Reivindicada Pelo Bilionário

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Capítulo 4

PONTO DE VISTA DA ELIZABETH

O silêncio no quarto era sufocante.

Eu estava sentada sozinha, vestindo um vestido de seda azul-claro que não era meu. Josephine tinha mandado ele para cima com um bilhete que dizia apenas: Pareça apresentável.

Sem explicação. Sem gentileza. Só ordens.

O cômodo era frio, estéril, como o resto desta casa. Uma das salas de estar do lado do meu pai, quase nunca usada, e ainda assim impecável. Não era um lugar para algo tão sagrado quanto um acordo de casamento.

E, ainda assim... eu estava ali.

Meu coração batia forte dentro do peito, insistente, alto. Eu não tinha feito perguntas. Eu não tinha esse direito. Meu pai deixou isso dolorosamente claro.

Jessica tinha passado a manhã inteira sorrindo, como se estivesse entrando num conto de fadas.

Claro que ela estava.

Ela ia se casar com Christian Reed — o bilionário, o intocável, o homem cujo nome sempre era dito em voz baixa.

Frio. Perigoso. Poderoso.

E eu?

Eu estava sendo entregue a Peter Johnson.

Sessenta e cinco anos. Divorciado quatro vezes.

Eu tinha pesquisado no Google na noite anterior. Cada matéria era pior do que a outra. Eu não conseguia imaginar o que me esperava nesse casamento.

Mas isso... isso não era sobre amor.

Era uma transação.

Uma transação. Eu só estava esperando o comprador.

Fechei os olhos e respirei fundo, deixando o silêncio me envolver. Talvez, se eu ficasse imóvel o bastante, o tempo desacelerasse. Talv—

A porta se abriu.

Suave. Deliberada.

Abri os olhos num sobressalto.

E então eu o vi.

Alto. Imponente. Vestido num terno preto sob medida que se moldava ao corpo dele como o próprio pecado.

A presença dele sugou o ar do cômodo.

Uma máscara de indiferença gelada repousava no rosto.

Ele não parecia ter sessenta e cinco anos.

Na verdade, não parecia em nada com as fotos de Peter Johnson que eu tinha visto. Esse homem era mais jovem, mais alto e assustadoramente calmo.

Maxilar marcado. Olhos claros. O tipo de homem que não precisava falar para comandar uma sala.

O tipo de homem a quem você não dizia não. O tipo de homem que não perguntava. Ele tomava.

Ele parou na entrada, avaliando o ambiente.

Então os olhos dele pousaram em mim.

— Harper? — a voz dele era baixa, cortante e inegavelmente irritada.

Meu fôlego travou.

Aquela única palavra me prendeu como uma armadilha.

Eu me levantei por instinto.

— Eu…

O olhar dele não vacilou.

— Eu perguntei se você é a Harper.

— Sim. — a palavra saiu antes que eu conseguisse pensar. Minha voz pareceu fraca demais no espaço entre nós.

Algo brilhou nos olhos dele. Não era calor. Era cálculo.

Ele entrou de vez, deixando a porta se fechar atrás dele.

— Você não é o que eu esperava.

Eu não soube como responder. Meu coração estava batendo forte demais para eu conseguir raciocinar.

Ele foi até a mesa sem olhar para mim de novo. Só negócios.

Como se isso fosse só mais um acordo.

Como se eu fosse só mais um nome num contrato.

Ele pegou a caneta.

— Não gosto de reuniões longas — resmungou.

— Assine.

Eu pisquei.

— Espera… eu acho que houve um engano. O senhor era para—

Ele virou a cabeça, devagar, afiado.

— Você é a filha da Harper, não é?

— Sim, mas—

— Então assine.

Eu hesitei.

Isso não estava certo.

Ele não era velho.

Ele não tinha sessenta e cinco anos. Ele não era o Peter.

Esse homem era mais jovem, mais frio, do que o homem de quem tinham me falado.

Talvez seja o assistente do Peter? Alguém aqui representando ele?

O ar parecia rarear, e meu cérebro não conseguia processar rápido o bastante o que estava acontecendo.

—Eu não tenho certeza se… —tentei de novo.

—Assina essa droga de papelada —ele disse, a voz baixa, afiada como navalha.

Engoli em seco.

As ameaças do meu pai ecoaram na minha cabeça. Se você não assinar, nunca mais vai ver seu filho.

Engoli em seco.

E assinei.

Com uma mão que não parecia minha, rabisquei meu nome na linha, selando qualquer destino que tivesse acabado de entrar por aquela porta.

Ele não disse obrigado. Não assentiu. Não piscou.

Apenas pegou os documentos, se virou e saiu pelo mesmo caminho por onde tinha vindo. Deixando-me ali, parada, num silêncio tão denso que eu mal conseguia respirar.

Continuei sentada, tentando organizar os pensamentos. Tinha sido rápido. E aterrorizante.

O que foi que acabou de acontecer?

Eu ainda estava paralisada quando a porta se escancarou.

Jessica estava ali, com o batom brilhante demais, os olhos arregalados e sem piscar.

—Que porra foi essa que aconteceu? —ela perguntou, com a voz estridente.

Pisquei.

—Do que você está falando?

—Ele saiu do seu quarto! —ela berrou.

Meu coração falhou uma batida.

—Quem?

—Christian —ela sibilou. —Christian Reed!

Por um minuto, eu fiquei imóvel. Meu mundo saiu do eixo.

—O quê…? —eu soltei, sem ar.

Os olhos da Jessica se estreitaram.

—Diz que você não fez isso.

—Não fiz o quê?

—Você assinou o contrato. Com o Christian Reed. Meu noivo.

Eu me levantei devagar, com a confusão e o pavor se enrolando no meu estômago.

Eu me senti como se tivesse levado um tapa.

Christian Reed?

Aquele era o Christian Reed?

O bilionário implacável? O que meu pai queria que a Jessica casasse?

O homem que tinha acabado de latir ordens para mim como se eu fosse um cachorro de rua?

—Aquele não era o Peter Johnson? —perguntei, as palavras mal saindo.

Jessica riu, mas foi um riso amargo e cortante.

—Você acha que um homem daquele ia se chamar Peter?

Senti o sangue sumir do meu rosto.

—Eu achei que ele fosse outra pessoa —sussurrei.

—Um assistente. Ele nem se apresentou! Só falou “Harper” e mandou eu assinar.

Jessica deu meia-volta e saiu pisando duro.

Segundos depois, ouvi vozes altas, furiosas, vindo do corredor.

—O que está acontecendo? —a voz do meu pai, trovejante e irritada.

—Ela assinou o contrato com o Christian!

Jessica gritou:

—Ela roubou ele de mim!

—Eu juro que eu não…! —comecei, saindo para o corredor.

Christian estava ali, de braços cruzados, completamente indiferente ao caos.

O Sr. Harper olhou de um para o outro, os olhos se estreitando.

—Que história é essa?

A voz do Christian veio calma. Perigosa.

—Você me disse que tinha uma filha.

—Houve um engano —meu pai disse depressa, tentando se recompor. —Christian, a gente pode consertar isso…

—Eu não faço enganos —Christian cortou, num tom mais frio que gelo.

—E, com certeza, eu não refaço contratos.

Jessica arfou.

—Você ainda vai casar com ela? Ela nem é bonita!

Ele olhou para ela como se ela não significasse nada.

—Eu já casei.

Meu fôlego travou.

Isso não podia ser real. Tudo parecia um delírio febril.

—Mas ela não era pra você!

—Agora é.

E, com isso, ele se virou para mim.

—Você. Arruma suas coisas. Você vem comigo.

Minha boca abriu. Fechou.

Ninguém disse uma palavra.

Jessica parecia prestes a explodir.

O Sr. Harper parecia que tinha engolido veneno.

E eu?

Eu senti como se tivesse acabado de vender minha alma a um estranho com uma máscara preta e uma voz de lâmina.

—Agora! —Eu estremeci. Eu me virei e fui embora.

Porque que escolha eu tinha?

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