Reivindicada Pelo Bilionário

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Capítulo 5

POV DA ELIZABETH

O som das minhas roupas batendo no chão era o único ruído naquele quarto, fora isso, silencioso. Cada peça que eu dobrava parecia levar junto um pedaço de mim. A realidade da situação estava caindo sobre mim mais rápido do que eu conseguia aguentar. Eu estava deixando tudo para trás — de novo.

Eu não pertencia a este lugar, nunca pertenci. Esta casa, essas pessoas, era tudo uma fachada. Uma ilusão de pertencimento, uma mentira que eu engoli por tempo demais. Agora, enquanto eu juntava as poucas coisas que tinha, tentando ignorar o peso no peito, a última coisa de que eu precisava era mais drama. Mas eu sabia que vinha. Sempre vinha.

Eu odiava o jeito que minhas mãos tremiam enquanto eu fechava o zíper da bolsinha de viagem. Não era como se eu tivesse muita coisa para levar — algumas roupas, uns produtos de pele, e um par de tênis surrados que eu não trocava havia anos.

Eu ainda tentava entender o que tinha acabado de acontecer quando a porta se escancarou atrás de mim.

— Uau. — A voz da Jessica cortou o quarto como uma lâmina envenenada. — Nem cinco minutos e você já tá arrumando as malas que nem uma putinha comportada.

Eu não me virei. Eu me recusei a dar a ela essa satisfação.

Ela se encostou no batente, braços cruzados, o rosto retorcido naquela máscara familiar de direito e superioridade. — Você pelo menos sabe quem ele é? Ou só tá abrindo as pernas pra qualquer um com um cartão preto e um maxilar bem desenhado?

— Eu não vou entrar nisso com você, Jess — murmurei, enfiando o resto das roupas dentro da bolsa.

O salto dela estalou no assoalho de madeira enquanto ela entrava. — Você acha que é esperta? Acha que ganhou? — cuspiu ela. — Vamos ver quanto tempo dura essa sua fantasminha quando o Christian Reed descobrir que você tem um filho.

Minhas mãos congelaram.

Ela começou a me rodear, como um urubu. — Ah, não faz essa cara de surpresa. Todo mundo nesta casa maldita sabe. Você acha mesmo que um filho bastardo vai segurar um homem daqueles? Ele vai te jogar fora no segundo em que descobrir. Se é que já não jogou.

Eu me virei para ela devagar. — Por que você tá realmente com raiva? Porque ele me escolheu mesmo sabendo que era pra ser você? Ou porque, pela primeira vez, você não era a coisa mais bonita do cômodo?

Os olhos dela faiscaram. — Não se ache, Elizabeth. Você não é nada. Nunca foi pra ser nada. Ele era pra casar comigo.

— Você nem conhece ele — eu disse, com a voz baixa.

Ela deu um passo à frente, a voz tremendo de ódio. — Eu não preciso conhecer. Ele é poderoso, ele é rico, e ele era meu até você se enfiar e estragar tudo.

— Eu não estraguei nada. — Eu fechei o zíper com firmeza, como um ponto final. — Não dá pra estragar o que nunca foi real.

Ela riu, amarga. — Você acha que ele vai te amar? Construir uma vida com você e com o seu filho, caso de caridade? Você nem chega perto do tipo de mulher que ele precisa.

Algo afiado se torceu no meu peito, mas eu não deixei ela ver.

Os lábios da Jessica se curvaram num sorriso presunçoso. — Vamos só esperar e ver quanto tempo você aguenta. Porque quando ele descobrir o que você tá escondendo, não venha chorando pra cima de mim.

— Como se eu fosse — sussurrei.

A gente se encarou por um longo momento, o silêncio estalando entre nós. Então ela girou nos saltos e saiu furiosa, batendo a porta atrás de si.

Eu soltei o ar, deixando escapar o fôlego que eu nem tinha percebido que estava segurando.

Não tinha tempo pra desabar.

Eu peguei a bolsa e saí do quarto, forçando cada passo adiante como se eu não tivesse acabado de ser ameaçada pela minha própria irmã.

No pé da escada, Christian Reed estava esperando.

Alto. Impecavelmente vestido. Frio.

Ele não disse nada. Só olhou para o relógio.

— Você se atrasou.

Eu cerrei a mandíbula. — Quase nada.

O olhar dele passou por mim — sem demorar, sem gentileza. Só calculista. Como se ele estivesse checando se eu ia quebrar.

Eu não quebrei.

Ele se virou e saiu. Eu fui atrás.

Havia um Aston Martin DBS Superleggera preto, elegante, esperando na entrada. Um tipo de carro que parecia não ter nada a ver com aquela propriedade caindo aos pedaços — uma demonstração silenciosa de poder.

O motorista dele abriu a porta do passageiro e eu entrei.

Quando ele assumiu o volante, a porta se fechou com um clique suave, me selando dentro dessa nova realidade.

Nenhum de nós disse nada enquanto o carro ronronou, deu a partida e foi embora.

Eu vi a casa sumir pelo retrovisor, mas não me senti triste. Só… desligada. Como se eu já tivesse deixado aquele lugar muito tempo atrás e agora meu corpo só estivesse alcançando o resto de mim.

Depois de alguns minutos, eu finalmente falei:

— Pra onde a gente tá indo?

Ele não olhou pra mim. — Pra um lugar melhor.

— Isso não me diz nada.

Ele enfim virou o rosto, uma sobrancelha erguida. — Você vai ver.

Arrogante. Distante. Como alguém acostumado a ser obedecido sem questionar.

Meu coração batia forte, mas baixo, e meus pensamentos giravam. Eu não fazia ideia de quem aquele homem — Christian Reed — realmente era. Por que ele aceitou me comprar, ou o que esperava de mim.

E, pela primeira vez em anos, isso me apavorou.

O carro diminuiu até parar em frente a uma cobertura imensa que parecia coisa de filme — elegante, moderna e intimidante. Daniel saiu primeiro e abriu a porta do passageiro para mim.

Eu desci, meus saltos baratos, comprados em brechó, estalando no mármore da entrada.

— Me siga. — Christian disse, sem nem lançar um olhar na minha direção.

Eu fui atrás dele devagar, e a distância entre nós parecia mais emocional do que física. Na entrada, vários homens de terno escuro estavam parados como estátuas. Guardas. Segurança. Eles se curvaram levemente quando passamos, alguns murmurando cumprimentos discretos.

Ele não respondeu a nenhum.

Lá dentro, o ar tinha cheiro de madeira polida e dinheiro antigo.

Uma mulher, provavelmente na casa dos sessenta, apareceu para nos receber. Ela usava um avental preso no pescoço, o cabelo grisalho bem arrumado num coque.

— Bem-vindo de volta, meu filho.

Christian não diminuiu o passo.

— Nana — ele disse —, essa é a minha esposa. Mostre a casa pra ela e também o meu escritório. Ela tem que estar lá em uma hora.

As sobrancelhas de Nana se ergueram, num espanto contido.

— Quer que eu vá com ela?

Ele parou. Virou. E, pela primeira vez desde que chegamos, os olhos dele encontraram os meus.

Frios. Vazios. Ilegíveis.

— Não — ele disse. — Ela. Sozinha.

Meu estômago se revirou sob aquele olhar, mas eu não desviei.

— Não se atrase nem um minuto — ele acrescentou, e então se foi — desaparecendo pelo corredor.

Exatamente uma hora depois, eu estava parada do lado de fora do escritório dele. Meu coração martelava, minha mão tremia quando girei a maçaneta.

A porta rangeu ao abrir — e a cena que me recebeu quase arrancou o ar dos meus pulmões.

Christian estava sentado numa poltrona de couro, a cabeça inclinada para trás, os olhos semicerrados.

Uma mulher estava de joelhos entre as pernas dele, chupando o pau dele como se estivesse faminta — sem vergonha, sem hesitação. O som fez a bile subir pela minha garganta.

Eu soltei um suspiro engasgado.

A mulher levantou o rosto, os lábios vermelhos, brilhando.

— Quem diabos é essa vadia? — A garota se levantou, puxando as roupas para cobrir o corpo. Ela era alta e magra demais.

Christian nem piscou. Nem pareceu surpreso. Só me encarou, calmo como sempre.

— Olha a boca, Shasha — ele disse, casual, fechando o zíper da calça sem nenhuma vergonha. — Essa é a minha esposa.

Esposa?

Eu me senti enjoada. Um calor subiu pela minha garganta.

Ela riu.

— Esposa?! Ela parece—

— Sai daqui — ele cortou, frio.

— Ai, amor, mas a gente nem terminou... — ela cantou, com uma voz idiota, e eu podia vomitar a qualquer momento.

— Eu disse pra sair! — ele rosnou, levantando da poltrona. Num movimento rápido, agarrou o braço dela e a empurrou em direção à porta. Ela tropeçou e caiu com um gritinho.

Eu arregalei os olhos. Ele realmente tinha—

Antes que ela dissesse mais alguma coisa, ele bateu a porta na cara dela.

— Vai se foder! — ele cuspiu, do outro lado.

Então ele se virou para mim e acendeu a luz.

Eu conseguia ver tudo agora — o cabelo dele bagunçado, o batom borrado no pescoço e na mandíbula, a camisa meio aberta, o peito subindo e descendo como se ele não tivesse acabado de receber um boquete dois segundos atrás.

Os olhos dele encontraram os meus.

— Você não sabe bater na porta? — ele perguntou, a voz baixa e cortante.

— Desculpa — eu gaguejei.

— Você mal completou uma hora aqui e já está arrumando confusão, Elizabeth. — Do jeito que ele disse meu nome, não soou como um nome. Soou como uma ameaça. Como se ele fosse dono daquilo. Dono de mim.

Ele deu um passo à frente, lento e calculado.

— Se você vai morar na minha casa, precisa aprender a porra do seu lugar. Você está aqui por minha causa. Agora você pertence a mim. Entendeu?

Meu estômago se contraiu.

— Responde! — ele estalou.

— Sim — eu soprei, assentindo devagar.

Ele inclinou a cabeça, devagar.

— Alguma pergunta?

Eu hesitei, depois forcei as palavras para fora.

— Eu vou parar de ver... coisas assim?

— Não — ele disse, sem perder o ritmo. — Ser casado não quer dizer que eu vou parar de trazer putas pra casa. Se acostuma.

Por um segundo, o quarto girou. Um frio se instalou nos meus ossos.

Daquele momento em diante, eu soube que estava condenada.

— Eu ia explicar como esse casamento vai funcionar. Mas você estragou isso.

Ele passou por mim, o cheiro dele ficando no ar, a presença esmagadora.

— Vai embora. Eu te chamo quando eu estiver com vontade de lidar com isso.

Minhas pernas se mexeram antes da minha cabeça.

Para fora da porta, pelo corredor. Eu não sabia para onde estava indo, só sabia que precisava respirar em algum lugar bem longe dele.

Longe daquele cômodo, longe do cheiro de sexo, poder e algo pior — humilhação.

Meu coração batia nos meus ouvidos. Eu me sentia encolhendo.

Eu encontrei o quarto de hóspedes que Nana tinha me mostrado mais cedo e fechei a porta devagar atrás de mim. Eu não chorei. Eu queria. Queria me encolher e desaparecer. Mas não chorei.

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