obsessão e desejo

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Capítulo 3 O primeiro encontro entre os dois

Camille bate duas vezes na porta de Andy. Fica impressionada com a perfeição de cada um dos espaços que a cercam; no fundo do coração, sabe que o único escritório fora daquele contexto, assim como ela, era o dela. 

A porta se abre automaticamente. Ela se espanta ao ver o escritório do chefe: parecia o espaço de um Deus do Olimpo, mas modernizado. Emanava um cheiro perfeito. À sua frente havia uma mesa de vidro fino e sólido, ocupada apenas por alguns documentos e um belo laptop com uma tela gigante. 

Atrás da mesa, de costas, em uma cadeira presidencial gigante, estava o chefe, o CEO. Só se vislumbravam seu cabelo saliente e sua mão apoiada no antebraço, com o belo relógio de ouro reluzindo. 

— Você demorou sete minutos para chegar ao meu escritório, Camille Ibis. Não foi avisada de que a pontualidade é o lema da empresa? — o tom de voz é bastante alto e ameaçador. 

— Mas eu vim assim que o senhor me pediu — ela nem sabia o nome de seu chefe; fora tão desavisada que mal sabia que quem a contratou era Marta. E tal era o desprezo dos colegas, que ninguém falava com ela para lhe dar qualquer informação. 

— Em quantos minutos eu disse que você tinha que chegar aqui? 

— Dois minutos, senhor. 

— Por que demorou sete minutos para chegar ao meu escritório? Conhecendo os espaços deste andar, sei que a distância entre o seu e este é de aproximadamente um minuto e trinta segundos. Dei-lhe mais trinta segundos, caso escorregasse ou algo do tipo. 

Camille não esperava ouvir isso de Andy; a maneira calculista e fria com que ele estava falando a fez se arrepiar. 

— Eu... me desculpe, senhor, me desculpe. Não vai acontecer de novo — sua voz fica mais suave e, aos ouvidos de Andy, por algum motivo, soa como música. 

Ele se vira de frente para ela, com o olhar fixo em seu rosto. Os dois se olham encantados, como se já se conhecessem. Ela imediatamente fica vermelha, e o constrangimento a invade; não imaginava que seu chefe fosse um homem tão jovem, bonito e avassalador. 

— Ah, mas foi você, aquela que esbarrou em mim e na minha noiva na rua. Vejo que a distração é um dos seus defeitos mais notórios — diz ele, com cara feia e um ar de ironia. 

O rosto de Camille agora se enche de fúria. Todos naquela empresa eram insuportáveis, do chefe para baixo. 

— Se fui eu, senhor, diga-me para que está me chamando. 

— Sou Andy Alf, o CEO da empresa em que você trabalha, caso não tenha sido informada, e caso não tenha se dado ao trabalho de descobrir. 

— Diga-me, Sr. Alf, para que me chamou? — Camille responde com os dentes cerrados, evitando gritar com ele por sua arrogância. 

— Você cometeu um erro ortográfico neste relatório: falta um til em uma palavra, o que poderia mudar todo o contexto. Isso lhe traria uma sanção. Você sabia disso? 

Para si mesma, Camille achava que era a afirmação mais ridícula que alguém poderia lhe fazer no mundo. Ele poderia simplesmente corrigi-la, não havia necessidade de todo aquele espetáculo. 

— Sinto muito, senhor, perdoe meu erro. Como o senhor bem disse, é meu maior defeito. Prometo que não vai acontecer de novo — ela diz, olhando-o com ironia. 

— Você está suspensa por uma semana sem remuneração. Deveria ter lido as regras quando foi contratada — ele se levanta da cadeira e se aproxima para abrir a porta. 

— Mas, senhor... — Camille sente uma lágrima rolar pelo rosto, cansada de tudo o que estava acontecendo com ela. Uma semana sem pagamento significaria que ela não conseguiria cobrir uma de suas despesas programadas. — Por favor, não faça isso comigo, eu preciso do dinheiro. 

Andy, ao se aproximar dela, percebe que, apesar de suas roupas, é uma jovem muito bonita: a pele do rosto lisa e sem maquiagem, o cabelo, embora não perfeitamente penteado, brilhante, e ela emana um cheiro particular. 

Nenhum funcionário jamais lhe pedira que voltasse atrás em uma de suas sanções, já que para nenhum deles era realmente grave ficar uma semana sem pagamento, graças aos enormes salários que recebiam ali. Então ele entendeu que a moça realmente precisava do dinheiro. 

Andy fechou a porta e pediu que ela se sentasse. Perguntou-lhe sobre sua vida, e ela lhe contou, por cima, tudo o que estava passando. Sentindo compaixão, fez-lhe assinar apenas um memorando; não a afastou do trabalho por uma semana. Ele não era insensível como todos pensavam. 

Ela sai do escritório dele quinze minutos depois, de cabeça baixa. Volta a se trancar na sala que lhe fora designada como local de trabalho e continua com suas tarefas sem dizer meia palavra; sua frustração ainda estava presente. 

Depois daquele momento, ela não conseguia parar de pensar em seu chefe: em como era bonito, em como era perfeito e em quão "generoso" havia sido em sua sanção. Dali em diante, seus trabalhos foram impecáveis; ela não queria comprometer seu salário, que enviava sagradamente para a mãe toda vez que o recebia. 

É sexta-feira à noite de novo. Desta vez, ela tem muito trabalho confiado por Marta. Aproveita as horas extras bem pagas para arrecadar mais dinheiro e sobreviver naquela cidade enorme. Não há ninguém no escritório — ou assim ela pensa —, então sai de sua toca para procurar um café. Vê uma luz acesa e se aproxima, observando que é o escritório de Andy. Para ela, era inacreditável que alguém que pudesse delegar tudo a terceiros trabalhasse feito escravo, assim como ela. 

Ele não a percebe, e então ela ouve uma voz por um alto-falante falando com ela: 

— Ibis, entre no meu escritório. Você tem trinta segundos. 

Camille corre apavorada até os banheiros; depois, lembra que era seu chefe conversando com ela e volta para o escritório do CEO como se estivesse em uma maratona. 

— O que você está fazendo a essa hora, Ibis? Sua jornada de trabalho terminou há quatro horas, e é sexta-feira — ele diz enquanto a olha por trás de sua mesa, sentado languidamente em seu pedestal. 

— Senhor, estou fazendo horas extras. O senhor sabe que preciso do dinheiro. 

— Aparentemente, é tudo dinheiro para você — novamente, é sarcástico. 

— Bem, se eu fosse megamilionária, estaria em minha casa, ou em algum lugar espetacular aproveitando o dinheiro — ela responde sarcasticamente, no mesmo tom. 

Andy, apesar de ter mostrado que era um ogro para os outros, esboça um sorriso; acha engraçado o que ela acabou de dizer. 

— Veja, senhorita Ibis, não pensamos todos da mesma forma. Trabalho pelo meu futuro patrimônio; não delego a ninguém aquilo que posso fazer. Aliás, ia à cozinha tomar café? 

— Sim, senhor. Sei que estou em serviço, mas preciso de uma bebida. Sinto que vou adormecer na minha mesa. Já volto, não vou demorar nem um minuto a mais. 

Andy olha para ela. Desde o dia do relatório, não parava de pensar nela. Não sabia explicar por quê. Ela nem chegava perto do perfil de mulher que era Keyra ou qualquer uma de seu estrato social. Era humilde, simples, descomplicada, mas muito aplicada e eficiente. Durante toda aquela semana, ele a observara pela câmera: cada movimento, cada segundo, cada vez que chorava. E naquela noite ele intencionalmente ficara sozinho para estar com ela, mesmo que fosse de seu escritório. Em suma, era a primeira vez que sua razão havia sido afetada, e ele não fazia ideia do que estava acontecendo consigo mesmo. 

— Vou com você, vou tomar café também — ele se levanta da mesa e fica ao lado dela. 

O cheiro que aquele homem emanava inundou o nariz de Camille. Ela o encarou. Ele era tão divino que ela nem conseguia acreditar que seu chefe estava tomando café com ela na lanchonete da empresa. 

Saíram juntos pelo corredor do escritório e, sem perceber, se viram tomando café de uma cafeteira fina, que ele intencionalmente havia deixado pronta para sua funcionária. Já sabia que, quando ela fizesse horas extras, prepararia uma pequena porção e seguiria com seu trabalho. Os dois ficaram em silêncio, mas nunca pararam de se olhar. Ela pede licença e volta para seu escritório; Andy fica ali, de pé, olhando para o nada. O que havia de tão especial em uma mulher como Camille? Parecia que ela estava se tornando uma de suas obsessões.

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