Capítulo 1
Ponto de vista da Josie
"Amelia, por favor, dê uma olhada neste conjunto de dados!" exclamei, organizando freneticamente minha bancada enquanto transferia arquivos para um pen drive. Meu relógio marcava 18h45 — a festa de formatura do Connor começaria em 15 minutos. Eu podia sentir a ansiedade fervilhando no meu estômago.
Amelia Blake, a veterana que sempre trabalhava comigo no mesmo projeto de pesquisa, pegou o pen drive com um sorriso divertido. "Com pressa para ver o namorado?"
Minhas bochechas coraram instantaneamente. "Ele é só... um amigo da família. A noite de hoje é importante para ele." Coloquei cuidadosamente na mochila uma caixa de presente — que continha um relógio Rolex personalizado que havia me custado três meses da bolsa de pesquisa. Só de pensar na reação do Connor, meu coração disparou, especialmente porque eu havia dito de propósito que não conseguiria ir à festa dele. Era para ser uma surpresa.
"Não se preocupe com os dados", disse Amelia, com a voz mais suave. "O Dr. Henderson só vai precisar do relatório amanhã. Vá se divertir um pouco para variar, Josie."
Pelas janelas do laboratório, eu podia ver a silhueta de Manhattan desaparecendo aos poucos atrás de cortinas de chuva. Perfeito. Juntei minhas coisas rapidamente, tirei o jaleco e corri em direção à porta.
"Obrigada, Amelia! Te devo essa!"
Corri em disparada pelo campus, calculando mentalmente o tempo do trajeto enquanto as gotas de chuva começavam a encharcar o meu vestido. Quando cheguei ao ponto de ônibus, meu coração apertou. As lanternas traseiras do último ônibus circular já estavam desaparecendo na escuridão chuvosa.
"Droga!" Fiquei parada, impotente, enquanto a chuva desabava, encharcando aos poucos a roupa que eu havia escolhido com tanto cuidado. O aplicativo do Uber mostrava um tempo de espera de quinze minutos, e a Starlight ficava em Midtown — a pelo menos trinta minutos de distância, mesmo de carro.
Encarei o celular, em dúvida se ligava para minha melhor amiga, Olivia Reed, pedindo uma carona. Mas então me lembrei de que ela não tinha tido aula naquela tarde. Não seria nem um pouco mais rápido se ela viesse me buscar para depois irmos até a boate.
"Não tem problema chegar um pouco atrasada. O Connor vai entender", murmurei, com o ânimo indo por água abaixo junto com o meu penteado arruinado. Eu havia planejado chegar antes de a festa começar, mas agora meu plano perfeito estava desmoronando logo no início.
"Josie?"
Uma voz grave e ressonante soou em meio à chuva. Virei-me e me deparei com um elegante Bentley preto encostado no meio-fio, com a janela do passageiro abaixada para revelar o rosto bonito e sereno de Dylan Brooks.
"Tio Dylan?" Pisquei, surpresa. A mente brilhante por trás dos negócios da família Brooks estava na Europa havia quase um ano, administrando sua empresa por lá. Sua aparição inesperada parecia surreal.
Dylan assentiu levemente, com seus olhos azuis e penetrantes avaliando o meu estado lamentável. "Entre. Você vai pegar um resfriado se ficar parada na chuva desse jeito."
Hesitei por um momento antes de correr para a porta do passageiro. O interior do carro estava aquecido e tinha cheiro de couro caro.
"Para onde você vai?" perguntou ele, com a voz calma e controlada.
"Para a Starlight... a festa de formatura do Connor", respondi, sentindo-me de repente constrangida com o meu vestido úmido e o cabelo arrepiado.
"É caminho", disse ele simplesmente, inserindo o carro de volta no trânsito com suavidade.
Sentada de forma rígida no banco do passageiro, tentei relaxar, mas não consegui. Nos dez anos em que eu morava com a família Brooks, após o acidente de avião dos meus pais, Dylan havia sido mais um mito do que uma realidade — o tio brilhante que havia construído um império de tecnologia sustentável na Europa e que raramente voltava a Nova York. Até mesmo o Connor mal conhecia o próprio tio.
"Como estão as coisas com o Connor?" perguntou Dylan casualmente, quebrando o silêncio.
— Tudo bem — respondi automaticamente.
— Por que ele não veio te buscar?
— Ele... ele não sabia... — gaguejei, sentindo-me constrangida por ele ter percebido o meu pequeno plano.
Ele apenas assentiu. Então, mudei rapidamente de assunto:
— Quando você voltou, tio Dylan?
— Hoje de manhã. Tinha umas coisas para resolver.
A resposta curta encerrou o assunto, e seguimos em silêncio até o Bentley parar na entrada do Starlight. Peguei minhas coisas, preparando-me para correr na chuva com um rápido agradecimento, quando Dylan me surpreendeu novamente.
— Eu acompanho você até lá dentro — disse ele, já pegando um guarda-chuva. — Não é seguro ir sozinha.
Antes que eu pudesse protestar, ele já estava fora do carro, abrindo a minha porta e me protegendo do temporal. Seu cavalheirismo inesperado me deixou momentaneamente sem palavras enquanto nos aproximávamos da entrada VIP.
Talvez ele tivesse razão. O Starlight podia ser uma boate de luxo para os ricos, mas ainda assim atraía todo tipo de gente em busca de diversão. Ele provavelmente só estava sendo protetor, tratando-me como alguém da família.
Quando chegamos ao elevador, ele se virou para mim:
— Você sabe em qual sala ele está?
— Sim, ouvi ele comentar com um amigo que daria uma festa na 1202 — respondi, erguendo o olhar para encontrar seus intensos olhos azuis.
Ele me acompanhou pelo elevador VIP, que chegou rapidamente. Assim que encontramos a sala, ele parou perto da porta, fazendo um leve aceno com a cabeça para indicar que eu deveria entrar sozinha. Desviei o olhar dele e estava prestes a bater, quando ouvi a voz de Connor ecoar claramente pela porta entreaberta.
— O casamento arranjado com a família Brooks? Por favor! Quem vai querer se casar com um rato de laboratório sem graça que nunca larga as próprias experiências? — O tom de desdém de Connor me cortou como uma faca.
Um coro de risadas se seguiu, e depois a voz melosa de Sofia Morales:
— Saia com garotas interessantes, tipo eu~
Fiquei paralisada, sentindo-me subitamente ridícula e ingênua. Então, Dylan se aproximou. Sua expressão endureceu instantaneamente, mas ele apenas colocou uma mão firme no meu ombro e, sem dizer uma palavra, guiou-me de volta para a saída.
No carro, fiquei imóvel, segurando as lágrimas enquanto a chuva açoitava as janelas. A humilhação ardia mais do que o coração partido.
Durante anos, acreditei que o acordo das nossas famílias pudesse, um dia, se transformar em algo real. Connor tinha sido minha primeira paixão, meu amigo nos dias mais sombrios após a perda dos meus pais. Mas, pelo visto, eu não passava de uma obrigação sem graça para ele — uma da qual ele zombava abertamente.
Aos doze anos, de pé na chuva no funeral dos meus pais, Connor segurando a minha mão, prometendo me proteger. Dez anos de jantares em família, festas de fim de ano, piadas internas. As noites escuras que deixavam de ser assustadoras com a companhia dele. Tudo isso... de que valeu? Tinha sido tudo fingimento?
— Connor é jovem e tolo — a voz ponderada de Dylan interrompeu meus pensamentos. — Algumas pessoas só reconhecem o valor de algo depois que o perdem.
Seus olhos recaíram sobre o presente no meu colo.
— Espero que isso não seja para ele.
— Acho que a tola sou eu — consegui forçar um sorriso amargo.
— Não — respondeu Dylan suavemente. — Você é apenas sincera.
O interior aquecido do carro contrastava fortemente com a fria realidade lá fora. De alguma forma, a presença silenciosa de Dylan era inesperadamente reconfortante.
Meu celular tocou, quebrando o momento. A voz frenética de Olivia encheu o carro assim que atendi.
— Jo! Emergência! Você está no Starlight para a festa do Connor, não é? Você tem que pegar uma coisa para mim! Por favor!
