CH5
O técnico Avery sempre foi o homem mais jovial que já conheci. Ele era mais adequado para treinar crianças pequenas do que adolescentes mal-humorados, mas foi a única pessoa que acreditou em mim antes de qualquer outra. Seu sorriso nunca vacilava quando mais importava.
Olhei para baixo, para seus braços, e fiquei surpresa quando uma risada escapou de mim ao ver o buquê ridiculamente enorme de flores em suas mãos, pontilhado com pequenas borboletas douradas e rosas. Meu buquê de vitória, como se fosse apenas mais um dia após a competição...
Como se essa não fosse a última vez que ele poderia me entregar um.
"Ouvi sua mãe dizer que você dormiria durante qualquer coisa, mas você sempre foi mais forte do que ela te deu crédito."
Pisquei com isso. Engoli em seco, sentindo a tensão no peito ao pensar nisso. Minha mãe achava que eu era fraca. Suponho que ela nunca tentou me fazer acreditar no contrário. Ele colocou o buquê no meu colo, sorrindo o tempo todo antes de se jogar na cadeira ao lado da minha cama.
Olhei para baixo, seguindo os caminhos de voo das pequenas borboletas de papel dourado. As cores vibrantes eram um contraste gritante com todo o resto no quarto.
"Mandei seu pai sair para pegar um vaso decente." Olhei para ele e ele piscou. "Achei que todo aquele alvoroço só ia piorar o clima. Como você está se sentindo, Van?"
Balancei a cabeça, incapaz de encontrar as palavras. O que eu deveria dizer, afinal?
Bem.
Mal.
Com dor.
Sem esperança?
"Recebi um relatório completo dos seus pais," ele continuou. "Não invejo o guru de fisioterapia que terá que te dizer cinquenta vezes para sentar--" Ri, balançando a cabeça, sem conseguir evitar. "Mas espero que consigam acompanhar você, ou que pelo menos tenham uma pele bem dura."
Olhei para ele, incerta, mas ele deve ter visto a dúvida no meu rosto.
Ele se inclinou para frente, a luz da janela refletindo em seus óculos enquanto me olhava com aquele olhar paternal.
"Aqueles médicos experimentais mal sabem o que causa um resfriado comum. Eu não daria muito crédito às suas previsões de desgraça, hm?"
Sua voz era tranquila, confiante e encorajadora. Parecia um bálsamo quente por todo o corpo, com mentol demais, queimando mesmo enquanto ajudava. Eu queria sentir o mesmo nível de confiança em mim mesma, mas não sentia.
Da última vez que me machuquei remotamente, torci o tornozelo e quase enlouqueci esperando que sarasse. A reabilitação foi irritante, mas aquela torção não era nada comparada a isso.
"Os olheiros adoraram sua performance. Eles vão voltar por você. Acho que quatro anos são mais que suficientes para te colocar de volta no gelo... com um novo parceiro." Meu coração deu um salto com o pensamento. Olhei para ele e ele sorriu. "É mais do que compreensível se você não conseguir pensar em patinar com Reese novamente."
Eu estreitei os olhos, captando algo que ele não estava dizendo, ou talvez algo que minha mãe tinha dito. Ele piscou e piscou antes de fazer uma careta.
"Ah... você deve ter ouvido," ele suspirou e acenou com a mão. "Bem, eu tive que tentar, mas acho que nada passa despercebido por você ou sua mãe."
Levantei uma sobrancelha. Ele soltou um suspiro.
Ele fez uma careta. "Então eles não te contaram..." Ele encontrou meu olhar. "Reese tem um novo parceiro." Ele deu de ombros. "Perda dele, mas acho que há algumas estrelas em ascensão com quem você combinaria bem." Ele sorriu. "Os médicos dizem que é muito cedo para dizer o que vai acontecer, mas eles não te conhecem. Então vou fazer planos para passar com fotos." Ele mexeu as sobrancelhas. "A estética é importante, sabe?"
Pisquei para conter mais lágrimas e desviei o olhar. A tristeza engoliu o pequeno riso aquoso que queria escapar. A ideia de patinar novamente parecia impossível. Mas ele acreditava que não era, e nada mudaria sua opinião. Mais do que isso, eu sabia que se eu nunca mais pudesse ou escolhesse nunca mais - se fosse uma escolha - ele ainda me daria aquele mesmo sorriso sem julgamento. O treinador Avery sempre foi mais pai para mim do que o meu próprio. Olhei para a porta, me perguntando quando algum dos meus pais apareceria.
Pelo menos com eles por perto, eu conseguiria lidar melhor com a enxurrada de emoções. Eu era... sempre boa em fazer um show para eles. Olhei para ele novamente. Era algo agridoce, ter alguém que acreditava tanto em você. Parecia tanto uma tábua de salvação quanto um peso. Eu queria pegar essa crença e correr com ela, mas a visão do gesso na minha perna. O da minha mão, a dor surda e pulsante no meu rosto não me deixavam.
"E... tem mais uma coisa." Ele sorriu, sua voz suave e firme. "Vou seguir com meu plano de aposentadoria." Fechei os olhos, sentindo o peso das palavras. "O time de patinação será assumido por um novo treinador, mas quando você estiver pronta, me ligue."
Pisquei e ele sorriu.
"Se você quiser as Olimpíadas, você me tem. Se não quiser as Olimpíadas, você me tem." Ele sorriu. "Talvez eu finalmente faça você experimentar algo apimentado." Fiz uma careta com isso e ri. "Sua cara! Sério? Eu prometo que não será tão ruim."
"Da última vez, eu nem conseguia respirar e nem tinha provado." Olhei para ele com raiva. "Nem em um milhão de anos."
Ele sorriu. "E disseram que suas palavras não estavam funcionando... O que eu te disse sobre esses médicos experimentais?"
Pisquei, minha mão indo até a boca e olhando para ele. Um nó se formou na minha garganta e mordi o lábio. Da última vez que falei, ninguém conseguia me entender.
Enxuguei os olhos.
"Você... sempre trouxe o melhor de mim."
"É isso que um treinador deve fazer."
"... você vai me contar quem é o novo parceiro do Reese?"
