Capítulo 5
Ponto de vista de Dylan
Observei enquanto Josie desaparecia escada acima, com os ombros erguidos em uma nova determinação que eu não tinha visto antes. Felizmente, ela havia se tornado uma jovem com objetivos claros e uma força silenciosa. Seu pedido para se mudar para mais perto de Columbia não era surpreendente — era a progressão natural para alguém que estava encontrando seu caminho.
Essa mudança também me dizia tudo o que eu precisava saber sobre seus sentimentos por Connor — ela estava pronta para deixar esse capítulo para trás.
O que mais me preocupava era o noivado — um acordo feito quando ela ainda era criança, que agora pesava visivelmente sobre ela.
— Ela está crescendo tão rápido — Elizabeth suspirou, chamando minha atenção de volta para a mesa do café da manhã. Ela mexia o café distraidamente, com uma preocupação maternal estampada no rosto.
Sentei-me na cadeira vazia de Josie. — Falando em crescer, o que vocês acham do noivado de Josie e Connor hoje em dia?
Richard abaixou o jornal. — Como assim? Eles estão prometidos um ao outro desde crianças. A aliança Gray-Brooks sempre fez parte do plano.
— Planos podem mudar — ponderei, mantendo um tom neutro. — Eles são adultos agora, com suas próprias aspirações.
Elizabeth esticou o braço para dar um tapinha no meu ombro. — Dylan, não estamos vivendo na idade das trevas. É claro que queremos que eles sejam felizes juntos. Mas também sabemos o que é melhor para eles a longo prazo. — Seus olhos suavizaram. — Josie é uma jovem tão maravilhosa. Qualquer homem teria sorte de tê-la — especialmente Connor.
— Se ao menos David e Katherine pudessem ver a filha excepcional que criaram — Richard acrescentou com admiração genuína. — Que tragédia, aquela tempestade... — Ele balançou a cabeça, a lembrança do acidente de avião ainda dolorosa depois de todos esses anos.
Concordei solenemente. A perda dos Gray havia deixado um vazio na vida de todos nós, não apenas na de Josie. Eles tinham sido mais do que parceiros de negócios para o meu irmão; eram amigos da família, confidentes.
— E quanto aos sentimentos de Connor? — perguntei, pensando em suas palavras cruéis no Starlight, a rejeição casual de Josie como uma "rata de laboratório chata". Meu maxilar se contraiu involuntariamente.
A testa de Elizabeth se franziu. — Aquele garoto... Eu me preocupo com seu lado rebelde. Todos nós podemos sentir sua resistência ao noivado. Só espero que ele caia em si antes de fazer alguma bobagem.
— Connor precisa entender o valor do que está bem na sua frente — Richard afirmou com firmeza. — A fusão com as Indústrias Gray consolidaria a posição da Brooks Enterprises por gerações. E, mais importante, Josie é exatamente o tipo de influência estabilizadora de que ele precisa.
Pensei em contar a eles sobre o que eu tinha ouvido no Starlight — os comentários desdenhosos de Connor — mas decidi não fazer isso. Não era o meu lugar me intrometer entre eles, e mencionar o incidente só complicaria as coisas para Josie.
— Os jovens precisam de tempo para descobrir as coisas por conta própria — eu disse em vez disso, levantando-me da mesa. — Tenho algumas coisas para resolver. Com licença.
De volta ao meu escritório, encarei o contato de Connor no meu celular por longos momentos.
Antes que eu pudesse pensar direito, apertei o botão de ligar por impulso. A conexão chiou enquanto era transferida para Los Angeles.
— Tio Dylan — Connor atendeu, com surpresa evidente na voz. — Que inesperado. O que foi?
— Só ligando para saber como estão as coisas. Voltei da Europa, mas parece que você não está por aqui.
— Ah, é? Quando você voltou? Péssima hora — acabei de voar para Los Angeles para resolver umas coisas. Quanto tempo você vai ficar dessa vez?
— Provavelmente mais do que o normal. Estou planejando desenvolver alguns projetos aqui nos Estados Unidos.
— Isso é ótimo! Com você ajudando na Brooks Enterprises, o pai pode finalmente parar de pegar no meu pé — disse ele, seu tom ficando consideravelmente mais leve.
— Connor, talvez seja hora de você aprender a assumir algumas responsabilidades — eu disse, com a voz carregada de um toque de seriedade típica de um tio.
— Ah, tio Dylan, se o meu pai pediu para você me dar sermão...
— Não, não estou aqui para falar sobre as responsabilidades da empresa, mas sobre casamento — interrompi.
— O quê? Não estou entendendo — ele respondeu, a impaciência transparecendo na voz.
— Eu queria falar com você sobre a Josie.
— Josie? — Seu tom ficou instantaneamente na defensiva. — Como assim?
Decidi ser direto. — Você ainda quer manter o noivado com a Josie?
O silêncio que se seguiu se arrastou de forma desconfortável. Eu quase podia vê-lo se mexendo na cadeira, avaliando suas opções.
Finalmente, ele falou, com um tom de voz atipicamente sério. — Não. Não quero.
Embora eu já esperasse por isso depois do que presenciei no Starlight, ouvi-lo dizer isso de forma tão direta ainda me causou uma onda de decepção. Não pelas implicações nos negócios — essas poderiam ser resolvidas —, mas pela Josie, que merecia muito mais do que uma rejeição tão leviana.
— Entendo — respondi, mantendo a voz neutra. — E você já disse isso a ela?
— Não exatamente — ele desconversou. — É complicado. Nós crescemos juntos, nossas famílias esperam isso... Além do mais, ela está tão focada na pesquisa dela, que não acho que esteja sequer pensando em casamento no momento.
Pensei no rosto da Josie quando ela ouviu os comentários dele sem querer — a mágoa, a resignação, como se as palavras dele tivessem apenas confirmado algo de que ela já suspeitava há muito tempo. — Você pode se surpreender — eu disse. — A Josie é mais perspicaz do que você imagina.
— Olha, podemos falar sobre isso outra hora? Tenho uma reunião em cinco minutos.
— Connor. — Meu tom deixou claro que aquilo não era um pedido. — Você precisa ser honesto com ela. Quaisquer que sejam as complicações que isso crie, a Josie merece a verdade, não um noivo que só está cumprindo tabela.
— Eu vou falar com ela, tá bom? Só... me deixa encontrar o momento certo.
A ironia da sua preocupação agora, depois do que eu tinha presenciado, não passou despercebida por mim. — O momento certo era antes de você zombar dela publicamente para os seus amigos — eu disse, incapaz de conter a rispidez na voz.
A forma como ele puxou o ar bruscamente me indicou que ele havia entendido que eu sabia mais do que deixara transparecer no início. — Você não entende a pressão que eu estou sofrendo — ele começou, na defensiva.
— Na verdade, eu entendo. Mas a minha solidariedade está com a Josie no momento. Trate disso com o respeito que ela merece, Connor. É só o que estou pedindo.
A linha ficou muda assim que terminei de falar.
Fiquei encarando meu celular, percebendo de repente o quão agressivo eu tinha soado. O que diabos eu estava fazendo? Que direito eu tinha de me intrometer nessa bagunça? Eu estava mesmo pensando em tentar conquistar a Josie e tirá-la do Connor?
Mas toda vez que eu pensava na maneira como ele a havia tratado, sobre o tal noivado deles, qualquer pensamento racional ia por água abaixo. Tudo em que eu conseguia pensar era em protegê-la para que não se machucasse de novo.
Parecia que, quando se tratava da Josie, eu perdia toda a noção de limites. Minhas emoções sobrepunham-se a qualquer pensamento lógico, atraindo-me para ela como uma força da gravidade que eu não conseguia combater.
Pelo menos o Connor tinha admitido que não queria mais o noivado. A confirmação de suas intenções se instalou como um peso no meu peito. Embora uma parte de mim estivesse aliviada por saber que a Josie não ficaria presa a alguém que não a valorizava de verdade, outra parte reconhecia as complicações que isso criaria — para as famílias, para os negócios e, o mais importante, para a própria Josie.
Passando a mão pelos cabelos, virei-me novamente para a janela. Apesar de todas as objeções racionais, eu me via cada vez mais determinado a garantir que ela enfrentasse essa mudança com o mínimo de sofrimento possível.
