ganhos podem ultrapassar em muito o salário-base. Priorizamos a contratação de mulheres jovens e atraentes que entendam a importância da discrição.”

Embaixo: Preferência para candidatas com excelente apresentação física.

Eu encarei a tela, o sorriso oleoso de Greene se sobrepondo às palavras. Atenção especial. Mulheres jovens e atraentes.

O rosnado do lobo cresceu dentro do meu peito, subindo até parecer que minhas costelas iam rachar.

Eu digitei rápido: Esta posição não está alinhada aos meus objetivos de carreira.

Em seguida, bloqueei a conta de Kyle Morrison e denunciei o anúncio.

Minhas mãos tremiam. Fechei o notebook, fui até a janela e fiquei olhando o estacionamento. Meu reflexo me encarou de volta — cabelo loiro embolado, olheiras escuras sob os olhos azuis, uma expressão assombrada.

Peguei o celular e conferi o saldo da conta: US$ 17.621,82.

O suficiente para cerca de seis meses se eu fosse cuidadosa. Não o suficiente para escolher demais. Mas o suficiente — por muito pouco — para evitar o tipo de “oportunidade” que exigia que eu entendesse “discrição” com clientes VIP.

Eu pensei nas palavras da Piper. Você é corajosa.

Eu era? Ou eu só era teimosa demais pra admitir quando tinha sido derrotada?

Abri o notebook de novo, puxei meu currículo e comecei a revisar. Se eu tivesse que me candidatar a mais cem vagas, eu me candidataria. Se eu tivesse que aceitar um emprego fora de finanças, eu aceitaria também. Mas eu não ia negociar as partes de mim mesma que eu tinha acabado de começar a reconquistar.

O lobo se aquietou um pouco, ainda alerta, mas sem pânico.

— “A gente vai dar um jeito”, eu sussurrei. “Como sempre.”


A manhã chegou cedo demais, a luz do sol cortando a fresta da cortina e me arrancando de um sono agitado. Eu só tinha pegado no sono lá pelas três, com o notebook ainda aberto ao meu lado.

Meu telefone tocou.

Eu tateei até achar, semicerrando os olhos pra olhar a tela. O nome fez meu corpo inteiro ficar rígido.

Dominic Whitmore.

Capítulo Anterior
Próximo Capítulo