Capítulo 3
Flashback
Ela estava vestida para o trabalho, com uma saia lápis, blusa de seda e salto alto.
Hayden soltou um assobio de admiração. “Caralho… quem foi o sortudo que conseguiu fisgar uma dessas?” ele murmurou, enquanto agarrava e apertava a bunda dela.
Ela deu uma risadinha, afastando as mãos dele com um tapa brincalhão. “Se comporta; hoje eu preciso chegar no trabalho na hora.”
Ele rosnou e puxou ela para os braços. A voz, grossa e rouca de desejo. “Você sabe que eu amo quando você se veste toda poderosa, empresária sexy.” Ele se inclinou e mordeu o lóbulo da orelha dela, depois chupou de leve. “Toda essa elegância… e é minha pra desembrulhar.”
Os joelhos dela bambearam, e o clitóris pulsou em resposta. Antes que ela conseguisse dizer qualquer coisa, ele a girou, levantou a saia dela e a ergueu até colocá-la em cima do aparador do hall de entrada, fazendo-a soltar um suspiro ofegante de surpresa.
As mãos dele puxaram a calcinha dela para baixo num movimento só e, então, ele já estava de joelhos, devorando-a. “Myla…”, ele gemeu contra as dobras dela. “…sempre tão molhada pra mim.”
Ela agarrou a borda do aparador, tremendo enquanto mantinha as coxas abertas; a língua dele roçou e então sugou com força o clitóris dela, antes de provocar a entrada com lambidas lentas. Depois ele enfiou dois dedos, curvou-os e acertou em cheio o ponto dela, ao mesmo tempo em que chupava o clitóris com força.
Ela soltou um gemido baixo quando o orgasmo a atravessou, rápido e intenso, deixando-a ofegante e trêmula.
Ele gemeu e continuou sugando o clitóris dela como se estivesse provando o néctar mais doce, absorvendo cada espasmo e cada umidade. Quando ela se acalmou um pouco, ele abriu a gaveta, pegou lenços umedecidos, limpou-a com delicadeza, colocou-a de volta de pé e então puxou a calcinha dela para cima.
Ele a beijou fundo, deixando que ela sentisse o próprio gosto na língua dele, enquanto ajeitava a roupa dela como se nada tivesse acontecido.
Ele soltou os lábios dela e sorriu para o rosto atordoado. “Tenha um bom dia no trabalho”, disse baixinho.
Então deu mais um selinho suave, deu um tapinha brincalhão na bunda dela e foi embora assobiando, como se fosse a coisa mais normal do mundo.
Ela estava no trabalho havia quatro horas quando o celular pessoal dela, em cima da mesa, tocou.
Myla encarou o número desconhecido na tela. Então atendeu devagar. “Alô?”
“É a senhora Oakley?”, perguntou uma voz masculina séria.
O peito dela apertou, tomado por um mal-estar. “Sim… Quem está falando?”
“Aqui é o policial Barnes, da Polícia de Lexton. A senhora conhece um senhor Hayden Oakley?”
Myla endireitou a coluna, e a voz dela ficou mais baixa. “Sim… eu sou a esposa dele. Está tudo bem?”
O policial disse, sombrio: “Senhora, eu preciso que a senhora vá imediatamente ao Hospital Geral Mercycrest. Seu marido acabou de dar entrada aqui. Ele se envolveu num acidente de trânsito grave.”
Tudo dentro dela congelou.
A boca dela se abriu, mas nenhum som saiu.
“Senhora?”
“Eu—” Ela piscou. “Eu já estou indo.”
Ela encerrou a ligação; o coração trovejava enquanto ela pegava a bolsa e saiu correndo, descalça, esquecendo os sapatos, para fora do escritório.
A recepcionista dela ergueu a cabeça, alarmada, quando Myla passou disparada, pálida. “Senhora… está tudo b—”
Mas Myla já estava no corredor, descendo as escadas correndo. Ignorando os chamados atrás dela. Ela atravessou as portas do prédio, destravou o carro e se jogou no banco do motorista com as mãos tremendo.
Ela não conseguia pensar nem respirar.
O peito subia e descia em pânico enquanto o carro saiu cantando pneu do estacionamento. “Deus, por favor…”, ela sussurrou, de novo e de novo, apertando o volante com força. “Deus, por favor… eu não posso perder ele”, implorou, desesperada, para qualquer divindade que conseguisse ouvir—com as lágrimas cegando sua visão.
O hospital surgiu à frente e ela entrou no estacionamento com um guincho de pneus, saltando do carro sem nem se dar ao trabalho de fechar a porta.
Lá dentro, a enfermeira da recepção ergueu os olhos quando Myla entrou correndo, com o rosto tomado de desespero.
“Eu estou aqui…”, ela ofegou. “…pelo Hayden Oakley… disseram… disseram que ele acabou de dar entrada por causa de um acidente.”
Os olhos da enfermeira se arregalaram um pouco, em reconhecimento; em seguida, a compaixão apareceu por trás do olhar. Ela assentiu, conferindo o computador à sua frente.
“Sim, senhora, mas ele ainda está na cirurgia. Pode demorar um pouco.”
“Um pouco?”, Myla engasgou. “Ele vai ficar bem?”
Antes que a enfermeira pudesse responder, uma voz falou, suave: “Senhora Oakley?”
Myla se virou num sobressalto.
Dois policiais uniformizados se aproximaram, o olhar gentil apesar da expressão séria.
Myla correu até eles. “S… sim, eu sou Myla Oakley. Sou eu. Ele… o que aconteceu?”
Eles a conduziram com cuidado até uma cadeira ali perto.
Ela se sentou devagar, tremendo.
Um dos policiais se agachou para ficar na altura dela. “Seu marido foi vítima de atropelamento com fuga. Foi… foi feio, senhora.”
O corpo de Myla ficou gelado, e o tremor piorou.
— Testemunhas disseram que ele parou para comprar flores de um vendedor à beira da estrada quando um carro em alta velocidade o atingiu. Infelizmente, o vendedor não resistiu, mas, por algum milagre, seu marido sobreviveu. A equipe de emergência ficou em choque quando descobriu que ele ainda estava vivo.
Ela olhou para eles, entorpecida, com as lágrimas escorrendo livremente agora.
— Ainda não sabemos a extensão total — acrescentou o segundo policial. — Mas ele está em estado crítico.
Em seguida, fizeram as perguntas de praxe.
Ela respondeu a todas, atordoada.
Quando eles começaram a ir embora, um deles parou e se virou para ela.
— Se você tiver alguém para ligar e ficar com você — disse com gentileza —, ligue.
As mãos dela tremiam quando pegou o celular. Só duas pessoas lhe vieram à cabeça: os melhores amigos do marido.
Ela ligou para Beck.
Ele atendeu depois de dois toques.
— Myla?
Soluços sacudiram o corpo dela enquanto ela engasgava as palavras:
— Hayden… acidente… hospital. Eu não sei o que fazer… falaram que ele tá muito mal…
— Onde você está? — A voz dele entrou em modo de ação na mesma hora.
— No Mercycrest General — ela chorou.
— Aguenta aí. A gente tá indo.
Passou uma hora que pareceu meses. Ela ficou sentada naquela cadeira, o corpo dormente e a mente vazia. Era como se tudo ao redor tivesse ficado abafado.
Então ela viu dois homens se aproximarem do balcão: um alto e musculoso; o outro também alto, mas mais magro.
A enfermeira apontou para ela, e eles vieram direto.
Sentaram, um de cada lado, e Beck acariciou o cabelo dela com delicadeza.
— Como você tá aguentando? — perguntou, num tom baixo e suave.
Jared enxugou as lágrimas do rosto dela com um lenço. Myla desabou, chorando como se uma barragem tivesse se rompido por dentro.
Eles a puxaram para os braços, cercando-a com o calor, o cheiro e a força dos dois, como se a ancorassem.
Ela não soube em que momento chorou até adormecer, mas acordou com a cabeça no colo de Beck, a mão dele fazendo carinho em seu cabelo, enquanto as pernas dela estavam sobre Jared.
Eles esperaram dez longas horas até o médico vir falar com eles, com o rosto cansado, abatido.
— A cirurgia durou oito horas. Fico feliz em dizer que foi um sucesso — ele disse. — Mas…
Eles o encararam, tensos.
— Ele teve um dano extenso na coluna, uma vértebra estilhaçada e hemorragia interna. Quase o perdemos na mesa quando ele entrou em parada, mas conseguimos trazê-lo de volta.
Myla levou a mão à boca quando outro soluço escapou.
— Há inchaço no cérebro. Ele está em coma. Não sabemos quando — ou se — vai acordar. Vamos mantê-lo na UTI até segunda ordem.
O maxilar de Jared se contraiu.
— Qual é o prognóstico?
O médico hesitou. Então falou com honestidade:
— Não é muito bom. O que mais me preocupa é a lesão na coluna e quais sequelas ela pode causar, mas vamos ter uma noção melhor quando o inchaço no cérebro diminuir.
Beck soltou o ar de uma vez e esfregou as costas de Myla.
O médico acrescentou:
— Mas… ele é um jovem forte e saudável. Não percam a esperança.
E então foi embora.
Jared tocou os ombros trêmulos dela, a voz firme como calmaria em meio à tempestade.
— O Hayden é teimoso; ele vai voltar pra gente. — A voz dele falhou um pouco; ele parou, pigarreou e continuou. — E você conhece ele: ele é cabeça-dura demais pra deixar um acidente de carro qualquer tirar ele de você.
Beck assentiu, concordando, mas por trás da calma forçada no rosto dos dois, Myla via o medo frio nos olhos deles.
Uma voz suave a arrancou da lembrança.
— Myla?
Ela piscou, olhando ao redor.
O SUV tinha parado, e Hayden a encarava com olhos azuis preocupados.
— Você tá bem? — ele perguntou, com cuidado. — Parecia que você ia chorar.
Ela fungou, abriu a bolsa e tirou um lenço de papel.
— Eu tô bem. Só… agradecida por você ainda estar aqui comigo. — disse, enquanto enxugava os olhos com delicadeza.
O olhar de Hayden amoleceu, e ele estendeu a mão na direção dela… mas se conteve.
Depois pigarreou, e a máscara fria voltou ao lugar.
— Se recompõe. Chegamos.
As portas traseiras se abriram, a rampa desceu, e ele saiu com a cadeira.
Myla ficou ali sentada por um segundo, com o coração doendo.
“Por um instante… ele quase encostou em mim.”
Ela respirou fundo, saiu do carro e ergueu os olhos para o elegante arranha-céu de vidro à sua frente, que pertencia ao marido.
Oakley Corporation International.
Hoje, ela veria Beck e Jared cara a cara pela primeira vez desde aquela noite.
Ela não sabia se estava mais apavorada por rever os dois… ou mais desesperada para isso.
