Os Reis Lycan e Sua Companheira Híbrida

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Capítulo 7 A Boutique

POV da Elara

O mercado do reino estava uma loucura hoje. Gente pra todo lado. Mulheres correndo de loja em loja, com os braços cheios de vestidos, sapatos, joias. Risadas enchiam as ruas enquanto a música escapava pelas portas abertas. Faixas coloridas tinham sido penduradas por cima das vias, anunciando a comemoração que estava chegando.

O Baile de Aniversário Real.

A Clara praticamente tremia ao meu lado. “Esse é o melhor dia da vida!”, ela guinchou, segurando meu pulso e me puxando pela rua lotada.

Revirei os olhos. “Você fala isso de literalmente tudo.”

“Porque tudo é empolgante!”, ela retrucou, jogando o cabelo comprido por cima do ombro. “E esse baile vai ser lendário.”

Eu bufei, rindo pelo nariz. “Lendária vai ser a dor de cabeça, isso sim.”

Clara parou na frente da primeira boutique e virou pra mim com um suspiro dramático. “Você é a pessoa menos romântica que eu já conheci.”

“Realista”, eu corrigi.

Mesmo assim, ela empurrou a porta da loja. “Vem. A gente vai achar um vestido pra você, querendo ou não.” Ela resmungou, sem diminuir o passo. No instante em que entramos, o ar fresco roçou minha pele.

A loja era linda. Luzes suaves brilhavam sobre araras cheias de vestidos elegantes. Espelhos cobriam as paredes, refletindo tecidos cintilantes em todas as cores imagináveis. Dourado. Verde-esmeralda. Um azul profundo, cor de meia-noite.

Clara soltou outro suspiro dramático. “Ai, minha deusa!” Ela disparou até uma arara como um predador que acabou de ver a presa.

Eu fui atrás, mais devagar, de braços cruzados, já entediada. “Você tá agindo como se a gente nunca tivesse visto vestido na vida.”

“São vestidos de baile”, ela corrigiu, erguendo um longo vestido vermelho. “É completamente diferente.” Ela ofegou de novo ao encostar o vestido no próprio corpo.

“Tá bom”, eu murmurei, passando a mão pela arara.

Ela pressionou o tecido contra si e se virou pra um espelho. “E aí? O que você acha?”

Inclinei a cabeça. “Acho que você tá prestes a ir a um casamento de vampiros.”

Ela me fulminou com o olhar. “Você não serve pra nada.”

Eu sorri e mostrei a língua.

Foi aí que a sensação me atingiu. Aquele arrepio estranho na nuca, como um formigamento. Como se alguém estivesse me observando.

Meu sorriso foi sumindo devagar. Olhei na direção das vitrines. Do lado de fora, as pessoas passavam pela rua. Nada de diferente.

Mesmo assim… tinha alguma coisa errada.

Clara sumiu pra dentro de um provador, cantarolando feliz.

Eu caminhei devagar entre as araras, fingindo que estava olhando.

Mas minha atenção ficou presa nas janelas da frente. Do outro lado da rua, dois homens estavam parados. Conversando. Ou fingindo que conversavam.

Um deles olhou na direção da loja. Nossos olhos quase se encontraram. Então ele desviou. Meu estômago se apertou um pouco. Talvez não fosse nada.

Clara saiu do provador com o vestido vermelho e deu uma girada dramática. “E aí?”

Eu pisquei. “Você ainda parece uma noiva vampira.”

Ela gemeu. “Você é impossível.”

Trinta minutos depois, saímos da loja de mãos vazias. Clara fez bico. “Não tinha nada que prestasse.” Ela projetou o lábio inferior.

“Você provou doze vestidos”, eu disse, seca.

“E todos estavam errados”, ela respondeu, ainda de bico.

Eu ri baixinho quando voltamos pra rua cheia.

“Próxima loja”, ela decretou.

Andamos dois quarteirões antes de entrar em outra boutique. Essa estava ainda mais cheia.

Mulheres por toda parte. Música tocando. A Clara começou a remexer nos vestidos de novo na mesma hora. Eu fingi que estava procurando alguma coisa, mas meu olhar foi direto pra porta.

Alguns minutos depois aconteceu de novo. Os mesmos dois homens passaram diante da vitrine.

Meu coração falhou uma batida. Coincidência? Talvez. Mesmo assim, aquela sensação estranha voltou a rastejar pela minha pele.

Clara ergueu um vestido prateado. “E esse aqui?”

Eu mal olhei. “Bonito”, eu disse, porque ela já não tinha mais a minha atenção.

“Você nem olhou.” Ela bateu o pé.

“Olhei o suficiente”, eu disse, lançando um olhar por cima do ombro para ela.

Ela suspirou de um jeito dramático. “Você é o pior companheiro de compras.”

Ficamos mais vinte minutos antes de sair de novo.

E, quando voltamos para a rua, eles estavam lá outra vez. Em outro lugar. Os mesmos homens. Dessa vez, minha desconfiança ficou mais afiada.

Três lojas adiante, Clara me puxou na direção de outra boutique. “Na terceira vai.”

Eu deixei ela me arrastar, mas minha cabeça já estava a mil. Se eles estavam seguindo a gente, eu ia descobrir logo.

Dentro da terceira loja, Clara pegou vários vestidos na hora e sumiu rumo aos provadores.

“Não sai do lugar”, ela avisou.

“Vou tentar.” Revirei os olhos. Mas eu já estava varrendo o ambiente com o olhar.

A loja era mais silenciosa do que as outras. Uma música baixa tocava, e a luz do sol derramava pelos janelões.

Caminhei de modo casual até os espelhos perto da frente e fiquei de olho na rua às minhas costas.

Três minutos depois, a porta abriu. Um homem entrou. Cabelo castanho-escuro na altura dos ombros. Muito alto. Ombros largos. E exatamente o mesmo homem que estava do outro lado da rua antes. Meu pulso desacelerou.

Ele fingiu olhar os ternos na parede oposta. Mas os olhos dele desviaram para mim uma vez. Atrás dele, mais dois homens entraram. Eles se espalharam pela loja com naturalidade.

Minha suspeita se confirmou. Eles estavam, com certeza, seguindo a gente.

Certo, então. Vamos testar uma coisa. Virei para uma arara próxima e ergui um vestido, fingindo examinar o tecido.

Mas, bem baixinho, murmurei entre dentes. Um feitiço pequeno. Só o suficiente para mover alguma coisa. Um expositor de joias de vidro no balcão atrás de mim tremeu. Depois deslizou uns cinco centímetros pela superfície.

Aconteceu tão rápido que a maioria das pessoas nem notaria.

Mas o homem de cabelo escuro notou. Ele virou a cabeça num estalo. Seus olhos verdes se estreitaram de leve. E então ele olhou diretamente para mim. Nossos olhares se prenderam. Meu coração falhou uma batida. Tinha algo naquele olhar que fez um arrepio estranho descer pela minha coluna.

Ele sabia. Não exatamente o que eu tinha feito. Mas sabia que alguma coisa não era normal. Atrás dele, os dois homens que entraram com ele observavam em silêncio. Me observando. Me estudando. Meu estômago se contraiu.

De repente, Clara saiu disparada do provador. “Elara! Você precisa ver esse aqui!”

Eu forcei minha atenção para longe do homem e fui na direção dela.

Ela apareceu usando um vestido azul-safira profundo, que brilhava sob as luzes. “E aí?” ela perguntou, animada.

Eu pisquei. “Esse aí… na verdade é bonito.”

Os olhos dela se arregalaram. “Isso foi a coisa mais legal que você falou o dia inteiro.”

Eu dei de ombros. Mas meu olhar voltou a vagar pelo salão da loja.

Os três homens tinham sumido. Assim, do nada. Desaparecidos. Meu estômago revirou.

Clara agarrou meu braço. “Ai, minha deusa, a gente com certeza vai comprar esse.”

Eu mal ouvi. Porque minha mente estava correndo.

Quem eram aqueles homens? E por que estavam me vigiando?

Eles estavam do lado de fora. Do outro lado da rua. Ryder se apoiava num carro preto, braços cruzados. Ivan estava ao lado dele. Darnell, alguns passos adiante. Os olhos verdes de Ryder estavam grudados na porta da boutique. Devagar, um sorriso se abriu no rosto dele. “Ela é interessante”, murmurou.

Ivan franziu a testa. “Você percebeu isso também?”

Ryder assentiu uma vez. “E muito.”

Darnell olhou para a loja. “Você acha que ela é importante?”

O sorriso de Ryder se alargou um pouco. “Ainda não sei.”

Os olhos dele escureceram. “Mas eu vou descobrir.”

Do outro lado da rua, a porta da loja se abriu.

E Elara saiu.

Completamente sem saber que acabara de chamar a atenção do homem mais perigoso do reino.

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