Capítulo 7
Ponto de vista de Josie
Ao sair do prédio com Olivia após assinar o contrato de aluguel, senti uma onda de alívio tomar conta de mim. Tudo o que tinha acontecido nos últimos dias parecia estar me empurrando em uma nova direção. No entanto, ainda havia uma conversa difícil pela frente. Senti um frio na barriga de ansiedade ao pensar em como contar a Elizabeth e Richard sobre o fim do noivado.
A luz do sol bateu no meu rosto quando pisamos na calçada, e eu respirei fundo. A mudança estava chegando, quer eu estivesse pronta ou não. Mas, pela primeira vez em dias, senti que talvez eu realmente ficasse bem.
De volta à mansão dos Brooks, a noite já havia caído. Fiquei parada no centro do espaço que chamei de meu por dez anos, observando cada detalhe. Cada item, cada canto guardava memórias, mas era hora de seguir em frente. Abri o armário e comecei a tirar minhas roupas, dobrando-as cuidadosamente na minha mala.
Eu não tinha muita coisa, na verdade. Peguei um pequeno porta-retratos da minha mesa — uma foto do meu aniversário de doze anos com a família Brooks. Meus dedos contornaram as bordas da moldura enquanto um turbilhão de emoções complexas tomava conta de mim. Embora eu tivesse acabado de perder meus pais na época, Richard e Elizabeth fizeram de tudo para que eu me sentisse em casa.
Coloquei cuidadosamente o porta-retratos na caixa, seguido por alguns livros queridos e itens pessoais. Enquanto eu fazia as malas, meus pensamentos vagaram para os planos de mudança de amanhã. O apartamento era pequeno, mas representava meu primeiro passo em direção à independência. Chega de suportar os olhares frios de Connor, chega de fingir que estava tudo normal.
"Senhorita Gray?" A voz de Jenkins veio do lado de fora da porta, interrompendo meus pensamentos. "O Sr. e a Sra. Brooks voltaram, e o jantar está pronto."
"Obrigada, Jenkins. Já desço", respondi, alisando rapidamente minha roupa.
Quando desci as escadas, fiquei surpresa ao ver Dylan na mesa de jantar, envolvido em uma conversa séria com Richard. Elizabeth me viu e acenou calorosamente para que eu me aproximasse.
"Josie, querida, venha sentar perto de mim", ela deu tapinhas no assento ao seu lado. Sorri e me sentei, sentindo a mão quente de Elizabeth cobrir a minha.
Jenkins serviu o primeiro prato, e a conversa fluiu naturalmente sobre questões de negócios e eventos de caridade. Permaneci quieta, apenas beliscando minha comida, até que a voz de Dylan de repente se dirigiu diretamente a mim.
"Você encontrou um apartamento adequado, Josie?" Sua voz profunda carregava um interesse genuíno, atraindo a atenção de todos para mim. O jeito que ele disse meu nome... era diferente de alguma forma. Não do jeito que um tio se dirigiria a uma sobrinha, mas algo mais atencioso.
"Sim, na verdade", respondi, me sentindo estranhamente nervosa sob seu olhar fixo. "Fica em Greenwich Village. É pequeno, mas perfeito para as minhas necessidades."
Dylan assentiu, pensativo. "Greenwich Village tem alguns prédios lindos de antes da guerra. Você tem tudo o que precisa para a mudança? Móveis? Sistema de segurança?"
Eu nem sequer tinha pensado em um sistema de segurança. "Eu... bem, o apartamento já vem mobiliado, mas não cheguei a pensar—"
"Conheço uma pessoa que instala excelentes sistemas de segurança", disse Dylan, cortando um pedaço de seu bife com precisão. "Vou pedir para o Kevin cuidar disso. Morando sozinha na cidade, segurança deve ser prioridade."
"Muito atencioso da sua parte, Dylan", Elizabeth sorriu, aprovando.
Observei suas mãos enquanto ele manuseava os talheres — fortes, porém precisas. Suas mãos sempre foram tão elegantes assim? Desviei o olhar rapidamente ao perceber que estava encarando.
"Como é o apartamento? Está gostando?", perguntou Richard. "Fico preocupado que você não se sinta confortável tendo que se adaptar a um espaço tão pequeno depois de morar aqui."
"Sim, estou gostando. É pequeno, mas aconchegante, e fica perto do laboratório", expliquei, lançando um olhar inconsciente para Dylan, só para encontrá-lo me observando fixamente.
"Quando pretende se mudar?", perguntou Dylan.
"Tão cedo?", disse Elizabeth suavemente. "Bem, vou pedir ao Jenkins para organizar os funcionários para ajudá-la na mudança. Podemos mandar um carro e alguns empregados da casa logo de manhã cedo."
Assenti com gratidão. A eficiência da família Brooks era algo a que eu havia me acostumado ao longo dos anos — problemas eram identificados e soluções implementadas imediatamente.
"Na verdade", interveio Dylan, pousando sua taça de vinho na mesa, "tenho uma reunião em um hotel perto da Universidade de Columbia amanhã de manhã." Ele se virou para mim, e seus olhos azuis prenderam os meus com uma intensidade inesperada. "Se a Josie não se importar com a companhia, eu mesmo posso levá-la. E garantir que tudo fique devidamente organizado."
Havia algo em sua oferta que parecia diferente das providências práticas de Elizabeth. Não se tratava apenas de transporte; era uma atenção pessoal. Vindo de Dylan, que raramente se envolvia em assuntos da casa, aquilo era incomum.
"Muito atencioso da sua parte, Dylan", assentiu Richard, aprovando.
Dei por mim assentindo também, embora meu coração tivesse acelerado de forma inexplicável. "Seria ótimo, obrigada."
Os olhos de Dylan se demoraram nos meus por um instante a mais que o necessário. "Às nove horas fica bom para você?"
"Perfeito", consegui dizer, de repente muito interessada na estampa do meu prato.
"Esta sempre será a sua casa, Josie", disse Richard com carinho. "Mas entendo a necessidade de independência, especialmente com os horários da sua pesquisa."
Elizabeth apertou a minha mão. "E você precisa vir nos visitar com frequência."
A conversa fluiu, mas continuei extremamente ciente da presença de Dylan do outro lado da mesa. De vez em quando, eu sentia o seu olhar e, quando me atrevia a levantar os olhos, havia algo em sua expressão que eu não conseguia decifrar muito bem — algo que me deixava inquieta e, ao mesmo tempo, estranhamente segura.
