O GAROTO QUE PODIA GERAR UM HERDEIRO

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Capítulo 4 O custo da obediência

Capítulo Quatro: O Preço da Obediência

Na manhã seguinte, a propriedade estava quieta.

Quieto demais.

Lucien não tinha permissão para sair do quarto desde a noite do acidente. Uma bandeja com comida fria tinha sido enfiada pela porta em algum momento antes do amanhecer. Ninguém falava com ele. Ninguém ia ver como ele estava. O silêncio era pior do que qualquer castigo. Parecia exílio.

O quarto dele, se é que dava para chamar assim, mal era maior que um depósito. A janela tinha grades. O colchão no chão era fino e cheio de caroços. A maioria das roupas dele tinha sido levada. A única coisa que ainda tinha era a corrente de prata que Cassian tinha lhe dado e o caderno na gaveta da escrivaninha, agora aberto numa página em branco.

Lucien ficou sentado no chão, com os joelhos puxados contra o peito, o caderno ao lado. Ele não escrevia. Não conseguia. Os pensamentos estavam pesados demais, altos demais.

Estavam ligando o nome dele a uma coisa que ele não fez.

De novo.

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Na casa principal, Gerard serviu uma bebida e ficou olhando pelas janelas altas do escritório. O jardim lá embaixo ainda estava molhado pela tempestade da noite anterior. O acidente já estava sendo manipulado. Ele tinha falado com três repórteres e comprado dois testemunhos. A história estava sendo limpa. Administrada. Controlada.

Era assim que o poder funcionava.

Cassian entrou sem bater. A mandíbula dele estava travada. O olhar, duro.

— Você não tinha esse direito — ele disse.

Gerard não se virou. — Vai levantar a voz pra mim, garoto?

— Ele não fez nada.

Gerard tomou um gole. — E ele concordou com a mentira.

— Porque você encurralou ele. Você ameaçou ele. Você não deu escolha.

Gerard finalmente se virou. — Esta família não sobrevive de sentimentos, Cassian. Sobrevive de poder, lealdade e estratégia. Você acha que eu gosto disso? Eu estou protegendo o que eu construí.

— Você está usando o seu próprio filho como escudo.

— Ele não é nada para este mundo. Você é tudo. Essa é a diferença.

Cassian deu um passo à frente. — Então eu não vou deixar ele levar a culpa. Eu vou contar a verdade.

Gerard ergueu uma sobrancelha. — Você vai destruir tudo. Os Kingsley nunca vão nos perdoar. Eles não toleram “acidentes”. Eles revidam. É isso que você quer?

Cassian hesitou.

— Amanhã você vai para a Suíça — disse Gerard. — Você vai cuidar dos meus negócios lá. Preciso de um braço direito por lá.

— Não.

A voz de Gerard baixou. — Se você ficar, eu vou matar o Lucien. Devagar. E ninguém vai me impedir.

Cassian não disse nada. Ele sabia que o pai não estava blefando.

— Me obedeça — disse Gerard. — Ou enterre o seu irmão.

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Naquela noite, Cassian tentou ver Lucien. Os seguranças não deixaram ele passar do corredor. A porta estava trancada por fora. Cassian deixou um bilhete dobrado com uma das empregadas e sussurrou:

— Coloca debaixo do caderno dele. Por favor.

Ele torceu para que ela fizesse isso.

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Do outro lado da cidade, Zayn Kingsley estava ao lado da cama de hospital da irmã.

Ela estava imóvel. O rosto, marcado de roxos. A perna esquerda engessada. Tubos e fios ligados a máquinas que apitavam em intervalos suaves.

Ele não tinha dito uma palavra desde que chegou. Nem para os médicos. Os seguranças dele esperavam perto da porta, em silêncio, tensos.

Por fim, o médico responsável deu um passo à frente.

— Senhor, ela sofreu uma concussão grave. O sangramento interno foi controlado, mas há danos na perna. A recuperação vai levar tempo.

— Ela vai acordar?

— Acreditamos que sim. Mas há risco de perda de memória de curto prazo. Estamos monitorando de perto.

Zayn não respondeu.

Ele estendeu a mão e afastou uma mecha de cabelo do rosto dela. Depois se endireitou e se virou para os homens.

— Descubram quem foi o responsável. Cada detalhe. Cada nome.

— Sim, senhor.

Ele saiu do hospital dez minutos depois.

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Na mansão dos Kingsley, a filha dele, Amy, correu para recebê-lo assim que ele entrou.

— Papai!

Ele a pegou no colo, apertou ela contra o peito e beijou a testa. — Você cresceu desde hoje de manhã.

Ela deu uma risadinha.

As duas esposas dele apareceram no grande hall.

— A gente soube da Selene — disse a que se chamava Daisy. — Ela está…?

— Está viva.

— Quem fez isso?

— Eu vou saber em breve.

Ele não parou para explicar. Foi direto para o escritório.

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Mais tarde naquela noite, o celular dele tocou.

— Senhor — disse o segurança —, encontramos uma coisa. O nome do garoto é Lucien Ainsworth. Dezessete. Ele pegou o carro.

Zayn parou.

— Ainsworth.

— Sim. O filho mais novo. Mantido escondido. O boato é que, publicamente, ele nem existe.

Zayn encerrou a ligação.

Ficou imóvel por um instante.

Então sussurrou:

— Então eles acham que conseguem esconder ele.

Ele serviu uma bebida. Tomou um gole.

E então arremessou o copo contra a parede.

— Tragam o Gerard Ainsworth. Eu quero uma reunião. E, quando encontrarem o garoto… não encostem nele. Só vigiem.

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De manhã, a tempestade já tinha começado.

E Lucien, ainda trancado no quarto, não fazia ideia de que o mundo, finalmente, estava começando a enxergá-lo.

Não como um fantasma.

Mas como um alvo.

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