Capítulo 3: O misterioso figurão pode curar Bianca
Depois de redigir o acordo, Olivia voltou para o lado de Bianca. Ela esperou que Michael aparecesse para discutirem o divórcio, mas ele não veio. Ela apenas ouviu a voz dele vinda do corredor, falando ao telefone com uma ternura que ela jamais conhecera. Em seguida, o som de seus passos apressados se afastou até sumir.
Olivia olhou de relance para o quarto. Os papéis do divórcio na mesa de cabeceira continuavam intocados.
Ele não os tinha visto. Uma onda de ansiedade tomou conta dela, e ela lutou contra a vontade de ligar para ele e exigir um desfecho. Mas ela se conteve. Um divórcio precisava ser tratado pessoalmente. Se ele não visse os papéis esta noite, os veria amanhã. Ela estava decidida.
Naquela noite, Michael não voltou.
Na manhã seguinte, Bianca parecia apática e retraída. Preocupada, Olivia ligou imediatamente para a Dra. Harper Anderson, a psicóloga de Bianca, para marcar uma avaliação. Harper era uma especialista renomada que Michael havia contratado, dona de um currículo impressionante. No entanto, apesar de meses de tratamento, o quadro de Bianca apresentava pouca melhora.
Quando Harper chegou, Olivia não conseguiu conter sua preocupação. "Dra. Anderson, você está atendendo a Bianca há algum tempo. Por que ela não apresenta nenhum progresso?"
Harper, que sempre mantinha um ar de arrogância, irritou-se com a pergunta. "Quem é a psicóloga aqui, você ou eu?", disparou ela. "O Sr. Johnson me contratou pessoalmente. O que lhe dá o direito de questionar meus métodos?"
Olivia foi pega de surpresa pela hostilidade, mas também sentiu uma onda de irritação. "Não estou questionando sua autoridade," respondeu ela de forma ríspida, "mas, como mãe, tenho o direito de perguntar por que minha filha não está melhorando. Você é mesmo uma profissional?"
A pergunta foi um golpe direto no orgulho de Harper. Ela se levantou bruscamente, fuzilando Olivia com o olhar. "Sra. Smith, se duvida do meu profissionalismo, procure outra pessoa. Não trabalho mais neste caso! Mas escreva o que estou dizendo: você vai se arrepender disso."
Dito isso, ela saiu pisando duro.
Dez minutos depois, exatamente como Olivia esperava, Michael ligou. Sua voz estava fria e carregada de reprovação. "Olivia, o que você fez? Por que você mandou a Dra. Anderson embora?"
A aspereza no tom dele causou um aperto familiar em seu peito. "O tratamento dela não estava dando resultado", disse ela, com a voz fria. "Eu apenas apontei isso, ela não soube lidar com a situação e foi embora. Por que a culpa é minha?"
"Pare com essa bobagem", retrucou ele, recusando-se a ouvir. "A Dra. Anderson é muito respeitada. Você é a única que a questiona! Você ao menos se importa com a recuperação da Bianca? Ligue para ela, peça desculpas e faça com que ela volte."
Olivia sentiu como se seu coração estivesse sendo perfurado por agulhas. Ele não demonstrava nenhuma preocupação com Bianca, apenas em agradar alguém de fora. Como ela pôde ter se apaixonado por esse homem? Não era tarde demais para enxergar quem ele realmente era.
Ela cerrou os punhos.
— Não vou pedir desculpas — disse ela, com a voz firme. — Sou a mãe da Bianca e é meu direito escolher a médica dela. Se ela se recusa a voltar, melhor ainda!
Ela encerrou a chamada, recusando-se a ouvir mais uma palavra.
Depois disso, ela levou Bianca para o "parquinho" especial da propriedade. Olivia e Emily o haviam construído juntas, um santuário projetado exclusivamente para Bianca, que preferia a solidão. Os brinquedos e equipamentos haviam sido escolhidos cuidadosamente para atender às suas necessidades específicas.
Ao observar Bianca se perder em sua brincadeira silenciosa, a determinação de Olivia se fortaleceu. Ela não podia mais permitir que Harper desperdiçasse um tempo precioso. Ela precisava encontrar um novo psicólogo para Bianca, e tinha que ser agora.
Ela foi para o escritório, abriu o notebook e começou a pesquisar os melhores psicólogos. Mas não era tão simples. Bianca havia sido diagnosticada com autismo com um ano de idade e, nos últimos dois anos, haviam consultado inúmeros médicos, sem muito sucesso.
Enquanto fazia sua busca infrutífera, sua amiga Evelyn Thomas ligou para prestar condolências pelo falecimento de Emily.
— Olivia, você precisa ser forte — disse Evelyn, com delicadeza. — A Sra. Johnson não iria querer ver você consumida pela tristeza.
As lágrimas arderam nos olhos de Olivia, mas ela as conteve.
— Eu sei.
— A propósito — perguntou Evelyn —, houve alguma melhora no quadro da Bianca?
— Na verdade, não — admitiu Olivia, balançando a cabeça. — É por isso que estou tão ansiosa. Você conhece algum psicólogo competente?
Evelyn fez uma pausa, pensativa.
— Na verdade — disse ela após um momento —, eu conheço, sim, uma pessoa.
Olivia se animou.
— Sério? Você pode me colocar em contato com ele?
— Desculpe, mas não posso — respondeu Evelyn rapidamente. — Só ouvi falar dele. Dizem que é um gênio. Pessoas poderosas, até mesmo os militares, já tentaram recrutá-lo, mas ele é incrivelmente enigmático e quase impossível de se encontrar. Não faço ideia de como contatá-lo. Mas, se alguém pode ajudar a Bianca, é ele.
Uma faísca de empolgação cortou a preocupação de Olivia.
— Ele é realmente tão capaz assim? — perguntou ela, receosa de ser apenas mais um grande nome sem resultados, como Harper.
— Não se preocupe, esse médico é bom de verdade — tranquilizou Evelyn. — Depois te conto mais sobre os casos dele. Por enquanto, tente apenas relaxar. Vou ajudar você a procurá-lo e te aviso no instante em que descobrir qualquer coisa, está bem?
Olivia sabia que não seria fácil. Ela esperava por um milagre desde que Bianca tinha um ano de idade. Já havia esperado tanto tempo; alguns dias a mais não fariam diferença.
