Ele precisa de mim?
Exausta. Eu estava incrivelmente exausta, e isso nem era exagero. Fazia uma semana desde que eu tinha assinado o contrato, e eu nunca tinha me sentido tão drenada na vida.
Eu estava tentando dar conta de tudo ao mesmo tempo: entender a coleção e, ao mesmo tempo, adaptá-la ao estilo do senhor Roberto sem perder a minha própria identidade criativa. O único lado bom era que eu não tinha visto ele desde o dia em que o contrato foi assinado. Quase toda a minha comunicação tinha sido por meio da secretária dele, a senhorita Emily.
Ela me mandava as medidas dele, as preferências dele e cada informação de que eu precisava com uma precisão quase clínica.
E, sinceramente, o senhor Roberto parecia não querer absolutamente nada comigo. E, se eu fosse honesta, eu torcia para que continuasse assim.
— Você realmente precisa fazer isso? — Lilian reclamou atrás de mim. — Você está trabalhando sem parar e agora vai para a empresa num domingo.
— Eu preciso trabalhar, Lilian. Eu preciso — respondi, pegando minha bolsa e indo em direção à porta. — Além disso, eu não estou reclamando.
Lilian veio logo atrás.
— Mas eu estou. Isso está passando do limite. Você mal tem tempo pra gente esses dias. Você é a chefe...
— E eu sei que posso tirar folga no fim de semana — interrompi com calma, mas firmeza. — Só que eu gosto de trabalhar, Lilian. Isso não é uma coisa ruim. E eu também estou dando exemplo pros meus funcionários.
— Do jeito que está, eu acho que você só quer ficar longe da gente, e tudo bem — ela disse, se virando e voltando para o quarto.
Suspirei, sentindo o peso da situação apertar ainda mais meu peito. Já estava saindo do controle. Eu mal conseguia respirar sem ela me pedir para eu aparecer todos os dias. Eu amava os dois, amava mesmo, mas aquilo estava virando demais.
— Lilian, isso não é verdade — falei depressa, seguindo-a para dentro do quarto. — Eu amo você e o Greg. Eu só quero que vocês dois se orgulhem de mim.
Ela balançou a cabeça devagar.
— A gente já tem orgulho. Tudo o que a gente quer é que você esteja presente.
— Eu vim aqui seis vezes na semana passada, e hoje é domingo, começou uma semana nova — argumentei, passando a mão pelo cabelo, frustrada e exausta. — Eu nem durmo mais na minha casa. Eu passo quase todas as noites aqui. Como eu posso estar mais presente do que isso?
Lilian balançou a cabeça de novo.
— Não ia doer se você ficasse a semana inteira. Sábado e domingo também. E para de trabalhar no fim de semana. Por que você mora em outro lugar, afinal? Você vive fora, e isso me incomoda.
— Eu tenho vinte e quatro anos, Lilian — disse, com a voz ficando um pouco mais tensa. — Vinte e quatro. Eu sei cuidar de mim. Eu preciso que você entenda que eu não faço nada disso de propósito.
A expressão dela amoleceu um pouco, mas antes que pudesse responder, meu celular tocou.
Eu congelei, mas atendi.
— Anastasia Fisher.
— Eu sei muito bem quem você é. Você precisa vir ao meu escritório.
Eu me encolhi de leve, embora já soubesse exatamente quem era. Mesmo assim, por instinto, olhei a tela. Número desconhecido. Mas a voz era inconfundível.
— Eu... mas... hoje é domingo. Ainda é fim de semana — falei rápido.
— Você precisa estar aqui em vinte minutos — ele respondeu, seco, antes de desligar.
Sem espaço para discussão.
Soltei o ar devagar. Para falar a verdade, eu já sabia que eu estava forçando quando mencionei o fim de semana. Estava bem claro no contrato que eu tinha que estar disponível sempre que ele chamasse.
Lilian estava me encarando agora, com confusão estampada no rosto.
— Quem era? E por que você está tão pálida?
Eu forcei um sorriso.
— É só um cliente. Eu preciso ir agora, Lilian. Eu te ligo à noite. Fala pro Greg que eu mandei um oi.
Lilian cruzou os braços.
— Um cliente? Que tipo de cliente liga num domingo? Você está...
— Eu já estou atrasada — interrompi depressa. — Eu te ligo à noite.
Inclinei o corpo e abracei ela rapidinho, antes de sair correndo, antes que ela pudesse discutir mais.
A família Roberto era dona de várias frentes de negócios: empresas, restaurantes, escolas, boutiques, joalherias, shoppings, hotéis e muito mais. Eu já tinha ido a alguns restaurantes e boutiques deles, e tudo naquele império gritava controle e precisão.
Então, quando ele disse “escritório”, eu presumi que ele estivesse falando da sede — o prédio principal, onde tudo o que era sério acontecia.
Depois de estacionar o carro, eu desci e entrei na estrutura imponente. O prédio era luxuoso, mas rigidamente formal, o tipo de lugar que fazia você endireitar a postura por instinto. Era enorme, exatamente o que se esperaria de um império de bilionário.
Eu não estava nervosa, mas com certeza estava curiosa.
Lá dentro, pouca gente prestou atenção em mim, e eu fui grata por isso. A maioria estava absorvida no trabalho, se movendo com uma eficiência silenciosa.
— Você é a Srta. Emily? — perguntou de repente uma voz feminina.
Eu levei um susto leve antes de me virar. Uma morena baixinha estava atrás de mim. Eu assenti e ofereci um sorriso pequeno.
Ela me avaliou de cima a baixo por um instante e murmurou alguma coisa entre dentes. Eu franzi levemente a testa. Eu tinha certeza de que não estava malvestida. Eu usava um vestido preto ombro a ombro, na altura do joelho, com salto branco — alinhado, mas simples. Eu tinha planejado passar na minha empresa depois, caso ainda houvesse mais trabalho me esperando.
— Pediram para eu levá-la até o escritório do Sr. Roberto — disse ela. — Eu sou a secretária assistente dele.
Eu assenti, e ela se virou para me conduzir.
Depois do que pareceu umas cinco longas viagens de elevador, finalmente chegamos ao último andar.
A morena bateu na porta e, alguns segundos depois, o celular dela tocou. Eu presumi que fosse a confirmação, porque ela abriu a porta em seguida, sem hesitar.
O escritório era grande, muito mais formal do que eu tinha imaginado. Tudo lá dentro era elegante, minimalista e caro de um jeito silencioso e intimidante. Era sofisticado sem tentar impressionar ninguém.
— Bom dia, Sr. Roberto. Ela chegou — anunciou a morena.
Ele não levantou o olhar imediatamente. A atenção dele permaneceu nos documentos à frente.
— Registrado. Pode nos deixar.
Ela saiu do cômodo em silêncio, e a porta fez um clique ao se fechar atrás dela.
Agora éramos só nós dois.
O silêncio dentro do escritório parecia pesado, quase opressor. O único som era o risco constante da caneta no papel enquanto ele assinava documentos com uma precisão controlada.
Ele não me ofereceu um lugar para sentar.
Então eu fiquei em pé.
Por um bom tempo.
Até que, por fim, eu quebrei o silêncio.
— Com licença, senhor. Eu vejo que o senhor está ocupado, mas eu também estou. Eu preferia ir embora e ser chamada de volta quando eu realmente for necessária — eu disse, com calma.
Finalmente, ele ergueu os olhos.
Nossos olhares se encontraram.
E, por um momento, eu quase me esqueci de respirar.
O olhar dele era intenso, frio e desarmante. O rosto, tão anguloso e perfeitamente controlado como sempre. De repente, eu me senti consciente demais de mim mesma, quente demais sob aquele olhar, e ajustei sem perceber a forma como segurava a bolsa.
Ele ergueu levemente uma sobrancelha.
— Eu chamei você aqui por um motivo.
— Mas o senhor mal reconheceu a minha presença.
— Reconhecer a sua presença? — ele repetiu, seco. — De que forma? Você é apenas minha funcionária.
Ele voltou a assinar os documentos como se a conversa já tivesse terminado.
Eu tentei me recompor e manter o profissionalismo.
— Exatamente. Mas o senhor não me passou nenhuma tarefa desde que eu cheguei. O senhor precisa que eu busque as provas de roupa ou—
— Por favor, pare de falar — ele interrompeu, levantando o olhar de novo.
Os olhos dele prenderam nos meus.
— Eu não preciso de você.
O calor subiu pela minha nuca com aquelas palavras, e eu me obriguei a permanecer composta.
— Para fazer nada — ele completou, pousando a caneta e se levantando.
Ele era mais alto do que eu tinha processado de primeira, talvez tivesse um metro e oitenta ou mais, e a presença dele preenchia o cômodo por completo. O que mais me distraía, no entanto, era o porte dele, firme e autoritário de um jeito que parecia deixar o ar mais pesado.
Eu forcei o olhar para cima, focando no cabelo dele em vez do rosto.
Uma escolha mais segura.
— Está claramente escrito no contrato que você deve estar disponível sempre que eu chamar.
Eu assenti.
— Sim, senhor. Peço desculpas pela falta de profissionalismo.
— Eu vou voar para Nova York — ele disse, ignorando completamente o meu pedido de desculpas.
Eu pisquei.
— Certo. Boa viagem.
Ele inclinou a cabeça de leve, me estudando.
— Você vai comigo.
