Capítulo 7
Myla choramingou baixinho enquanto dormia. No sonho, ela estava deitada de barriga para cima, com os olhos vendados, e então sentiu dois pares de mãos grandes e ásperas e lábios deslizando pelo corpo dela, acariciando, provocando e beijando.
Alguém puxou os mamilos dela, dedos trabalhando com habilidade, enquanto uma língua quente brincava com o outro. Outra mão escorregou entre as coxas dela, os dedos mergulhando no calor úmido, enquanto outra a segurava pelo quadril, mantendo-a imóvel. A boca de Myla se abriu num gemido sem fôlego.
Ela arqueou quando sentiu: um pau grosso e duro pressionando a entrada dela, depois entrando devagar, fundo.
O corpo inteiro dela tremeu. “Ai, meu Deus, isso... mais fundo”, ela gemeu, as pernas se abrindo ainda mais no sonho.
Beck congelou; os gemidos baixos dela fizeram o pau dele dar um solavanco.
Ele e Jared só estavam tentando vestir nela uma das camisetas enormes de Hayden pra ela ficar mais confortável. Mas no instante em que as coxas dela se abriram e ela gemeu, os dois travaram.
Os olhos dela ainda estavam fechados, as bochechas coradas, os mamilos duros e os lábios entreabertos. O corpo nu de Myla brilhava de leve sob a luz fraca do quarto principal. Ela estava sonhando e, pelo jeito... era um sonho bom pra caramba.
“Jesus”, Beck sussurrou, a voz rouca. Ele levou a mão pra baixo e pressionou a palma contra o pau, tentando aliviar a dor latejante. “Olha ela...”
A mandíbula de Jared se contraiu quando o pau dele endureceu e pressionou atrás do zíper, como se procurasse um jeito de escapar. O olhar, escuro e faminto. “Ela é perfeita.”
“Caralho, é isso que você vinha escondendo”, Beck murmurou, passando a mão pela pele macia do braço dela.
Ele se virou para Hayden, o olhar afiado e furioso. “E você tem negligenciado ela. Você ouviu o jeito que ela falou que achava que você não amava mais ela?” Ele rosnou, tentando manter a voz baixa. “Você tem punido ela, deixando ela presa nesse silêncio frio como se ela tivesse feito alguma coisa errada.”
Hayden estava do outro lado do quarto, sentado na cadeira, os punhos cerrados. “Eu não estou punindo ela”, ele disse, baixo. “Você sabe com o que eu tenho lidado—”
Beck revirou os olhos. “Ah, por favor, me poupa do dramalhão. Já faz dois anos, supera—”
Jared lançou um olhar duro pra ele e o interrompeu, a voz baixa e calma. “A sua Myla doce, toda carinhosa, que te adora pra caralho... e ela tá sofrendo, Hayden.” A voz dele suavizou. “Eu sei que, com a sua disfunção, você sente que não é um homem de verdade, que não merece ela, mas eu lembro quando a gente ainda tava junto: você vivia pra dar prazer. Você deixou o acidente matar essa parte de você também?”
Hayden olhou para Myla. O olhar dele amoleceu. “Meu Deus... ele sentia tanta falta dela.”
Jared foi até ele e pousou uma mão no ombro dele, e os dois ficaram olhando para ela com olhos cheios de adoração. “Você sempre foi egoísta com ela... nem deixava a gente chegar perto quando você sabia que a gente tam—”
Um farfalhar suave os interrompeu.
Myla se mexeu, e os olhos dela se abriram, piscando, ainda grogue. Ela congelou, o olhar alternando entre os rostos tensos deles. “Tá tudo bem?”
Então ela notou que estava nua e puxou rápido o lençol para cobrir os seios, enquanto Jared e Beck corriam até ela, empilhavam travesseiros contra a cabeceira e ajudavam Myla a se sentar.
“Amor, você deixou a gente muito preocupado. Tá doendo?” Hayden disse, manobrando a cadeira de rodas até a cama, encarando os olhos dela com ansiedade, enquanto Jared e Beck ficavam por perto.
“Agora não, mas eu preciso ir ao banheiro e, do nada, eu tô morrendo de fome. Só que o banheiro é prioridade máxima. Então, se vocês me derem um pouco de privacidade, eu agradeço.”
Myla mal tinha conseguido virar as pernas para o lado da cama quando Beck apareceu num movimento rápido, jogou o lençol de lado, pegou ela no colo, pelada mesmo, levou Myla até o banheiro e a colocou sentada no vaso.
Os protestos indignados dela não adiantaram nada.
“Vai ser assim pelas próximas vinte e quatro horas. Você não vai levantar sozinha, principalmente se estiver com tontura.”
“Cai fora daqui”, Myla rosnou, pegando um frasco e arremessando nele. “Agora.”
Beck riu e fechou a porta depressa. O frasco bateu na porta com um baque e saiu rolando.
Ele se virou para Hayden, ficando sério. “Você tem que ficar bem atento, porque ela já teve uma concussão feia antes. A gente não sabe quando a tontura pode piorar.”
“Ela já teve concussão antes?” Hayden perguntou, claramente abalado.
— Sim, foi há mais ou menos um ano, quando você começou a se trancar na ala oeste. Ela saiu pra caminhar depois que nevou. Acho que estava distraída, escorregou numa placa de gelo, caiu e bateu a cabeça numa pedra. — Beck respondeu, frio. — Ela conseguiu me ligar antes de apagar. Eu já estava a caminho da propriedade, então deu pra chegar antes que ela perdesse muito sangue ou morresse de frio.
Hayden fulminou Beck com o olhar e sussurrou, quase gritando:
— Por que diabos eu só estou ouvindo isso agora?
Beck arqueou uma sobrancelha.
— Eu te liguei, mas você não atendeu nem retornou. E quando a gente voltou do hospital, ela me implorou pra não te contar, porque não queria te incomodar — respondeu, num tom seco. — Você mora com ela. Como é que você não reparou que a sua esposa ficou mais de uma semana com um curativo na cabeça?
O rosto de Hayden ficou duro, impassível. Ele se virou, ignorando a pergunta de Beck.
— É melhor você ir ver o Jared.
Beck encarou Hayden, pensativo, por um momento. Depois balançou a cabeça e foi procurar Jared.
Depois de um tempo, Myla saiu do banheiro com uma aparência mais descansada, mais desperta.
— Anda, Myla. Você sabe que não precisa ficar com vergonha do Jared e do Beck terem te visto pelada — disse Hayden, ao notar o olhar atravessado dela.
Ela se sentou perto do pé da cama, de costas para a porta.
— Ah, eu sei disso, Hayden. Eles não têm interesse em mim desse jeito.
— Ah é? Tem certeza? Porque os dois estavam com uma ereção bem considerável antes de saírem — provocou Hayden, com um sorriso malicioso.
— Hayden, eu te garanto que aquelas ereções definitivamente não eram por minha causa. Sério, Hayden! Por favor, acredita em mim. Nenhum dos dois nunca fez nem o menor movimento impróprio comigo.
— Eu sei. Mas você sabe que os dois te amam, né?
Myla o interrompeu, ainda defendendo os amigos dele:
— Bom, eu tenho certeza de que eles me amam como amiga, mas com certeza não é uma coisa sexual.
— E como você pode ter tanta certeza?
— Por favor, não me faça dizer algo que eu não tenho certeza se eles já estão prontos pra te contar.
Hayden olhou para ela, confuso.
— Me contar o quê?
— Eu acredito que ela esteja se referindo ao fato de que nós gostamos de homens, Hayden — disse Beck, entrando no quarto com Jared. — A Myla me viu com o Jared na piscina algumas semanas atrás. Viu, não viu, Myla?
O rosto dela ficou vermelho na hora.
— Eu não sabia que vocês tinham me visto.
— Desculpa se a gente te chocou ou te enojou. É que, quando a gente percebeu que você estava lá, parece que não conseguiu parar — disse Beck.
— Me enojar? Meu Deus, eu não conseguia tirar os olhos de vocês dois. Foi uma das coisas mais excitantes que eu já vi.
Ela se virou de novo para Hayden.
— Eles são gays. Você sabia?
Hayden sorriu e beijou a palma da mão dela.
— Sim, meu amor, mas mais pra bi.
Houve algo no olhar dele que a fez hesitar, e então a ficha caiu com força. Ela perguntou, numa voz pequena:
— Então o Scott não estava mentindo…
Os três homens trocaram olhares tensos, preocupados.
— Me desculpa, meu amor. Eu devia ter te contado antes — disse Hayden, baixo. Ele se aproximou mais da cama, parando na beirada. — Não era só “compartilhar” — continuou. — Beck, Jared e eu… nós fomos amantes. Muito antes de você sequer me conhecer.
A respiração de Myla travou. Traição e tesão brigando dentro dela. Traição porque, nos cinco anos de relacionamento, ele não tinha contado; e tesão porque a imagem dos três juntos era a coisa mais gostosa que ela conseguia imaginar.
— Não, Myla. Por favor, meu amor, não olha pra mim desse jeito. Nós três não somos amantes desde que eu te conheci e me apaixonei por você.
O silêncio se estendeu entre eles. O coração de Myla batia forte no peito.
— E você não confiou em mim o suficiente pra me contar tudo isso esse tempo todo.
Hayden estendeu a mão e segurou as mãos dela.
— Eu deixei essa parte de mim pra trás porque eu tinha medo de você me julgar e ir embora. Eu não podia correr esse risco.
— Ele falou como se fosse um segredinho sujo, mas não era. A gente se amava do nosso jeito. E ainda ama — disse Beck, baixinho; o olhar dele passou por Hayden e Jared antes de parar nela. — Um vínculo desse tipo… nunca morre de verdade.
Jared franziu a testa de leve para Beck. Depois se virou para Myla.
— Mas a gente escolheu respeitar a vontade dele porque viu o quanto ele te amava. Não vou mentir: a gente te quis muito, mas a felicidade do Hayden era mais importante.
Os lábios de Myla se abriram, mas nenhuma palavra saiu.
A voz de Hayden baixou, crua, quase um sussurro.
— E agora, depois de tudo… depois do acidente, do jeito que eu tenho te tratado… se você quiser eles, Myla — se você precisar do que eu não consigo te dar, eu não vou te impedir.
Ela encarou Hayden, olhos arregalados.
— Você é minha esposa — ele disse. — Mas você também é uma mulher. E eu prefiro te ver tocada por mãos que eu sei que te amam do que te ver murchar devagar, esperando por algo que talvez eu nunca mais consiga te dar.
