Reivindicado pelo Meu Meio-Irmão Vampiro

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Capítulo 5: Terror e traição

Ponto de vista do Chase

Eu nunca tinha corrido tão rápido na minha vida.

Minhas botas estrondavam no calçamento de pedra enquanto eu passava como um furacão pelos portões de ferro trabalhado da propriedade — os mesmos que eu já tinha achado imponentes e bonitos, como a entrada de um grande conto de fadas. Mas ali não tinha magia nenhuma. Só fantasmas. E segredos. E o eco do meu próprio coração, ameaçando rasgar meu peito, enquanto eu batia o ombro na porta da frente com força suficiente para fazer as dobradiças gritarem em protesto.

— Mãe! — eu berrei, com a voz áspera, falhando por causa do frio e do pânico que tinha subido rasgando pela minha garganta.

A porta se escancarou sob a pressão, batendo na parede e fazendo um daqueles malditos vasos antigos tremer perigosamente em cima de uma mesa ali perto. Só aquele vaso provavelmente custava mais do que tudo o que eu já tive na vida. Eu não me importava se ele se estilhaçasse em um milhão de pedaços. A casa tinha o mesmo cheiro — lavanda e lustra-móveis —, mas o ar parecia errado. Pesado.

Aquele tipo de silêncio que você sente dentro de um túmulo. Os lustres acima de mim brilhavam como estrelas mortas, e os móveis antigos de mogno, antes majestosos, agora pareciam uma prisão talhada em madeira. As paredes que antes me intrigavam com suas pinturas antigas e uma elegância silenciosa agora se fechavam ao meu redor como um caixão.

Alguns empregados se viraram ao som da minha voz, os rostos pálidos e os olhos arregalados de medo — ou era outra coisa? Culpa? Reconhecimento?

Eu não parei para perguntar.

— Onde ela está? — rosnei para a camareira mais próxima, uma mulher de meia-idade com as mãos tremendo e uma expressão que dizia que ela preferia estar em qualquer lugar, menos ali. — Onde diabos está a minha mãe?

— E-eu não sei, senhor — ela gaguejou, mas eu vi a mentira tremeluzindo por trás dos olhos dela, como luz de vela.

Eu não esperei. Eu não confiava em nenhum deles. Não depois do que eu vi.

Subi a escada de dois em dois degraus, quase escorregando uma vez na curva do patamar. O corredor comprido se estendia à minha frente como a espinha de alguma besta ancestral, ladeado por portas que levavam a segredos demais. Eu não ligava para os rangidos sob meus pés nem para a tempestade se formando lá fora, sacudindo os vitrais. Tudo o que importava era chegar até ela antes que fosse tarde demais.

Eu parei diante da porta. O quarto dele. O quarto deles. Eu não bati. Nem cheguei a pensar nisso.

Eu escancarei a porta, sem fôlego e com os olhos arregalados. — Mãe! — eu gritei, desesperado, doendo por dentro, ofegante. — A gente tem que ir! Agora! Você não entende, eles estão por toda parte, estão nesta casa — monstros, todos eles — ele mentiu pra você, todos eles mentiram —!

E então eu vi ela.

E vi ele.

Meu padrasto.

O quarto estava pouco iluminado; os tons dourados do abajur da cabeceira se espalhavam sobre os lençóis como mel derretido, lançando sombras compridas nas paredes. Minha mãe estava sentada na beira da cama, os ombros relaxados, os dedos entrelaçados nos dele. Landon. Ele mantinha os lábios pressionados no pulso dela, como se a beijasse com reverência — mas não era reverência. Não pra mim.

Meus passos devem ter assustado ele, porque, no instante em que eu entrei, ele ergueu a cabeça de supetão — e foi aí que eu vi.

Dois furinhos apagados. Marcas de presas. E um leve traço de sangue...

A pele ao redor estava um pouco inchada e avermelhada, como se ainda estivesse recente.

— Que porra é essa?! — eu explodi, avançando antes mesmo de conseguir pensar.

— Chase... — A voz da minha mãe estava suave demais, calma demais, como se ela não estivesse vendo o que eu estava vendo. Como se ela não se importasse.

Eu a agarrei pelo braço e a puxei para longe dele, longe da maldita cama, longe de qualquer transe esquisito em que ele tivesse colocado ela. — Fica longe dela, seu desgraçado doente! — eu disparei, com a voz falhando por causa do fogo que queimava na minha garganta. — O que você fez com ela?!

Landon não se mexeu. Ele nem tentou vir na nossa direção. Ele só ficou ali, sentado, parecendo mais... decepcionado do que culpado — o que fez minha pele arrepiar ainda mais.

—Chase, para com isso —implorou minha mãe, puxando de leve pra se soltar do meu aperto, mas eu não larguei. —Você tá exagerando...

—Exagerando?! Ele te mordeu! —eu me virei pra ela, com as mãos tremendo, o coração batendo tão forte que parecia querer quebrar minhas costelas. —Eu vi! Ele cravou os dentes no seu pulso! Isso não é normal, mãe! Ele é… ele é um monstro! —minha voz falhou no fim. Minha garganta doía. Meus pulmões queimavam. Parecia que o meu mundo inteiro tinha saído do eixo.

Landon finalmente se levantou, devagar e com cuidado, como se estivesse se aproximando de um bicho arisco. —Eu não machuquei ela, Chase. Eu nunca machucaria ela.

—Não fala meu nome como se me conhecesse! —eu cuspi, apertando ainda mais meus braços em volta dos ombros da minha mãe. —Fica bem longe da gente. Eu juro que, se você chegar mais perto, eu te mato.

Essa última parte escapou antes mesmo de eu perceber o que estava dizendo. Minha mãe arfou, ficando dura nos meus braços. Os olhos dela se encheram de alguma coisa entre medo e coração partido.

—Você não quer dizer isso —ela disse num sussurro, os dedos roçando no meu braço, tentando me acalmar.

—Quero, sim —eu rosnei, encarando Landon como se ele fosse um predador maldito que estava escondido na nossa casa esse tempo todo. —Você só pode ter enlouquecido se não enxerga ele pelo que ele é. Eu não sei o que é isso… algum tipo de feitiço? É isso? Ele fez alguma coisa com você, mãe? Ele colocou alguma coisa em você? Você tá pensando direito?

Foi então que ela respirou —uma respiração longa, deliberada— e saiu do meu aperto com cuidado. Eu quase estiquei a mão pra puxar ela de volta, com medo de ele atacar de novo, mas o olhar que ela me lançou travou meus músculos.

—Não tem feitiço nenhum, Chase. —A voz dela estava firme agora, sem hesitação, sem freio. —Eu sei exatamente o que eu tô fazendo. E eu amo ele.

Minha boca se abriu, mas nenhum som saiu. Um zumbido agudo atravessou meus ouvidos. —Você o quê?

—Eu amo ele —ela repetiu, com os olhos presos nos meus, como se tentasse me ancorar num lugar calmo que eu não conseguia encontrar. —E eu sei o que ele é. Eu sempre soube. Já faz um tempo.

Meu olhar voltou num estalo pra Landon. A expressão dele não tinha mudado. Impassível. Uma culpa silenciosa boiando no olhar. Mas isso não bastava.

—Você sabia? —eu engasguei, a voz subindo. —Você sabia que ele não era… humano? Você sabia o que ele era e mesmo assim ficou?! Mesmo assim deixou ele encostar em você?! Você deixou ele se alimentar de você como se você fosse… fosse uma coisa?!

—Eu não sou uma coisa —ela disse, baixinho. —E ele não se alimenta de mim. Isso não foi por fome.

—Meu Deus… —eu sussurrei, cambaleando um passo pra trás, o estômago revirando. —Você tá doida de verdade. Você pirou, mãe. Você tá sendo manipulada, ou… ou pior. —Eu olhei de novo pra Landon. —O que é isso, hein? Você e o seu filho, brincando de casinha com a minha mãe como se ela fosse a próxima refeição de vocês? O que foi que você fez com ela?!

—Ninguém fez nada com ela —disse Landon, a voz baixa e dolorosamente calma. —Ela escolheu isso. Ela sabe o que eu sou. E meu filho não tem nada a ver com isso.

Eu respirava como se tivesse corrido uma maratona. Minhas mãos tremiam. Meu peito parecia estar se esmagando por dentro.

—Ela é sua esposa. Minha mãe. E você mordeu ela.

Minha mãe veio na minha direção de novo, estendendo a mão, os olhos suplicantes. —Chase, eu sei que você tá com medo. Eu sei que isso é muita coisa. Mas eu prometo: a gente tá bem. Eu tô bem. Nada mudou—

—Mudou tudo! —eu explodi, recuando dos dois, como se o ar tivesse virado veneno. —Você não enxerga, né? Você não tá só apaixonada, mãe. Você tá em perigo. E tá cega demais pra ver.

Ela abriu a boca pra dizer alguma coisa, mas eu já não ouvia mais. Eu não aguentava ver ela assim —calma, sorrindo, satisfeita… com marcas de mordida de um monstro que ela dizia amar.

E, de algum jeito, era justamente isso que doía mais.

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