o amor proibido do atacante

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Capítulo 5 Duas Mensagens Não Lidas

Mia não olhou o telefone até o trabalho extra de condicionamento finalmente, misericordiosamente, acabar pernas tremendo, pulmões queimando, a equipe inteira espalhada pelo campo como se tivesse sido jogada ali de uma grande altura.

Sentou-se pesado na grama, pegou a bolsa e encontrou a tela já acesa antes mesmo de desbloquear.

Duas mensagens. Mesma conta bloqueada.

“Isso não é possível.” Mia murmurou, encarando a tela como se ela a tivesse traído pessoalmente.

“O que não é possível?” Priya perguntou, jogando-se ao lado dela, encharcada de suor, completamente alegre demais para alguém que acabara de correr suicídios por vinte minutos seguidos.

“Nada.” Mia disse, o polegar já se movendo para abrir as mensagens apesar de cada instinto dizer para não fazer, não ali, não com gente por perto.

Bloquear não funcionou? Fofo. Número novo, mesmo eu.

Você estava boa aí esta manhã. Ele estava melhor te observando.

O estômago de Mia despencou tão rápido que quase levou o almoço junto.

“Você ficou da cor de leite velho.” Priya disse, semicerrando os olhos para ela. “Essa não é uma cor normal para uma pessoa humana.”

“Estou bem.” Mia disse, o telefone agora virado para baixo no joelho, o coração fazendo algo errático e inútil.

“Você fica dizendo isso. Continua não sendo verdade.” Priya disse, não sem gentileza, apoiando-se no cotovelo para olhar Mia de verdade.

“Sério. O que está acontecendo?”

Mia abriu a boca para desviar de novo, e então, por razões que não conseguia explicar nem para si mesma, não desviou.

“Alguém está me mandando mensagens estranhas. Sobre mim e o técnico.” Mia disse, voz baixa, olhando em volta para ter certeza de que ninguém mais estava perto o bastante para ouvir. “Eu bloqueei a conta. Eles voltaram com uma nova.”

O sorriso fácil de Priya sumiu, substituído por algo mais sério. “Estranhas como?”

“Como se estivessem nos observando. Como se soubessem coisas que não deveriam.” Mia disse, e falar em voz alta fez parecer mais real do que tinha parecido sentada sozinha na cozinha à meia-noite, o que de alguma forma era pior.

“Você acha que é alguém do time?” Priya perguntou, quieta agora, olhando instintivamente para o resto da equipe ainda espalhada pela grama.

Mia seguiu o olhar sem querer, pousando por apenas um segundo tempo o bastante para se sentir culpada em Sofia, sentada um pouco apartada do grupo, garrafa de água na mão, olhar em algum outro lugar.

“Não sei.” Mia disse honestamente. “Realmente não sei.”

“Você deveria contar para alguém. Tipo, alguém de verdade. Não só eu.” Priya disse, e pela primeira vez não havia uma piada esperando atrás.

“Contar o quê? Que uma conta anônima acha que eu sou amigável demais com meu próprio técnico?” Mia disse, rindo sem nenhum humor real. “Isso vai cair bem.”

“Melhor do que ser pega de surpresa depois.” Priya disse, dando de ombros, o que era irritantemente um ponto justo.

Mia não tinha uma boa resposta para isso, então não tentou dar uma. Levantou-se em vez disso, tirando grama do short, usando o movimento como desculpa para encerrar a conversa antes que fosse para um lugar que ela não estava pronta para seguir.

O treino daquela semana correu do jeito que todos os treinos de Daniel corriam como se o homem tivesse levado ofensa pessoal ao conceito de um minuto desperdiçado.

Segunda foi condicionamento e trabalho de forma. Terça foram bolas paradas repetidas tantas vezes que Mia poderia ter executado a rotina de escanteio de olhos vendados, meio dormindo, possivelmente debaixo d’água. Quarta o resmungo começou de verdade.

“Ele vai nos correr até o chão antes mesmo de sábado chegar.” Sofia disse na mesa de água, limpando o suor do rosto com a barra da camisa, a voz direcionada para o grupo em vez de alguém em particular. “Tem preparação e tem exaustão. Estamos mais perto da segunda.”

“Ele sabe o que está fazendo.” Mia disse, mais defensiva do que pretendia.

“Claro que sabe.” Sofia disse, levantando uma sobrancelha, não sem gentileza, só observadora do jeito específico que Sofia parecia estar ultimamente. “Você saberia melhor do que a maioria de nós, eu acho.”

Algumas das outras jogadoras riram, e Mia sentiu o rosto esquentar apesar de não ter absolutamente nada do que se envergonhar, nada que alguém pudesse apontar, nada que tivesse realmente acontecido, não importa o que uma conta anônima com dois números descartáveis quisesse implicar.

“Eu chego no horário. Esse é o segredo inteiro.” Mia disse, mirando em leveza e acertando na maior parte.

“Ooh. Escandaloso.” Sofia disse, travessa, e o grupo riu de novo, mais fácil desta vez, a tensão se dissolvendo de volta na conversa comum de time do jeito que costumava.

A voz de Daniel cortou o campo antes que Mia pudesse se relaxar de verdade nisso. “Pausa de água acabou. Formem para o drill de passe.”

A equipe gemeu quase em uníssono, o gemido específico de vinte e duas mulheres que já tinham corrido mais naquela semana do que na maioria das semanas juntas, e se arrastaram de volta para a formação. Mia se alinhou ao lado de Sofia, perto o bastante para bater ombros, um velho hábito de antes de qualquer uma ter motivo para observar a outra por qualquer coisa.

“Ei.” Sofia disse, baixo, só entre elas, enquanto trotavam para a posição. “Pelo que vale, eu estava brincando antes. Sobre a coisa do técnico.”

“Eu sei.” Mia disse, e na maior parte quis dizer.

“Você me contaria, porém. Se tivesse realmente alguma coisa.” Sofia disse, não exatamente uma pergunta, observando o rosto de Mia um segundo a mais do que era confortável.

“Não tem nada para contar.” Mia disse, e odiou, imediata e completamente, o quão praticada a mentira já tinha começado a soar saindo da boca.

Sofia não pressionou mais. Só acenou, trotou à frente para pegar a marca, e deixou Mia parada ali meio segundo a mais do que o drill realmente permitia, girando a troca na cabeça, tentando decidir se tinha imaginado o lampejo de algo ilegível cruzando o rosto de Sofia logo antes de ela desviar o olhar.

O treino continuou. Daniel gritava correções, ajustava forma, os fazia passar pela mesma sequência de passe quatro vezes até finalmente encaixar do jeito que ele queria. No apito final, a equipe inteira estava destruída de um jeito bom e honesto, pernas pesadas, mentes quietas, o tipo satisfatório de cansaço que vinha de trabalho bem feito em vez de trabalho que apenas sobreviveu.

Mia estava pegando a bolsa quando Daniel caiu no passo ao lado dela, a voz baixa o bastante para não ser para mais ninguém.

“Torres. Meu escritório. Dois minutos.” Disse, já andando, sem esperar a resposta dela.

O estômago de Mia fez a mesma queda desagradável que já tinha feito duas vezes naquele dia.

“Isso é sobre a agenda de novo?” Ela gritou atrás dele, só meio brincando.

Ele não respondeu. Continuou andando, e algo sobre o silêncio dele medido, deliberado, nada parecido com a franqueza habitual contou a ela que aquela conversa não ia ser sobre cones ou planos de condicionamento ou qualquer coisa remotamente tão simples.

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