O Dia em que Ela Parou de se Importar

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Capítulo 4

Ao ler a mensagem, Alexander franziu a testa com força.

Que diabos a Charlotte estava fazendo?

Vantage Mall, o shopping mais sofisticado de River City.

Charlotte usava um vestido novo, leve e esvoaçante, enquanto saía de uma loja de grife com a melhor amiga, Jenna Hayes. As duas carregavam sacolas de todos os tamanhos.

— E aí? Se sente melhor depois de fazer compras? — Naturalmente elétrica, Jenna parecia até brilhar de empolgação.

Charlotte soltou um longo suspiro e sorriu.

— Sim, eu me sinto bem melhor… mas foi um pouco extravagante demais.

— Extravagante? — Jenna olhou para ela com desaprovação. — Você está casada com o Alexander há mais de seis anos, e tudo o que você gastou somado não chega nem perto do que ele gastou com uma única bolsa pra Sabrina! Charlotte, por favor, se imponha!

— Vamos pra próxima loja! A gente não vai parar até gastar dez milhões!

Mas Charlotte conferiu a hora.

— Chega de compras. O advogado deve estar chegando já.

Jenna lançou a ela um olhar exasperado e perguntou, com cautela:

— Você tem mesmo certeza sobre o divórcio?

— Tenho! — respondeu Charlotte, sem hesitar.

Jenna fez joinha, com um olhar de pena.

— E o Owen? A família Forbes provavelmente não vai deixar você ficar com ele…

Charlotte ficou em silêncio por um instante.

— O Owen… eu também não quero.

Jenna arregalou os olhos, chocada.

— Você vai abrir mão do seu filho?!

Charlotte olhou de volta para Jenna, calma.

— E por que eu não abriria? Ele e o Alexander amam a Sabrina.

Os olhos de Jenna se arregalaram ainda mais, e ela cuspiu as palavras, enojada:

— Ele também caiu no papo da Sabrina!

— Quando te empurraram e você entrou em trabalho de parto prematuro, você arriscou a vida pra ter ele. Depois você passou quase todos os dias em casa cuidando dele, ajudando ele a se recuperar. E no fim, ele escolheu a Sabrina em vez de você!

Vendo Jenna fervendo de raiva, Charlotte sentiu um calor no peito…

Comparada a Alexander e Owen, a quem ela tinha dedicado anos de sentimento e esforço, Jenna era quem realmente se importava com ela.

— Tá bom, se acalma. Eu não ligo mais pra eles.

— Sério? — Jenna parou, olhando para Charlotte com os olhos vermelhos, e de repente a abraçou. — Mesmo assim, eu fico com tanta pena de você. O que eu faço?

Levando várias batidas nas costas por causa das sacolas nas mãos de Jenna, Charlotte não sabia se ria ou se chorava.

— Vai, vamos descer e esperar o advogado.

Jenna enxugou discretamente o canto do olho. Voltou a conversar e rir, acompanhando Charlotte escada abaixo.

Nenhuma das duas percebeu que, do outro lado do shopping, alguém as observava fixamente…

A Mansão dos Forbes.

A notificação de pagamento tinha acabado de parar quando o telefone tocou de novo.

Era Sabrina.

Alexander apertou o botão de atender imediatamente.

Antes que ele conseguisse falar, a voz doce e cristalina de Sabrina soou:

— Alexander, adivinha quem eu acabei de ver no shopping?

Alexander perguntou:

— Quem?

Sabrina respondeu:

— A Charlotte.

A mão de Alexander se fechou em torno do celular, sem ele perceber.

— Onde ela está?

Sabrina lançou um olhar para Charlotte, que estava sentada de frente para um homem desconhecido, e pressionou os lábios vermelhos.

— No Vantage Mall.

Pouco antes, Jenna tinha ido embora por causa de uma urgência, deixando apenas Charlotte e o advogado que ela tinha indicado, Jared Evans, para continuarem discutindo o acordo do divórcio no café.

— Senhorita Spencer, a senhora gostaria de acrescentar mais alguma coisa? — Jared entregou para Charlotte, no notebook, os termos recém-redigidos.

Charlotte pegou o notebook e deu uma olhada. “Parece bom, sem problema...”

Antes que Charlotte terminasse, uma voz doce soou de repente atrás dela.

“Charlotte? O que você está fazendo aqui?”

Charlotte se virou e viu Sabrina num vestido branco, parada ali com uma expressão de surpresa feliz.

A expressão de Charlotte ficou fria. “O que eu estou fazendo aqui não tem nada a ver com você.”

Naquele instante, ao ver o novo visual de Charlotte, um lampejo de escuridão passou rápido pelos olhos de Sabrina.

Charlotte estava bonita demais!

Ela estava tentando chamar a atenção do Alexander de novo? Não, de jeito nenhum!

Apesar do ressentimento por dentro, Sabrina continuou com um ar frágil. “Charlotte, por favor, não leva a mal. Eu só perguntei por perguntar. Afinal, a essa hora você costuma estar em casa preparando o almoço pro Alexander e pro Owen.”

Então, como se de repente lembrasse de algo, Sabrina inclinou a cabeça e sorriu com inocência. “Ah! É verdade, e a minha sopa também.”

A voz de Sabrina era suave e delicada; com um sorrisinho no rosto, ela parecia uma menina inocente.

Em contraste, Charlotte parecia dura e um tanto fria.

Mas Charlotte percebeu a provocação e a zombaria escondidas nas palavras de Sabrina.

Ela ergueu o olhar devagar. Viu a satisfação nos olhos de Sabrina, que ela não teve tempo de disfarçar. “Quer sopa? Faz você mesma.”

A expressão de Sabrina mudou, mas ela logo mostrou um ar de pânico.

Ela deu um passo à frente e agarrou a mão de Charlotte, com a voz urgente. “Charlotte, eu falei alguma coisa errada de novo? Por favor, não fica brava...”

De repente, Sabrina parou, se inclinou para perto do ouvido de Charlotte e baixou a voz. “Na verdade, ficar brava não adianta. Eu já te falei: o papai é meu, a família Spencer é minha e, no fim, o Alexander também vai ser meu...”

Olhando para Sabrina, que já não escondia a provocação no olhar, Charlotte de repente se lembrou de uma cena de anos atrás...

River City, na rua principal.

Numa ponta da rua, sua mãe, Lynn Talbot, segurava a mão da Charlotte de dez anos.

Na outra ponta, Charles Spencer segurava Sabrina com uma mão e a amante, Jasmine Lawson, com a outra, tão íntimos como se fossem a família de verdade.

No confronto silencioso, Sabrina de repente largou Charles e veio correndo, pegando a mão de Charlotte com carinho.

Charlotte abaixou os olhos para a mão que estava sendo segurada, sentindo-se meio perdida.

Foi então que Sabrina se aproximou do ouvido dela e disse, com uma voz que deveria ser inocente, as palavras mais cruéis do mundo: “Por que sua mãe ainda não morreu? O papai disse que, quando ela morrer, ele vai trazer a mamãe e eu de volta pra família Spencer, e aí o papai e tudo na família Spencer vão ser meus.”

Com a voz infantil e cruel de Sabrina ecoando na mente, Charlotte finalmente não aguentou e puxou a mão de volta. “Solta! Você me dá nojo!”

Inesperadamente, Sabrina passou os olhos rápido em volta, soltou um grito de repente e caiu para trás, reta.

E, como previsto, antes que Charlotte conseguisse reagir, uma figura alta correu e segurou Sabrina bem na hora em que ela ia cair.

“Sabrina! Você está bem?”

O rosto de Sabrina estava pálido, como se estivesse assustada. Quando ela viu quem era, os olhos se encheram de lágrimas de indignação. “Alexander, eu tô bem. A Charlotte não me empurrou.”

Só então Alexander seguiu o olhar dela até Charlotte, com o tom cheio de impaciência. “Charlotte, pede desculpas!”

Owen, que tinha chegado logo depois, também ficou ao lado de Sabrina, com a testa franzida, as mãozinhas na cintura. “Mãe, por que você tá implicando com a Sabrina de novo? Pede desculpas agora!”

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