Reclamada pelo Marido Dela e Seus Melhores Amigos

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Capítulo 5

Myla ficou encarando ele, sem acreditar, por alguns segundos. Depois, deu um sorriso de deboche. “De onde você tirou um boato tão ridículo? Primeiro você é um golpista, agora virou fofoqueiro?” Ela riu na cara dele e continuou: “Você é patético, e nossos advogados vão entrar em contato com você em breve. Pra você, acabou. Agora sai daqui.”

— Sai da minha frente, sua vadia. — Ele tentou empurrar Myla para trás com brutalidade ao passar por ela, acertando de propósito uma cotovelada no estômago dela.

Myla puxou o ar, ofegante, e revidou com um soco forte. Scott cambaleou para trás e tropeçou na cadeira que tinha caído. Ele se jogou para a frente, tentando recuperar o equilíbrio, e caiu com tudo em cima dela, derrubando-a no chão. A cabeça dela bateu com força no piso de mármore, e o som ecoou pela sala.

O berro de fúria de Hayden tomou o ambiente.

Jared saltou por cima da mesa de reunião e arrancou Scott de cima dela com violência. Beck já estava ao lado de Myla, examinando-a, quando Hayden se aproximou rolando a cadeira.

Depois de colocar Scott de pé, Jared enfiou o punho no meio da barriga dele. O golpe jogou Scott contra a parede; ele escorregou até o chão, vomitando em cima de si mesmo e gemendo enquanto segurava o estômago.

Myla gemeu baixinho e tentou se levantar, mas Beck a manteve no chão com cuidado.

— Vai com calma, Myla. Você bateu a cabeça com muita força.

A visão de Myla ficou turva; ela soltou uma risada fraca, mas não tentou se levantar de novo.

— Jared! — Beck gritou ao ver que ele se preparava para bater em Scott outra vez. — Não gasta energia com esse lixo. Pode demorar até a ambulância chegar; a gente precisa levar ela pro hospital. Você sabe como ferimento na cabeça é traiçoeiro, e eu não estou gostando nada desse olhar perdido dela agora.

Hayden encarou Scott com frieza e então levantou os olhos para os rostos atônitos de quem ainda estava ao redor da mesa.

— Reunião encerrada! Alguém tira esse desgraçado da minha frente. Por mim, ele que apodreça no próprio carro até o guincho aparecer e tirar aquela porcaria daqui. Anna, eu te ligo amanhã. Quero que tome as medidas legais pra calar essa boca imunda dele.

— Tá bom, chefe. Estou certa em presumir que você também vai tirar sua carteira de investimentos da empresa dele? — Anna perguntou, com um ar satisfeito.

— Imediatamente. Obrigado por me lembrar.

— Hayden — Carter falou com cuidado, enquanto Jared pegava Myla no colo com delicadeza. — Acho que o Scott não quis machucar a Myla de propósito.

— Eu não sei, Carter; pra mim pareceu que ele tentou empurrar a Myla do jeito mais bruto possível, e ele tem uma reputação péssima de agredir fisicamente as mulheres com quem se envolveu no passado. Acho que ele não mudou.

Carter assentiu, entendendo.

Hayden se virou para Scott, que gemia, tremendo.

— Todos esses anos eu ignorei o jeito depreciativo como você fala com mulheres e o seu alcoolismo, mas você passou dos limites quando teve a audácia de ferir minha esposa. Eu vou acabar com você. — Ele rosnou. Em seguida, foi atrás de Jared, que carregava Myla para fora, com Beck logo atrás.


Jared colocou Myla nos braços de Beck, entrou na SUV e então Beck a acomodou de volta nos braços dele com cuidado. Ela se encolheu instintivamente no colo dele enquanto ele a embalava como se fosse de vidro.

Hayden entrou rolando e travou na posição, sem tirar os olhos do rosto dela. Beck deslizou para o banco do passageiro da frente, ao lado do motorista, e deu uma ordem seca para seguir.

O carro arrancou.

Lá dentro, o ar ficou pesado de preocupação.

Jared olhou para ela, afastando com carinho o cabelo da testa úmida. Os olhos dela estavam sem foco, a respiração era curta, e ela ficava murmurando coisas aleatórias entre os lábios.

Ela piscou devagar, os lábios se abrindo como se fosse falar. Mas as palavras saíram arrastadas.

— Não... leva...

— Myla, não leva o quê? — ele perguntou, inclinando-se para ouvir melhor.

— Não... pro Hosp... Crest... — ela murmurou, quase num sussurro.

— É o mais perto, meu amor — Jared disse baixo, finalmente entendendo.

A testa dela se franziu. Ela choramingou, um som suave, infantil.

— Não... não, lá não... muita lembrança ruim... não quero ir...

Jared ergueu o olhar, os olhos indo instintivamente para o retrovisor, onde encontrou o olhar preocupado de Beck. Era o mesmo lugar para onde Hayden tinha sido levado às pressas depois do acidente.

Então ela começou a se debater de leve, ainda murmurando, Não... não, entre os lábios.

— Tá tudo bem — disse Hayden, baixo, a voz quente e calma. — A gente não vai pra lá, meu amor. Vamos pra outro lugar.

— Tá... — ela soltou o ar. Em seguida, começou a cantarolar uma melodia quebrada, quase imperceptível.

Hayden soltou um suspiro preocupado. — Ela tá ficando cada vez mais fora de si. — Olhou para o motorista. — Steve, direto pro Santa Verônica. Já mandei mensagem pro médico avisando que estamos chegando. Pisa. — Ele falou com aspereza, enquanto estendia a mão e acariciava o cabelo dela.

Ela se inclinou para o carinho e, de repente, virou o rosto na direção dele, pegando-o de surpresa; Jared se ajeitou rápido para sustentar melhor a cabeça dela.

— Você tá encostando em mim... — ela sussurrou, como se estivesse admirada. Então deu a ele um sorriso sonolento. — Faz tanto tempo que você não me toca e não me olha assim...

Ela piscou devagar, os olhos vidrados. — Eu achei que você não me amava mais.

A respiração de Hayden travou. As palavras o atingiram como uma faca no estômago. Ele engoliu em seco, abriu a boca para falar—

Mas os olhos dela reviraram, e ela desabou mais fundo contra o peito de Jared.

— Myla! — Jared entrou em pânico, batendo de leve na bochecha dela várias vezes. — Ei... ei... vamos, querida, abre os olhos—

— Eu senti um galo na cabeça dela; garante que ela não durma — disse Hayden, em pânico.

Um instante depois, os olhos dela tremularam e se abriram.

Ela piscou devagar, atordoada. Jared soltou um suspiro pesado de alívio.

— Só tenta ficar acordada, meu amor — ele murmurou, encostando o rosto no cabelo dela. — A gente já tá chegando.

Ela fez um som baixinho e se encolheu ainda mais nele.

Quando eles chegaram à clínica, duas enfermeiras já esperavam com uma maca. Jared a colocou nela, e os três assistiram, sombrios, enquanto a levavam pelo corredor.

Hayden ficou imóvel, na cadeira perto das janelas altas, encarando o chão branco e estéril. Beck se apoiou na parede, enquanto Jared andava de um lado para o outro.

As palavras dela ecoavam sem parar na cabeça de Hayden: “Eu achei que você não me amava mais.”

Ele fechou os olhos, o peito se apertando com dor.

Depois do acidente, tudo tinha mudado. Meses de dor, médicos diferentes, especialistas, cirurgias longas — e noites longas, sem dormir, numa cama de hospital, sem conseguir se mexer. Ele achou que conhecia a devastação quando o médico disse que ele nunca mais andaria. Mas o pior veio quando descobriu que era impotente.

Naquele dia, alguma coisa dentro dele rachou e sangrou até secar. A batida não tinha quebrado só o corpo; tinha arrancado dele o que o fazia se sentir homem.

Ele sempre amou Myla com tudo o que era; um ano de namoro e dois de casamento tinham sido um paraíso. A vida sexual deles era intensa, selvagem, consumidora. Ele costumava pegá-la contra a parede, incliná-la sobre a bancada da cozinha, acordá-la com a boca entre as coxas dela.

E, de repente... ele não conseguia ficar de pé nem andar... não conseguia nem ter uma ereção.

Então o que ainda restava para oferecer a ela?

Ele ficou amargo... com raiva. Se odiava por precisar de ajuda para fazer coisas básicas; o conforto e o cuidado dela pareciam pena. Era como se ele a estivesse vendo tentar amar um fantasma.

Começou a se afastar, preso dentro da própria cabeça. Até Jared e Beck já tinham confrontado ele mais de uma vez, mandando parar de empurrar Myla para longe.

Mas ele não sabia como encarar Myla sem se sentir um fracasso inútil.

Ele achou que estava poupando Myla do peso em que ele tinha se transformado.

Agora ele via a verdade. Todo aquele tempo, ela também estava sofrendo. E a “misericórdia” dele fez ela acreditar que ele não a amava mais.

Ele passou a mão pela boca, a garganta doendo enquanto olhava pela janela.

Mas havia uma coisa que nenhum deles sabia, uma coisa que ele nunca tinha contado a ninguém.

Ele se lembrava com nitidez demais de um detalhe do atropelamento e fuga. Segundos antes de o motorista mascarado acertá-lo, ele tinha piscado e feito uma continência para Hayden.

A batida não foi acidente. Foi uma tentativa de assassinato.

E, com as últimas evidências que ele tinha conseguido recentemente, parecia que eles ainda não tinham terminado.

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