Meu irmão é meu companheiro

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Casa.

“Agora, venha comigo; está na hora de encontrar os anciãos do clã. Todos eles querem ver você coroada como a princesa do reino.”

Suspirei e a segui até o clã.

Eles querem me ver. Pra quê? Pra eu beijar os pés deles, é isso? Eu nem consigo usar meus poderes. Por que eles querem ver alguém como eu e me coroar como princesa do reino?

Não é como se eu não fosse a princesa do reino; é mais como se quisessem me coroar por reconhecimento, pra que todo mundo soubesse que eu sou a princesa do reino, blá, blá e blá.

E também usar essa oportunidade pra eu cumprir meus deveres e encontrar meu companheiro.

Blá. Blá. Blá.

É só por isso que querem me ver: anciãos enrugados do conselho, todos sentados com Alfas jovens e musculosos, discutindo umas coisas entre si e bloqueando o caminho até a cerimônia de acasalamento.

“Ah, ai… Alfa, mais forte”, quem quer que fosse, gritava como um porco. Que irritante.

Como se os anciãos soubessem o que estava acontecendo, fecharam o portão gigantesco, branco e de grife, pra abafar o barulho.

Ainda bem.

Não aguento ouvir esses sons e espero não virar um dia aquela pessoa nojenta que grita no quarto.

Que a deusa da lua se dane, eu vou desmaiar.

Fui até a minha mãe e me sentei no meu lugar, perto dela, bocejando e entediada com toda aquela cena.

Se eu estivesse só no celular, isso teria sido bem melhor pra mim.

Eu odeio essa reunião; queria saber o que eles estavam discutindo.

“Ei, mana”, disse Alex, vindo até mim e sentando ao meu lado com um sorriso no rosto.

Ele precisava de alguma coisa de mim; eu sabia. Sempre que ele precisava da minha ajuda, era assim que ele se comportava.

Alex é um garoto de sete anos que tem cabelo totalmente prateado e branco e olhos azuis.

Ele era baixinho, com lábios rosados e traços marcantes, e tinha as mesmas semelhanças do meu pai. É animado e otimista, mas adora ser bruto e é bem bagunceiro.

Hoje ele faz cara de fofo. No dia seguinte, é um pirralho teimoso.

Ele é meu irmãozinho e um Alfa.

A única coisa que nossa família tem em comum são os olhos azuis. Pelo que descobri, é a fonte do nosso poder, eu acho. Mas meus olhos são diferentes porque eu ainda não me transformei.

“O que foi, Alex? Não me enche.” Eu sabia aonde aquilo ia dar.

“Eu quero usar seu celular só por cinco minutinhos pra ver o jogo novo que acabou de sair; o Ace quer que eu confira a versão.”

Ace era o melhor amigo dele e parceiro de crimes.

“Você tem celular; por que não usa o seu?”

“Por favor, a mãe não me deixa usar o Wi-Fi; ela desligou.” Ele choramingou.

“Isso é porque você usa mais do que a mãe consegue pagar”, eu ri. “Não vou te emprestar; bem-feito.”

“Isso não é justo, mana.”

“É justo, sim”, eu argumentei.

“Se você não me der, eu vou contar pra mãe que você estava lendo aqueles mangás de novo.”

Ele quase gritou, e eu logo tapei a boca dele com as mãos e sussurrei com firmeza: “Fica quieto; a mãe vai te ouvir. Eu não estou lendo nenhum mangá.” Eu neguei.

Ele tirou minhas mãos da boca.

“Então, por favor, deixa eu pegar; não vou ficar muito tempo.”

“Vai lá”, eu finalmente desisti. Então algo me atingiu: percebi que eu não tinha fechado direito o episódio do mangá BL com cena de sexo no meu celular.

Merda!

Eu me levantei depressa. Vi meu irmão vindo na minha direção, e uma euforia tomou conta do meu corpo inteiro. Esquecendo por que eu tinha levantado em primeiro lugar, fui até ele para abraçá-lo.

“GERARD!”, eu guinchei, empolgada.

“Ei, gatinha, como você tá?” Ele riu e me beijou no pescoço enquanto me abraçava e me erguia nos braços.

“Eu tô bem. Bem-vindo de volta, mano. Eu tava morrendo de saudade”, eu disse, alegre, sentindo o calor dele no meu peito quando ele me pôs de volta no chão. Ainda assim, eu o abracei; eu não queria que ele fosse embora. Eu tinha medo de que, se eu o soltasse, não fosse vê-lo de novo.

“Ei, para de me abraçar tão forte; você vai me derrubar. Tá todo mundo olhando.”

Mas ele era mais alto do que eu; como é que eu ia derrubar ele?

“Eu tô bem. Onde você esteve? Faz tanto tempo que eu não te vejo, Gérard. Você nem se deu ao trabalho de me ligar.”

“Mas eu ligo pra você com frequência, princesa.”

“Podia ligar todo dia; não é o suficiente”, eu retruquei.

“Eu tenho estado tão ocupado, Oceana; por isso eu não ligo todo dia.”

“O seu trabalho é muito mais importante do que o meu bem-estar?”, eu rebati, irritada.

Ele deu uma risadinha. “Não, meu amor, eu só me deixei levar pela correria. Eu resolvi as coisas e vim te ver.”

“É mesmo?”, questionei, erguendo as sobrancelhas.

“É. Tá com saudade de mim?”, ele riu.

“Claro que tô, muita. Eu te amo.” Eu beijei a bochecha dele no instante em que ele se abaixou de novo e me abraçou.

“Eu também tô com saudade, e eu te amo mais, bebê”, ele murmurou, chegando perto do meu ouvido.

“Por que você foi embora? Antes de eu conseguir acordar, a mãe e o pai disseram: ‘Vocês dois já tinham ido’”, eu expliquei.

“Desculpa, a gente saiu sem te avisar. Eu não quis te incomodar.”

“Mentiroso.” Dei um tapa no ombro dele enquanto ele gargalhava. “Você podia ter me acordado; eu podia ter me despedido de você, e do seu lobo também”, comentei.

“Eu não queria ver uma chorona que não ia me largar do pé; por isso eu não te acordei”, ele me provocou.

Eu bati no ombro dele de novo. “Você é muito malvado, irmão.”

Ele chegou perto do meu ouvido outra vez e sussurrou: “E se eu compensar você? Aí eu deixo de ser malvado?”

Eu fiz bico. “Sim, compensa.”

“Então o que você quer de mim, docinho?”

“Pede desculpa.” Eu abri um sorriso enorme.

“Tá bom, senhora. Me desculpa mesmo, irmãzinha.”

Eu me enchi de pose. “Não é tão fácil me agradar”, fingi.

Ele riu baixinho.

“O que eu posso fazer pra compensar você agora, Oceana?”, ele riu.

“Fica em casa comigo. Eu vou fazer você me pedir desculpa mais uma vez e também vou te perdoar.”

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