O estilista do Mafia Don

Download <O estilista do Mafia Don> grátis!

BAIXAR

Cliente presidencial...

“Ah, não. Isso não pode estar acontecendo agora. Clara, foi exatamente isso que você me disse que não ia acontecer. Você me garantiu que não teria mais nenhuma reunião hoje. Eu estou exausta, isso não estava na minha agenda, e eu odeio ser pega de surpresa. Você sabe disso. Você e eu sabemos disso.”

Minha voz subia a cada palavra enquanto eu ia de um lado para o outro no meu escritório, os saltos estalando secos contra o piso polido. Clara tinha acabado de me avisar que eu deveria estar em outra reunião neste exato momento e que Mia precisou nos dar licença.

Outra reunião.

Só de ouvir essas palavras, a irritação rastejou por baixo da minha pele. Não era isso que a gente tinha combinado. Era para não ter mais nenhum compromisso hoje. Eu já tinha organizado a minha noite inteira na cabeça. Eu tinha planejado ir para a boate com a Mia e, se isso se arrastasse por mais tempo, eu ia me atrasar.

Clara veio na minha direção, aflita, torcendo as mãos.

“Eu sei que foi em cima da hora, e me desculpa mesmo”, ela disse depressa. “Eu não devia ter aceitado, mas aconteceu tudo no impulso. Eles ligaram no último minuto e insistiram que era extremamente importante. Eles estavam impacientes e, quando eu vi o e-mail, eles já estavam aqui, então eu não tive muita escolha. Parece que é a primeira vez que eles trabalham com a gente, e eu não quis que a gente causasse uma má primeira impressão. Eles prometeram que era urgente e que a reunião seria o mais breve possível.”

Eu parei de andar e me virei para encará-la.

“Ah, por favor. Não vem com essa conversa fiada, Clara.”

As palavras saíram mais frias que gelo.

“Você conhece a minha ética de trabalho. Você sabe o quanto eu odeio reunião em cima da hora. Eu não estou preparada para isso e eu nem sei que tipo de clientes eles são, pelo amor de Deus. O que exatamente você esperava que eu fizesse? Entrasse naquela sala sem saber de nada e ficasse lá sentada enquanto eles me dizem o que querem? Eu não sei quem eles são, o que fazem, nem que tipo de contrato estão trazendo para a mesa. Isso não dá, Clara. Você errou. Você errou feio dessa vez.”

Os dedos dela se embolaram, nervosos, enquanto ela olhava de relance para o relógio de pulso.

“Eles estão esperando há trinta minutos, senhora”, ela disse, baixo. “Eu sinto muito mesmo. Eu sei que isso não foi conduzido do jeito certo, mas talvez a senhora pudesse ao menos ouvir o que eles têm a dizer. Eles pareceram ser clientes muito importantes.”

Eu soltei o ar com força.

“Não é sobre o que eles ‘pareceram’, Clara. É sobre o fato de que eu não estou preparada para essa reunião.”

Eu cruzei os braços com força contra o peito.

“Todos os meus clientes são importantes para mim, não importa o tamanho do contrato. Você, mais do que ninguém, já devia saber disso. Eu só não estou com cabeça para mais uma reunião.”

Uma ideia me ocorreu, e eu me virei na direção da minha mesa.

“Tá. Faz o seguinte, então. Me substitui. Vai no meu lugar e diz para eles que eu estou ocupada. Isso deve comprar um tempo pra gente.”

Eu voltei para a minha cadeira e me sentei, assentindo para mim mesma.

Isso.

Isso seria melhor.

Pelo menos me daria alguma margem de manobra.

Talvez, assim, essa bagunça toda parecesse menos um desastre.

Por algum motivo, eu estava especialmente irritada hoje. Não era como se eu não soubesse o que dizer numa reunião. Eu tinha passado anos dominando a arte da conversa, da persuasão e da negociação.

Era a emboscada de tudo isso.

Eu já tinha organizado o meu dia na cabeça. Eu já tinha “fechado” o escritório mentalmente para a noite.

E agora isso.

Clara hesitou.

“Receio que não dá pra fazer isso, senhora.”

Eu levantei os olhos devagar para ela.

“Como assim, não dá?”

A voz dela ficou ainda mais baixa.

“Eles pediram especificamente por você. Eu não sei por quê, mas a mulher insistiu que você precisava estar presente. Eu me ofereci para te substituir, porque sei o quanto você odeia ser pega de surpresa, mas ela recusou. Disse que isso não é só um horário pra moda. Ela chamou de assunto sério. Eu perguntei se eles podiam voltar na segunda-feira, mas ela insistiu que era urgente. Falou alguma coisa sobre estar com um orçamento cronometrado. Eu não tenho muita certeza do que isso significa.”

Eu encarei Clara, incrédula.

“E, mesmo assim, você marcou uma reunião exclusiva sem me avisar antes.”

Minha voz saiu baixa agora, o que de algum jeito piorava tudo.

“Me diz, Clara… como exatamente isso soa pra você?”

Eu sabia que estava pegando pesado com ela.

Talvez mais do que o necessário.

Mas eu precisava.

A empresa não tinha chegado até aqui porque eu deixava as coisas passarem.

Erros aconteciam, sim, mas isso não era um descuido pequeno.

Era uma quebra de estrutura.

“Você precisa ser mais cuidadosa e mais profissional”, eu disse, firme.

“Horário é horário. Todo mundo tem que marcar. Ninguém entra aqui exigindo acesso a mim porque diz que é urgente ou porque está trabalhando com algum orçamento misterioso com relógio contando.”

Inclinei o corpo um pouco pra frente.

“Este lugar tem regras, Clara. Regras que existem por um motivo. Elas merecem ser seguidas, e vão ser respeitadas.”

O rosto dela desabou.

“Isso tem que ser a última vez que acontece uma coisa dessas. A última vez.”

Deixei o silêncio se assentar antes de continuar.

“Você está aqui como estagiária. Se eu não corrigir erros assim, eu vou estar falhando em te ensinar o básico pra ser uma secretária de verdade.”

Soltei o ar devagar.

“Agora vai lá e avisa que eu estarei lá em cinco minutos.”

Ela assentiu rápido e saiu do escritório.

No instante em que a porta se fechou atrás dela, eu enfiei o rosto nas mãos e soltei um suspiro longo, exausto.

Meu Deus, eu estava cansada.

A ideia de aguentar mais uma reunião longa e possivelmente dolorosa fazia o cansaço pressionar ainda mais o meu crânio.

Não me entenda mal — eu amava trabalhar.

Eu amava o que eu tinha construído.

Ninguém poderia me chamar de preguiçosa.

Mas reuniões de última hora?

Essas eram meu ponto fraco.

Eu funcionava como uma máquina movida a ordem, e no segundo em que essa ordem era interrompida, alguma coisa dentro de mim se contraía.

Me fazia sentir desorganizada e inquieta.

Como uma escuridão se infiltrando por baixo de uma porta perfeitamente fechada.

Peguei o celular e mandei uma mensagem rápida pra Mia, dizendo que eu ia ficar mais uma hora no escritório e talvez me atrasasse pra me arrumar.

Quando terminei, me levantei da cadeira e saí do meu gabinete, procurando a sala de reuniões.

O corredor parecia estranhamente silencioso.

A luz fraca projetava sombras compridas nas paredes, fazendo o andar inteiro parecer mais pesado, como se o próprio prédio estivesse prendendo a respiração.

Quando cheguei à sala de reuniões, parei do lado de fora da porta.

Por um momento, eu só fiquei ali, com uma mão na maçaneta polida, me obrigando a respirar.

Se recompõe, Ana.

Eu só esperava que aquela reunião fosse tão rápida e objetiva quanto o café da manhã que eu tinha tomado mais cedo.

Com uma respiração firme, empurrei a porta pesada e entrei.

Eu esperava o de sempre.

Um cliente padrão.

Uma consultoria com designer.

Talvez um executivo exigente, com gosto difícil.

Em vez disso, a visão que me recebeu me fez congelar.

Três homens impecavelmente vestidos ocupavam a sala, todos de terno escuro, perfeitamente alinhado, com cara de tão caro que dava até medo de encostar. A presença deles preenchia o espaço com uma autoridade inquietante — do tipo que não precisa se anunciar.

Ao lado, estava sentada uma mulher elegante, postura irrepreensível, composta, com uma expressão indecifrável.

O ar ali dentro parecia diferente. Mais escuro. Mais pesado. Perigosamente parado.

Meu coração falhou uma batida.

Um arrepio estranho desceu pela minha coluna e, por um instante absurdo, minha mente correu pra um lugar impossível.

Será que…

Será que o próprio Presidente do país era meu cliente?

Capítulo Anterior
Próximo Capítulo