Minha Mãe Me Drogou para Coroar Meu Irmão

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Capítulo 1

Minha mãe só fazia o chá da noite para mim. Nunca para o meu irmão — só para mim, todas as noites, porque eu era a talentosa, a filha com quem ela "se preocupava".

Na noite anterior à prova da bolsa de estudos, minha única chance de entrar na faculdade, ela me trouxe uma xícara como sempre.

No dia seguinte, desabei no meio da prova. Eu nunca tinha ficado doente um dia sequer na vida. Reprovei.

Não se preocupe, ela disse. Vamos tentar de novo no ano que vem. E, todas as noites, ela continuou me fazendo aquele chá.

No segundo ano, caí de novo. No terceiro ano, de novo. Três vezes fiz aquela prova, três vezes meu corpo me abandonou no pior momento possível.

A cidade inteira começou a me chamar de a garota que desmaia. A gênia que quebra sob pressão. A piada da família.

E meu irmão — que copiava meu dever de casa e nunca terminava de ler um livro — de alguma forma ficou com tudo.

Eu nunca entendi por que meu corpo desmoronava toda vez que realmente importava.

Essa era minha última chance. Por dias, mal comi, apavorada com a possibilidade de aquilo acontecer de novo.

Então, na noite anterior à prova, minha mãe entrou com uma xícara de chá…


Eu nunca entendi por que meu corpo falhava toda vez que eu fazia a prova Merritt.

No primeiro ano, desmaiei no meio da prova. Num segundo eu estava resolvendo uma questão; no seguinte, a sala girou e tudo escureceu. Me carregaram para fora numa maca com metade da prova ainda em branco.

No segundo ano, nem cheguei tão longe. Sentei, a página começou a ficar turva, e depois não houve mais nada.

A essa altura, a cidade inteira já me conhecia como a garota que desmaiava. Melhor nota em todos os simulados, em todas as provas preparatórias — e um desastre no momento em que valia de verdade.

Amanhã seria minha terceira tentativa, e a última. Aquela prova era a única forma de eu conseguir pagar a faculdade e, depois de dois colapsos, ninguém além de mim ainda achava que eu conseguiria.

A porta do meu quarto se abriu.

"Ainda acordada, Sloane? Fiz um chá para você. Beba enquanto está quente e vá dormir."

Minha mãe entrou com uma caneca fumegante, sorrindo daquele jeito suave e caloroso de sempre. Ela a colocou na minha escrivaninha e afastou o cabelo do meu rosto.

"Você se esforça demais. Não me importa como você vai se sair amanhã. Eu só quero que você esteja saudável. Beba isto, durma um pouco, faça o seu melhor. Só isso que eu peço."

O chá tinha um cheiro doce, como sempre. Minha boca encheu de água.

E alguma coisa dentro de mim disse, alta e claramente: não.

Nos dois anos anteriores, ela tinha me trazido aquela mesma caneca na noite anterior. Nos dois anos, eu tinha bebido até a última gota. Nas duas vezes, acordei numa cama de hospital com a prova já terminada.

"O que está demorando tanto?" Meu irmão, Cole, apareceu encostado na porta, mascando chiclete. "Ela faz chá para você toda noite. Acha que isso sai de graça?" Ele sorriu de lado. "Se eu tivesse desmaiado duas vezes, já teria desistido e arranjado um emprego. Você podia beber um galão dessa coisa e ainda assim engasgaria."

"Cole." A voz da minha mãe continuou suave. "Não fale assim com a sua irmã." Então ela se virou de novo para mim, gentil outra vez. "Não dê ouvidos a ele. Vá em frente, beba. Eu espero e levo a caneca."

Olhei para todo aquele amor no rosto dela, e meu estômago revirou.

Peguei a caneca e me forcei a sorrir. "Está quente demais. Deixa eu esfriar um pouco primeiro."

"Frio vai fazer mal para o seu estômago, e amanhã você tem a prova." A voz dela ganhou um tom mais duro, e os olhos baixaram para a caneca nas minhas mãos. "Beba. Eu vou esperar."

Um arrepio gelado subiu pela minha espinha.

Ergui a caneca, depois fingi uma tosse na manga. "Desculpa — meu estômago está meio estranho. Você pode pegar um pouco de água morna para mim primeiro? Eu bebo logo depois."

Ela franziu a testa, avaliando se eu estava mentindo. Então suspirou. "Você dá muito trabalho." E saiu.

No segundo em que os passos dela desapareceram pelo corredor, eu me mexi.

Puxei a garrafa vazia que tinha escondido debaixo da escrivaninha e despejei o chá dentro — rápido, escutando se ela voltava pela escada — tudo, exceto uma película fina no fundo da caneca. Tampei a garrafa e a enfiei debaixo das roupas na minha mochila.

Quando ela voltou com a água, eu estava limpando a boca, estendendo a caneca vazia para ela. "Terminei."

Ela examinou a película no fundo por um segundo. Então os ombros relaxaram, e ela sorriu — sorriu de verdade dessa vez.

"Boa menina. Vá dormir." Ela parou na porta. "Amanhã tudo isso vai acabar."

A porta se fechou com um clique. Os passos dela se afastaram.

Fiquei sentada ali, tremendo. Tirei a garrafa de novo, enrolei-a numa camiseta e a enfiei o mais fundo possível na bolsa.

Dois anos. Dois colapsos. Uma cidade inteira convencida de que havia algo errado comigo.

Mas, dessa vez, eu não tinha tocado no chá.

Dessa vez, eu disse a mim mesma, nada podia dar errado.

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