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Capítulo 7 Festas e revelações - Monet

— Eu estou com uma aparência boa? — Dou uma voltinha diante do espelho para conferir a minha bunda no jeans que estou usando.

A porra do Cole está mesmo começando a mexer com a minha cabeça com esse papo de que eu não estou usando roupa suficiente.

Chrystal me analisa de cima a baixo. — Você tem uma bunda ótima, mas não sei quanto à blusa. Você não tem nada um pouco mais chamativo?

O top cropped é algo que eu uso todo dia e, tirando o fato de eu ter enrolado meu cabelo longo castanho-escuro em ondas soltas e passado um pouco de maquiagem, eu realmente pareço que só vou para a aula.

Ela remexe no armário e puxa um corset preto de couro.

— Isso ficaria ótimo em você.

Ela tem razão. Eu fico bem melhor, só que vou ter que ir às compras.

— Em qual festa você vai? — ela quer saber.

Ao contrário de mim, Chrystal tem se jogado de cabeça na vida social; ela saiu quase todo dia esta semana, e sozinha. Como ela vai dar conta da carga de estudos, para mim é um mistério, mas cada um com o seu.

— Não faço ideia. — Dou de ombros, encarando o espelho pela última vez. — Só vou junto com a minha amiga.

— Nada de sapato aberto se você for para a Greek row, e lembre-se de nunca usar branco. — Chrystal me dá o conselho.

— Valeu. E obrigada pelo top.

— É pra isso que servem as colegas de quarto. — Ela volta a mexer no armário, provavelmente procurando algo para vestir para sair também.

Talvez a gente tenha começado com o pé esquerdo por causa dela querer o número do Cole e do Luke. Ou talvez eu só seja protetora demais com essa parte da minha vida, mas ela realmente não parece tão ruim.

Amy manda mensagem dizendo que está lá embaixo, e eu confiro meu reflexo uma última vez antes de descer.

— Uau, você está um arraso! — Ela faz uma arma imaginária com a mão, e eu dou risada quando entro no carro.

— Você também está ótima. — Ela está com um vestido curtinho, com as pernas totalmente à mostra. — Então pra onde diabos a gente está indo?

— Só espera pra ver. — Ela pisca para mim, e eu sei que isso deveria significar que ela está aprontando alguma coisa, mas eu canto junto com ela quando ela estoura o som, pensando que isso é divertido. É muito bom ter amigas.

— Isso é a Greek row? — pergunto, olhando as casas enormes por onde passamos, com música saindo a toda de algumas delas, estudantes por toda parte.

— Isso é a Greek row, gata. — Amy abre um sorriso, procurando um lugar para estacionar. — Uma das maiores do país inteiro. Meus pais não queriam que eu fizesse rush para uma sororidade ainda; disseram que eu devia me firmar primeiro.

Não acho que eu seja o tipo de pessoa que gostaria de fazer rush para uma sororidade; pelo que vi, tem atividades demais envolvidas. Eu estou aqui para estudar, fazer conexões na minha área e, com sorte, ter uma ótima carreira um dia.

Por fim, a gente encontra uma vaga, e eu digo a ela que talvez a gente devesse chamar um Uber no futuro ou alguma coisa assim.

— Aliás, onde você mora mesmo? — pergunto, curiosa. — Em qual dormitório?

— Moro com meus pais, perto do campus. — Ela responde sem se comprometer, e eu fico com vontade de fazer mais perguntas, porque ela não tem o sotaque típico dos locais daqui.

Ela segura a minha mão quando a gente sai do carro. Está literalmente uma loucura lá fora, e eu vi na internet que fica ainda mais insano em dia de jogo. Eu estou ao mesmo tempo animada pelo Cole e igualmente apavorada.

Este vai ser o segundo ano dele jogando; no ano passado ele não era o quarterback titular, mas este ano é, e isso é uma puta pressão nesta escola.

Se ele não tivesse sido um babaca ultimamente, a gente podia ter saído juntos e ele podia me contar as esperanças, os sonhos e os medos dele, como costumava fazer. O nome dele foi mencionado um monte de vezes desde que eu cheguei aqui, e eu fico imaginando o que essa expectativa está fazendo com a cabeça dele.

Eu nem sei mais o que dizer pra mamãe quando ela pergunta sobre ele. Só continuo dizendo que ele está ocupado pra caramba com a temporada chegando, o que provavelmente é verdade.

E também não sei que porra ele tem com o jeito que eu me visto, porque um monte das garotas passando pela gente poderia muito bem estar pelada. Na real, eu me sinto extremamente arrumada demais, e aqui é quente pra caralho também. Eu devia ter vestido alguma coisa curta, tipo a Amy.

— Pra onde a gente tá indo? — pergunto, enquanto ela caminha determinada, passando por umas casas em que parece que a festa está transbordando pro jardim da frente.

— Pra melhor festa da Greek Row! — Ela sorri. — Não é qualquer um que consegue entrar.

— E como é que a gente vai entrar, então? — Somos calouras; eu mal conheço alguém aqui.

— Relaxa, garota! Eu já resolvi isso pra gente.

A casa onde ela para literalmente tem uma fila, com garotas tentando entrar, cada uma vestida de um jeito mais minúsculo que a outra, e se esse for o código de vestimenta aqui, a gente definitivamente não vai conseguir.

Mas a Amy me puxa direto até a frente da fila, com as garotas protestando, e o cara que está colocando pulseirinhas no pulso de todo mundo olha a gente dos pés à cabeça.

— A gente não quer confusão, Murray. — Ele diz pra Amy, antes de entregar pra cada uma de nós uma pulseira vermelha com “U/21” escrito.

— Sem confusão, eu prometo. — Ela me puxa pela porta escancarada que dá pra dentro da casa, com gente dançando por toda parte.

Aquilo parece mais uma boate do que uma casa, e eu estou completamente fora da minha zona de conforto ali.

Ela me arrasta até um bar, e um dos caras servindo bebidas balança a cabeça e coloca duas latas de Coca diet no balcão.

— Você conhece toda essa gente? — pergunto, franzindo a testa quando ela me entrega a bebida.

Ela é caloura como eu, então por que todos os caras tratam ela como se conhecessem?

— Não! — Ela ri. — Mas eles me conhecem!

Até onde eu sei, ela não é famosa. Ou é?

Eu sigo ela lá pra fora, pro gramado em frente à casa, onde tem um telão passando jogos de futebol enquanto um DJ toca música.

Aí a ficha cai quando eu vejo alguns rostos familiares dançando no meio da multidão.

— Isso aqui é uma festa do time de futebol, né? — grito pra Amy, que parece que ganhou na loteria, já balançando ao som da música.

— A melhor festa da fileira! — ela grita de volta. — Tenho certeza de que a gente consegue arrumar uma bebida em algum lugar.

Isso não vai acontecer, porque o Cole provavelmente está em algum lugar nessa multidão; talvez o James também.

— Tá, então como você fez pra gente entrar, exatamente? — Eu realmente quero saber. Essa festa parece mais exclusiva do que as outras casas por onde a gente passou, e aquelas garotas na fila provavelmente querem participar da farra com todos os jogadores.

— Eu ganho passe automático, desde que eu não beba.

— Mas por quê?

— Porque eu sou filha do técnico principal. — Ela pisca, maliciosa. — E eu vou arranjar um jogador pra mim… ele só ainda não sabe.

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