Capítulo 4 Enfim sexta
Estou chegando na rodoviária, são 18:00h. O ônibus acabou de estacionar, quase não caibo em mim de nervoso...Estou em contato com um motorista de Uber, que já está me esperando.
Entro no carro e dou de cara com um gato ao volante. Aparenta ter por volta de 25 anos e chama Thiago.
Vamos conversando durante o caminho e percebo que ele não tira os olhos de mim pelo retrovisor. Ele é realmente lindo, mas nada que se compare ao meu Pitty.
Chegamos no prédio, e um edifício bonito e chique. Me despeço do Thiago e sigo para a portaria.
— Boa noite. Falo para o porteiro.
— Boa noite! Posso te ajudar?
— Sim, eu vim ver o Piter de Andrade Richielli, por favor!
— Você é a...?
— Melissa!
— Sim, Melissa... Ele já deixou seu nome aqui. Pode subir, é no quinto andar, apartamento 162.
— Obrigada.
Dentro do elevador, vou me arrumando como posso. Passo um gloss, arrumo o cabelo, ponho um pouquinho de perfume, e o elevador para no quinto andar.
Caminho até a porta do 162, com borboletas no estômago, meu coração acelera, enfim chegou a hora... Toco a campainha.
Escuto o barulho da chave, para em seguida me deparar com o Pitty na minha frente, mais lindo do que nunca.
— Pitty!!! Que saudade...Falo já pulando em seus braços, que por sua vez, me abraça apertado, me levantando do chão, para logo em seguida me puxar para dentro e bater a porta atrás de mim.
Já dentro do apê, me coloca no chão e diz:
— Meu Deus, o que você fez com a minha Melzinha, moça? Que mulherão é esse que eu não conheço? Indaga, segurando uma das minhas mãos e me olhando de cima em baixo.
— A Melzinha cresceu, meu bem, mas ainda estou aqui!
— Você está linda, princesa. Diz, me dando um beijo no rosto.
— Você também... Mais lindo do que sempre foi! Eu senti tanto a sua falta, Pitty. Falei novamente, pulando em seus braços fortes, que mais uma vez me ampararam com firmeza.
— Eu também senti sua falta, pequena. Falou, separando seu corpo do meu e me olhando nos olhos.
E assim, pela primeira vez, nossos olhares se encontraram num breve e delicioso olhar de homem e mulher, para logo em seguida ele se desvencilhar e mudar de assunto.
— Vem guardar suas coisas, você vai ficar no meu quarto e eu fico aqui na sala, porque como estou sempre sozinho, preferi um apê de apenas um quarto.
— De jeito nenhum, não vou tirar você do seu quarto. Eu fico na sala.
— De forma alguma, você é visita, fica acomodada no quarto.
— Sério mesmo que esses quatro anos me rebaixaram ao posto de visita?
— Não é isso querida, só quis dizer que devo te acomodar melhor.
— Negativo... Eu fico na sala e pronto, não vou tirar você do seu quarto.
— Esses quatro anos te deram foi uma teimosia que eu desconheço. Falou pegando a pequena mala da minha mão.
— Tudo bem, pode ficar na sala, já que prefere.
— Aí sim. Digo rindo.
Ele colocou minhas coisas numa mesinha no canto da sala e depois me mostrou o apartamento, que é bonito, grande, bem decorado e minimamente organizado.
— Pitty posso tomar um banho? Estou cansada da viagem.
— Claro que pode. Você quer sair para jantar ou quer pedir algo para comer aqui?
— Hoje eu prefiro pedir algo aqui mesmo, e amanhã podemos sair, pode ser?
— Você que manda... Comida italiana ou japonesa?
— Para mim, japonesa.
— Ok, vou pedir japa para nós dois, então.
Peguei as minhas coisas e fui tomar banho. Escolhi um pijama de shortinho curto e regatinha, com estampa de flor, para não ficar muito ousado, mas o suficiente para colocar meu plano de fazer ele me notar como mulher em prática.
Quando eu saí do banheiro, percebi que o plano havia funcionado, ele me olhou de cima em baixo, e eu, disfarçando, fui colocar minhas roupas na mala.
Quando virei de costas, eu pude sentir o olhar dele em mim, e quando virei para ele novamente, ficou sem graça e falou sobre a comida.
— Vamos comer?
— Já chegou?
— Já? Você demorou tanto que dava tempo do rapaz vir entregar mais duas vezes. Falou rindo.
Nós jantamos conversando animadamente sobre nossas vidas, depois fomos sentar na sala, continuando a conversa, até que ele fez uma pergunta que me deu uma brecha para falar sobre meus sentimentos.
— Você já tem namorado Mel?
— Ainda não... Eu gosto de um cara, mas ele não sabe.
— E por que você não fala para ele?
— Eu vou falar, só estou criando coragem... E você, tem namorada?
— No momento não... Cheguei agora no Brasil, ainda não deu tempo. Falou rindo.
— Sei... Se bem me lembro, você tem fama de nunca ficar sozinho.
— Mas estou! Tem uma doida me cercando, mas tô de boa, ela não faz meu tipo.
— E qual é o seu tipo?
— Não gosto de mulher vulgar, atirada, que se oferece para todo mundo... Gosto de mulher sexy, mas não vulgar.
— E essa é vulgar?
— É... Ela é vulgar nas roupas, nas palavras, no jeito de chegar nos homens, sabe? É gostosa, mas é vadia... Desculpa, isso não é coisa de eu estar falando para você.
— Por que não? Eu não sou mais uma menininha, não, Pitty.
— Eu sei, mas fico sem jeito.
— Pára, não precisa ficar, pode falar. É bom saber como é o gosto masculino... Então você não gosta que a mulher chegue em você?
— Não é isso, é o jeito de chegar de algumas mulheres que não me agrada. Eu gosto de mulher sexy, que se comporte bem em público e seja atirada só dentro de quatro paredes, entende?
— Dama na rua, puta na cama? Falei e já senti meu rosto queimar de vergonha.
— Sim! Ele disse, me olhando nos olhos. Minha vontade foi de agarrar ele, mas me limitei a passar a língua nos lábios e dizer:
— Entendi.
Agora quem ficou com vergonha foi ele, desviando o olhar de mim e olhando para o relógio de parede.
— Nossa, vamos dormir, Melzinha? Amanhã cedo vou para a academia, mas volto para te levar para almoçar, combinado? Falou levantando-se.
— Combinado.
— Então vou pegar travesseiro, lençóis e cobertor para você.
Após me ajudar com o sofá-cama, ele me deu boa noite e foi indo para o quarto dele.
— Pitty...
— Oi?
— Posso assistir um pouco mais de televisão?
— Claro! Fique à vontade.
— Obrigada.
Depois fechou a porta e eu falei baixinho:
—Pode deixar...Vou ficar bem a vontade aqui com você!
