O Dia em que Ela Parou de se Importar

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Capítulo 7

Quarto Particular VIP do Hospital

Sabrina, que vinha perambulando por todo lado, levou uma bronca daquelas de Alexander.

Ao perceber que os olhos dela voltavam a ficar vermelhos, o tom dele amoleceu na hora. “Acabei de falar com o diretor do hospital. Por segurança, vamos aproveitar e fazer um check-up completo em você.”

A expressão de Sabrina ficou um pouco rígida.

Na ânsia de incriminar Charlotte, ela tinha levado a encenação, no fim das contas, para um nível absurdo.

Então tratou de fazer uma cara de coitada: “Alexander, eu tô bem de verdade, só levei um susto… Sério, não precisa passar por esse trabalho todo.”

Mas Alexander estava sério demais: “De jeito nenhum. Eu vi como você ficou pálida agora há pouco. De qualquer jeito, você vai fazer um exame completo.”

Sabrina parou, a testa franzida, como se estivesse pensando, até que uma súbita percepção suavizou suas feições, deixando um ar de quem tinha entendido tudo.

Ela se agarrou ao braço de Alexander, manhosa, e balançou de leve: “Eu sei que você tá fazendo isso pro meu bem. Eu vou fazer do jeito que você mandar.”

Vendo a expressão dele aliviar, Alexander estendeu a mão para acariciar a cortina lisa do cabelo de Sabrina.

Mas Sabrina mordeu o lábio e o olhou com os olhos marejados: “Alexander, você é tão bom comigo. Se ao menos eu não tivesse prejudicado a Charlotte naquela época, e não tivesse sido obrigada a ir morar fora… então nós dois…”

O rosto de Alexander mudou de repente, e ele a interrompeu antes que ela terminasse: “Isso já ficou no passado. Aliás, você deve estar com fome também, né? Eu vou perguntar pro Owen o que ele quer comer.”

Sem esperar a resposta de Sabrina, ele saiu apressado.

No instante em que Alexander sumiu de vista, os traços suaves de Sabrina endureceram, e ela semicerrrou os olhos, agora com um veneno novo.

Com a relação dele com Charlotte já em ruínas, por que ele ainda se agarrava aos destroços, em vez de se voltar para ela?

Logo, Alexander voltou, com Owen.

Assim que Owen viu Sabrina, correu até ela, preocupado, e abraçou sua cintura com força: “Sabrina, ainda tá doendo? Eu fiquei tão preocupado agora há pouco.”

Sabrina sorriu e afagou a cabecinha dele: “Não tá doendo. Você tá com fome? Me conta, o que você quer comer?”

A barriga de Owen roncou na hora, como se respondesse.

Por ter uma digestão delicada, ele tinha como regra não perder nenhuma refeição no horário.

Então já estava com fome.

A preocupação com Sabrina só perdia para o medo que ele sentia; a expressão severa de Alexander era suficiente para manter a fome como um segredo silencioso.

Agora, ao ouvir Sabrina perguntar, a imagem de um frango frito cheiroso e tentador apareceu imediatamente diante dos olhos dele.

Charlotte tinha proibido terminantemente que ele comesse comida de fora, dizendo que essas coisas não tinham nutrientes suficientes e eram uma ameaça à saúde dele.

Então, esse tempo todo, ele vinha comendo as refeições que Charlotte preparava com todo cuidado, especialmente para ele.

Para garantir que Alexander e Owen comessem bem e em quantidade, Charlotte não só estudou combinações nutricionais como também treinou na cozinha por um tempo; então, embora o que ela fazia não desse pra chamar de alta gastronomia, o sabor era, sem dúvida, excelente.

Por mais benéfica que a comida fosse, a previsibilidade do prato dele tinha virado um fardo cansativo.

Assim, Owen juntou coragem e disse: “Eu quero frango frito…”

Antes que Owen terminasse, Alexander o cortou rápido: “Não. Sua mãe disse que, até você ficar totalmente bom, você não pode comer essas coisas.”

A boquinha de Owen fez bico na mesma hora.

Sabrina viu e já saiu em defesa dele: “A Charlotte só é nervosa demais. Na verdade, o Owen já tá grandinho; comer isso de vez em quando não tem problema nenhum.”

“Do jeito que vocês dois vivem proibindo ele disso e daquilo, vocês tão basicamente reprimindo a natureza dele.”

Alexander ficou em silêncio.

No instante seguinte, ele puxou o celular:

— Me diz: de qual restaurante você quer frango frito? Vou mandar o motorista buscar.

Enquanto Owen e Sabrina trocavam um olhar de comemoração e vibravam, um lampejo de satisfação gelada acendeu nos olhos de Sabrina; ela tinha o garoto exatamente onde queria.

Desde que ela entendesse Owen, Alexander acabaria aceitando-a mais cedo ou mais tarde.

Depois que o frango frito acabou, Alexander trouxe uma tigela de sopa, incentivando Sabrina a tomar, para fechar a refeição de um jeito mais leve.

Com Alexander e Owen observando cada movimento dela, Sabrina tomou alguns goles a contragosto, a testa bem franzida enquanto reclamava que mal conseguia engolir.

Alexander franziu a testa:

— Então o que você quer comer amanhã? É só falar, eu com certeza vou dar um jeito.

Mas Sabrina apoiou o queixo na mão, fazendo cara de quem estava pensando.

Aquela hesitação era teatro; Sabrina já tinha decidido o próximo passo, e envolvia Charlotte preparando sopa especialmente para ela.

Fazer Charlotte passar por aquilo tudo e, ainda por cima, ter que cuidar com todo cuidado das refeições da Sabrina — que nojo!

Pensando nisso, ela sorriu com doçura:

— Eu só quero tomar sopa feita pela Charlotte.

Alexander sorriu, complacente:

— Tá bom. Vou pedir pra Charlotte acordar cedo amanhã de manhã pra fazer a sopa, pra você se recuperar direito.

Mas Sabrina mostrou um ar hesitante:

— Mas aí eu vou incomodar a Charlotte de novo. E vai saber... talvez ela ainda esteja com raiva...

Alexander voltou a enfiar as mãos nos bolsos, confiante:

— Você é irmã dela. Além disso, foi ela que te assustou e te mandou pro hospital, então é obrigação dela cuidar de você.

Mas Sabrina logo saiu em defesa de Charlotte:

— Alexander, eu já te falei que não foi a Charlotte que me empurrou. Por que você não acredita em mim?

Uma calidez suave se espalhou por Alexander ao vê-la fazer bico; aquela pequena teimosia pareceu ao mesmo tempo engraçada e estranhamente fofa:

— Você é boa demais. Não é à toa que as pessoas vivem te passando pra trás.

Sabrina passou da raiva para a alegria, girando e abraçando a cintura de Alexander:

— Mas eu ainda tenho você pra me proteger, né? A não ser que você não queira mais cuidar de mim.

Diante da expressão manhosa de Sabrina, Alexander não sabia se ria ou se suspirava:

— Tá bom. Eu vou cuidar de você.

— Então está combinado. — Com isso, Sabrina enterrou o rosto no peito de Alexander.

Alexander hesitou por um instante, a determinação vacilando, mas no fim achou impossível se afastar dela.

Sabrina era tão bondosa que doía no coração.

Mesmo sendo maltratada, ainda defendia Charlotte.

Ele se lembrou de quando ela tinha acabado de se mudar para a família Spencer; ele achou que era ela quem perseguia Charlotte.

Mas depois, aos poucos, ele soube que, na verdade, era Charlotte quem se juntava com outros alunos na escola — principalmente a Jenna — sempre procurando oportunidade pra humilhar Sabrina.

E, ainda assim, Sabrina sempre queria proteger Charlotte e nunca falava mal dela.

Mais tarde, Charlotte, que sempre tinha gostado dele, foi obrigada a estudar fora para garantir o casamento arranjado.

Com aquela partida, eles perderam a chance...

Alexander se perdeu nesses pensamentos.

Só que, onde ele não podia ver, os olhos de Sabrina estavam cheios de cálculo...

Depois de acalmar Sabrina, Alexander e Owen ficaram com ela por um bom tempo antes de saírem do hospital.

Vendo os dois de costas, Sabrina curvou os lábios devagar num sorriso presunçoso.

“Charlotte, quer brigar comigo? Só na sua próxima vida”, pensou.

A Mansão dos Forbes.

Assim que Alexander entrou com Owen, viu Charlotte concentrada no jantar, sem nem levantar o olhar para eles.

E o que era ainda mais absurdo: na mesa de jantar só havia a comida e os talheres da própria Charlotte.

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