Reivindicada Pelo Bilionário

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Capítulo 3

PONTO DE VISTA DA ELIZABETH

Quatro anos.

Era esse o tempo que eu estava fora.

Quatro anos desde que meu pai me expulsou como se eu fosse lixo — grávida, desonrada, uma mancha na reputação dele.

Quatro anos desde que eu parei de fingir que tinha uma família de verdade.

E, mesmo assim, lá estava eu.

Os portões da propriedade dos Harper se erguiam à minha frente, de ferro preto, retorcido como as costelas de um esqueleto. Frios, orgulhosos, exatamente como o homem que me criou. Um lugar para o qual eu jurei que nunca voltaria — e, ainda assim, eu tinha voltado, porque ele chamou.

— Talvez ele finalmente esteja pronto para ser pai — a vovó disse quando ele ligou para ela, com a voz cheia de uma esperança que eu não compartilhava.

Eu sabia mais do que isso.

Se Robert Harper estava me procurando depois de quatro anos, não era o amor me chamando de volta. Era poder. Controle. Vantagem.

E eu estava certa.

Uma empregada atendeu a porta como se eu fosse uma visita indesejada. Não uma filha. Não família.

Eu entrei no mesmo saguão de mármore gelado e polido. Os lustres ainda brilhavam como se fossem de um palácio. O silêncio pesava, como sempre, carregado de julgamento. Aquele lugar nunca tinha parecido um lar. Nunca ia parecer.

— Senhorita Harper — disse a empregada, rígida, indicando a sala de estar.

Eu entrei.

Eles estavam lá — meu pai, Jessica e Josephine. O retrato de uma família perfeita. Rica, bonita e vazia.

Jessica levantou os olhos do celular e revirou os olhos.

— Ela continua loira — disse por entre dentes, mas alto o bastante.

Eu segurei o riso. Quatro anos, e ela ainda era obcecada com a cor do meu cabelo.

Josephine nem olhou para mim.

— Sente-se — meu pai disse.

Nenhuma saudação. Nenhum “bem-vinda”. Só uma ordem.

Eu me sentei.

Ele se inclinou para a frente, com os dedos unidos, a expressão indecifrável. — Não vamos fingir que isso aqui é um reencontro. Eu tomei decisões a respeito de você e da Jessica. Decisões finais.

Jessica endireitou a postura, os olhos brilhando de repente, interessada.

— Estou sob uma pressão financeira considerável — ele continuou, como se estivéssemos falando de ações na bolsa e não das nossas vidas.

— Não é permanente, mas, nos negócios, o timing é tudo, e eu preciso de aliados poderosos.

A voz dele era cortante. Seca.

— Eu arranjei casamentos para vocês duas.

O silêncio caiu como uma bomba.

Jessica piscou. — Como assim… o quê?

— Você ouviu. As duas vão se casar. Os contratos já foram assinados em princípio, e o acordo final será fechado amanhã.

Meu coração parou. — Amanhã?

Ele não piscou. — Cada uma vai ficar em um quarto separado. Os homens não sabem que eu tenho duas filhas. Vamos manter isso em sigilo até tudo estar feito.

Jessica parecia prestes a chorar — de alegria.

— Jessica, você vai se casar com Christian Reed — ele anunciou.

Jessica puxou o ar, a boca se abrindo. — Christian Reed? Você está falando sério?

Ela se virou para Josephine. — Mãe, meu Deus! Christian Reed!

Josephine finalmente sorriu. “Ele aceitou semana passada.”

Jessica deu um gritinho — de verdade — e bateu palmas como uma criança na manhã de Natal. “Eu vou ser a senhora Christian Reed.”

Eu fiquei paralisada.

Christian Reed. Eu já tinha ouvido esse nome. Todo mundo já. O bilionário. Jovem, poderoso, implacável. E lindo, se as revistas de fofoca estivessem falando a verdade.

Meu coração afundou — não de ciúme, mas de confusão.

Por que me chamar de volta só pra esfregar isso na minha cara?

Jessica deu uma risadinha ao meu lado. “Até que enfim! Um marido que esteja à altura do meu valor.”

Meu estômago revirou.

“E você”, disse meu pai, voltando os olhos pra mim como se eu fosse um incômodo que ele precisava resolver, “vai se casar com Peter Johnson.”

As palavras pareceram gelo.

Jessica parou na hora. “Pera. Peter? Tipo Peter Johnson, o CEO de sessenta e cinco anos?”

Meu pai assentiu. “Sim.”

“Credo”, Jessica murmurou, quase sem voz.

Eu encontrei minha voz. Por pouco. “Ele é… velho.”

Os olhos do meu pai se estreitaram. “Ele é rico. Concordou em quitar uma parte das minhas dívidas se você casar com ele.”

“Uma parte?”

Ele me ignorou.

“Vocês vão conhecer seus respectivos maridos amanhã”, ele disse, como se a gente fosse item de lista. “Em quartos separados. Nada de confusão. Eu espero cooperação total.”

Jessica riu. “Foi por isso que você chamou ela de volta? Pra casar ela com o Vovô Johnson enquanto eu fico com o príncipe?”

Josephine não disse uma palavra.

Eu me levantei. “Você tá me vendendo por dinheiro.”

“Você se vendeu quando abriu as pernas e engravidou”, ele retrucou.

Meu ar travou.

Jessica sorriu de canto, vitoriosa.

“Você humilhou esta família. Você me deve.”

“Eu não vou me casar com um velho—”

“Se não fizer isso”, ele disse, levantando também, “você nunca mais vai ver a sua filha.”

Silêncio. Denso. Sufocante.

Eu não conseguia respirar.

“Seu desgraçado”, eu sussurrei.

Ele deu um passo mais perto. “Cuidado com a língua, Elizabeth. Ou eu te enterro tão fundo que ninguém vai lembrar que você existiu.”

Eu cerrei os punhos. “Por que você não chamou a Jessica de volta pra casar com ele?”

Ele sorriu, cruel e gelado. “Porque ela é valiosa. Você é… descartável.”

Minha garganta queimou. Mas eu não chorei.

“Você vai fazer isso. Vai assinar o contrato. E vai ser invisível até tudo acabar.”

Eu encarei ele, atônita. “Invisível?”

Ele assentiu. “Nada de aparecer no jantar. Nada de conversa desnecessária. E amanhã, nada de showzinho. Ele entra. Você assina. Você sai. Tá claro?”

Eu assenti devagar.

Ele virou as costas pra mim como se eu já tivesse sumido. “Peter chega às dez. Christian, às onze. Os quartos vão estar prontos. Espero que você esteja vestida e calada.”

Jessica abriu um sorriso como se tivesse ganhado algum jogo doentio. “Você vai ser sempre a segunda opção, Lizzy.”

Eu saí antes de desabar.

Eu não chorei.

Eu não gritei.

Mas por dentro — eu me estilhaçei.

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