o amor proibido do atacante

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Capítulo 4 O Joelho Que Acabou com Tudo

“Você chegou cedo.” Daniel disse, sem levantar os olhos da pasta aberta no banco à sua frente. “Bom.”

“Você me disse para chegar.” Mia respondeu, largando a bolsa perto da cerca, o coração ainda martelando depois dos vinte minutos de carro passados se preparando para o pior. “O que está acontecendo? Sua mensagem fez parecer que o prédio estava pegando fogo.”

“Nada está pegando fogo.” Daniel disse, e finalmente levantou o olhar, e o que quer que Mia tivesse se preparado, não era a expressão quase envergonhada no rosto dele. “Adiantaram o jogo. O confronto contra o Brantford foi para sábado em vez da semana que vem. Conflito de agenda do lado deles.”

Mia piscou. “Só isso? Essa é a emergência?”

“Precisava ajustar o plano de treino da semana inteira antes da equipe chegar.” Daniel disse, gesticulando para a pasta como se explicasse tudo, o que, para ser justo, de certo modo explicava. “Não queria jogar isso em cima de vocês todas às sete da manhã sem aviso.”

“Então me mandou mensagem às seis da manhã em vez disso. Ótimo sistema.” Mia disse, alívio e irritação brigando pelo controle da voz ao mesmo tempo, pousando em algum lugar no meio.

“De nada.” Daniel respondeu, e desta vez não havia como errar a pequena curva satisfeita no canto da boca dele.

Mia ficou ali mais um segundo, a adrenalina saindo de uma vez, deixando-a estranhamente tonta. Passara a viagem inteira convencida de que aquilo era sobre as fotos convencida de que ele tinha encontrado a mesma imagem granulada que ela, convencida de que aquela era a conversa em que dois anos de trabalho se desfaziam em silêncio. Em vez disso, era uma mudança de agenda. Uma mudança de agenda completamente normal, chata, de técnico.

“Você está bem?” Daniel perguntou, inclinando a cabeça, olhando para ela de verdade agora em vez da pasta. “Parece que veio correndo.”

“Estou bem.” Mia disse, rápido demais, exatamente do jeito que tinha dito ao irmão na noite anterior.

“Certo.” Daniel disse, claramente não acreditando, claramente decidindo não pressionar. “Bem. Já que você está aqui cedo de qualquer forma, me ajuda a colocar os cones para o drill de forma. Pelo menos o texto das seis da manhã vale alguma coisa.”

Trabalharam em silêncio por alguns minutos, arrastando cones em formação pela grama molhada, o céu ainda fazendo aquela coisa cinza pálida que fazia antes do sol realmente se comprometer a aparecer.

Mia se pegou observando-o pelo canto do olho o jeito cuidadoso com que ele alinhava cada cone, como se a precisão importasse mesmo para algo tão pequeno, como se qualquer descuido fosse uma rachadura que deixasse entrar descuido maior.

“Posso te perguntar uma coisa?” Mia disse, antes de ter decidido de verdade.

“Depende do que é.” Daniel respondeu, sem levantar os olhos do cone na mão.

“Por que futebol? Quero dizer, por que treinar. Você claramente poderia ter feito algo mais fácil.” Mia disse, gesticulando vagamente para toda a operação exaustiva ao redor deles, os cones, as manhãs cedo, a equipe de vinte e duas mulheres que cada uma achava que merecia mais tempo de jogo do que estava recebendo.

Daniel ficou quieto por um segundo, mais tempo do que a pergunta realmente precisava.

“Joguei profissionalmente por seis anos.” Disse finalmente, a voz mais plana que o normal, como se estivesse lendo de um cartão em vez de lembrar. “Meio-campista. Bom, na verdade, se você perguntasse a alguém na época.”

“O que aconteceu?”

“LCA. Ruptura total, os dois ligamentos, durante um jogo que nem importava tanto assim.” Daniel disse, e havia algo na forma como ele disse “nem importava tanto assim” que contou a Mia que tinha importado bastante, até o momento em que deixou de importar.

“Vinte e oito anos. Os cirurgiões disseram que eu poderia voltar se quisesse lutar por isso. Os fisioterapeutas disseram a mesma coisa, e na verdade acreditavam um pouco mais.”

“Você lutou por isso?”

“Por um ano.” Daniel disse. “O ano mais difícil da minha vida, e eu cresci com quatro irmãos que achavam que comer competitivamente contava como esporte, então isso já diz bastante.”

Mia riu apesar de si mesma, e Daniel quase sorriu, o canto da boca fazendo aquela coisa de novo.

“O joelho nunca voltou por completo.” Continuou, mais quieto agora. “Não ao nível profissional. Eu poderia ter continuado jogando em algum lugar menor, em algum lugar onde ninguém se importasse se eu estivesse a oitenta por cento em vez de cem. Mas eu não queria ser os minutos de caridade de alguém. Eu queria ser bom ou queria estar acabado.”

“Então você escolheu acabar.”

“Eu escolhi treinar.” Daniel disse, corrigindo-a gentilmente. “O que pareceu desistir por cerca de seis meses, e depois deixou de parecer. Acontece que eu gosto mais disso do que jamais gostei de jogar. Gosto de ver alguém melhorar por causa de algo que eu notei e ela não. Isso pareceu suficiente.”

Mia não disse nada por um momento, girando aquilo na cabeça, surpresa com o quanto aquilo pousou em algum lugar real no peito. Ela tinha assumido, sem nunca realmente examinar a suposição, que a rigidez de Daniel vinha de algum lugar frio e sem alegria. Regras pela regra. Agora parecia mais algo que uma pessoa constrói para si depois de ver a coisa que amava ser tirada uma vez, tijolo por tijolo cuidadoso, para que não acontecesse da mesma forma duas vezes.

“É por isso que você é tão…” Mia começou, procurando a palavra.

“Insuportável?” Daniel ofereceu, seco, ecoando a própria palavra dela de dois dias atrás.

“Eu ia dizer rigoroso.” Mia disse, lutando contra um sorriso.

“A mesma coisa, do seu ponto de vista, provavelmente.” Daniel disse, e desta vez sorriu de verdade, só um pouco, só o suficiente. “Eu não dobro as regras porque dobrá-las uma vez significava que provavelmente dobraria de novo. E de novo. Até não sobrar nenhuma regra que valesse a pena ter. Construí toda essa filosofia de treinamento em cima de não querer perder o controle de algo uma segunda vez.”

“Isso parece exaustivo.” Mia disse honestamente.

“É.” Daniel admitiu. “Mas é meu. Ninguém pode tirar a disciplina de mim do jeito que tiraram o joelho.”

A equipe começou a chegar atrás deles, vozes e chuteiras no cascalho, o momento se fechando do jeito que esses momentos sempre pareciam se fechar quietamente, antes que qualquer um dos dois pudesse examiná-lo de perto demais.

Daniel se endireitou, a pasta de volta sob o braço, o rosto de técnico deslizando de volta no lugar como uma máscara que ele guardava no bolso de trás exatamente para esse propósito.

“Enfim.” Disse, a voz voltando ao registro brusco de sempre. “Mudança de agenda. Trabalho extra de condicionamento hoje para compensar a janela de preparação mais curta. Não me odeie demais.”

“Eu já te odeio bastante.” Mia disse, seca de volta para ele, e desta vez os dois riram de verdade, quietos e reais, antes do resto da equipe chegar perto o bastante para ouvir.

Ela pegou o último cone e correu para a posição, sentindo-se mais leve do que a manhã inteira mais leve do que se sentira desde que a conta anônima mandara a primeira foto, honestamente, como se algo no peito tivesse se soltado só de ouvi-lo falar sobre o joelho, o medo, o ano que passou lutando por algo que nunca voltou por completo.

Ela não notou Sofia observando os dois da beira do campo, braços cruzados, expressão ilegível, até o treino já estar bem adiantado.

E definitivamente não notou, enfiado na bolsa de ginástica onde ela tinha empurrado de manhã sem pensar, que o telefone tinha acendido mais duas vezes desde que ela chegou, com a mesma conta bloqueada, de alguma forma já de volta apesar de tudo o que Marcus tinha dito para ela fazer.

Duas mensagens novas. Ambas não lidas. Ambas esperando.

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