Mentiroso, mentiroso, bilionários

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Um beijo que distrai

NO DIA SEGUINTE…

— Como você consegue fazer qualquer vestido ficar bonito? — elogiou Gabriel, encostado no batente da porta.

— Ah, Gabriel… — Chloe respondeu, tímida, mexendo nas pontas do cabelo cacheado. — Acho que o vestido só deu sorte de cair bem em mim. Mas… não tá exagerado demais?

Ela se olhou no espelho de corpo inteiro que a equipe de produção, que tinha ajudado a deixá-la pronta, tinha deixado para trás. O vestido, longo, preto, com alguns detalhes prateados salpicados perto da fenda na barra, realmente a pegou de surpresa. Ela nem esperava por uma equipe de beleza; estava pronta para ir à festa de aniversário de camisa e calça jeans.

— Eu acho que você tá incrível — Gabriel ficou bem atrás dela, os olhos refinados ainda a admirando. — Eu amo como o seu olhar é ousado. Ele reflete a sua personalidade.

— Mas o que você sabe sobre a minha personalidade?

— Dá pra ver que você tem um lado maluco que anda escondendo da gente. — Com cuidado, ele ajustou a alça do vestido dela. Depois, com um sorrisinho que deixava ele ainda mais fofo, disse: — Só garante que você vai se divertir na festa. Se por acaso o Nathaniel tiver a brilhante ideia de fazer negócios em vez de ficar do seu lado, vai ter uma fonte de chocolate lá.

— Sério? — Chocolate era uma das maiores fraquezas dela.

— Sério. Informação de fonte confiável.

— Parece ótimo — murmurou, escondendo a empolgação, enquanto rezava para não sair de lá com diabetes.

— O seu sorriso…

— Hã? — Ela encontrou o olhar dele no espelho e reparou que ele não desviava.

— O seu sorriso é muito bonito. Eu gosto dele. — A maneira como ele a encarava também era bastante significativa, mas ela não encontrava a palavra certa pra definir aquilo. — É uma pena que você esteja sempre séria enquanto trabalha.

Chloe deu uma risadinha, que quase pareceu um riso infantil.

— Um sorriso não vai ajudar a tirar o pó das suas estantes, Gabriel.

— Verdade. — Ele deu um passo para trás e estendeu o braço para ela. — Vamos?

— Com certeza.

Chloe se sentia importante, como se estivesse indo para o baile de formatura, coisa que nunca teve a chance de fazer. Enquanto saíam do quarto e desciam as escadas quase flutuando, ela se pegou imaginando que faria várias cabeças virarem na festa de aniversário.

— Amir. — A voz de Gabriel estourou a bolha da imaginação dela. — Me diz se ela não tá maravilhosa?

Eles já tinham chegado ao pé da escada. Chloe afastou os pensamentos malucos e fixou o olhar em Amir, enquanto se repreendia por não ter se preparado para lidar com qualquer atividade suspeita que pudesse surgir no evento.

Amir, vestido com uma camiseta bem larga e um short folgado, só resmungou, os olhos cansados percorrendo o visual de Chloe, em especial as partes em que as curvas dela mais se destacavam.

— Amir? — Gabriel insistiu.

— Por favor. Já vi coisa melhor.

“Qualquer lixo é melhor do que a sua opinião”, Chloe teve vontade de dizer, mas ele já tinha saído da sala.

— Caramba — Gabriel passou a mão pelos fios longos de cabelo. — Ele é de outro mundo, né?

Chloe escondeu o ódio.

— Ele continua agindo como se eu é que tivesse dado em cima dele.

— Ele lida muito mal com rejeição. Desde que ele…

— Aí está você — Nathaniel atravessou as palavras dele, que pareciam prestes a revelar informações bem interessantes. Com passos firmes, que faziam a camisa social branca, ajustada no corpo, se esticar, ele se aproximou, os olhos presos nos braços de Chloe e Gabriel, ainda entrelaçados. — Você tá esquecendo que é a minha acompanhante? — perguntou a ela. — O seu braço deveria estar no meu.

— Não viaja, Nate — disse Gabriel, soltando o braço dela. — Eu só tava sendo cavalheiro.

Nathaniel pegou a mão de Chloe, em vez de enlaçar o braço dela. No momento em que a pele deles se tocou, o ar sumiu dos pulmões dela; Chloe precisou se obrigar a respirar.

— Não vai entediar ela com papo de negócios, beleza? — advertiu Gabriel.

— Eu não sou entediante — retrucou Nathaniel. Depois repetiu para Chloe: — Eu não sou. — Como se a mão dele já não fosse suficiente, a voz baixa e quente só somou ao caos, ameaçando deixá-la desnorteada.

— Uhum… — ela conseguiu responder. E então começou a se perguntar se a voz dele seria tão sexy assim na cama. Ou se ele era do tipo que rosnava, mandando a mulher subir em cima dele, ou ficar embaixo dele e...

Chloe travou. Sacudiu aquelas ideias sujas da cabeça na mesma hora. Ela não gostava dele. Por que estava pensando nesse tipo de coisa sobre ele? E por que ficava tão estranha perto dele?

— Você tá linda — comentou Nathaniel, quando eles passaram pela porta de entrada. A voz dele parecia monótona e, ao mesmo tempo, cheia de presença.

Aquilo a aqueceu também.

— Obrigada — ela o obrigou a si mesma a olhar para frente. — E obrigada por esse vestido maravilhoso. — Tinha medo de que a estranheza piorasse se ela arriscasse lançar um olhar de lado para ele.

— Eu já disse. Não me importo de cuidar bem das mulheres da minha vida.

Ela sorriu para disfarçar o que sentia. Ao mesmo tempo, se preparou para qualquer drama que pudesse aparecer.

Uma coisa, porém, era certa… Ela ia ficar de olho naquela fonte de chocolate.

~~

O caminho até a festa foi curto.

Mas, ao mesmo tempo, foi longo.

Quer dizer… pareceu longo, porque tudo o que eles trocaram foram respirações. Até o rádio que Nathaniel ligou para aliviar o clima só piorou o constrangimento, porque, toda vez que ele mudava de estação, tocava música sobre sexo.

Mas, felizmente, aquilo acabou.

E, depois de alguns segundos parados, a porta do passageiro se abriu, tirando-a do transe.

— Essa viagem foi a pior, né?

Ela conseguiu sorrir enquanto ele a ajudava a descer.

— Não foi tão ruim assim. As músicas eram boas.

— É. — Ele jogou as chaves para um dos manobristas de terno. — Vamos?

Ela enlaçou o braço no dele, e Nathaniel foi na frente.

Quando chegaram ao destino, ao contrário do que ela imaginava, o lugar não era a parte interna de um sobrado, mas um espaço aberto decorado com tecidos, quase todos brancos.

Assim que os dois passaram pela entrada, alguém se aproximou deles ao mesmo tempo em que uma música suave os acolhia.

O homem, mais baixo que Nathaniel e cheio de energia, disse:

— Senhor Stone, a senhorita Sanquire pediu pra eu entregar isso pro senhor.

Ele colocou um envelope pardo na mão de Nathaniel, que deu uma espiada e perguntou:

— Isso é tudo?

— Ela disse que foi um prazer fazer negócios com o senhor.

— Diga a ela… — A voz de Nathaniel ficou mais fria — que, da próxima vez que entregar coisas pra mim em uma festa, ela vai ter um grande prejuízo.

— O recado está dado. — Tão rápido quanto chegou, o homem foi embora.

E Chloe, cada vez mais curiosa com o conteúdo do envelope, concluiu que aquilo devia ser importante. Com certeza, ela precisava dar um jeito de ver aquilo o quanto antes.

— Imagino que isso não seja algo que a sua “empregada” deva se oferecer pra segurar — comentou ela, enquanto examinava o envelope com elegância.

O envelope desapareceu, dobrado, dentro do bolso interno do paletó dele.

— Você tem razão.

Chloe desviou o olhar, mas a mente já calculava maneiras de roubar o envelope. Ao mesmo tempo, procurava a fonte de chocolate, o olhar varrendo a multidão que conversava e se empolgava ao som da música.

— Chloe?

— Hm?

— Você tá procurando alguma coisa interessante?

— Uma fonte.

— Uma fonte do quê…? Merda. — O grunhido de irritação dele não passou despercebido por Chloe.

Ela se virou para ele.

— O que foi?

— Anderson.

Chloe franziu a testa, seguindo a direção do olhar dele.

Anderson era sócio ou inimigo? Ela se perguntou, observando o loiro de quem Nathaniel parecia desconfiar. O cara cumprimentava todo mundo com uma alegria enorme.

— É melhor ele não me ver.

— Você precisa se esconder?

— Claro que não. — Anderson já estava bem perto. Nathaniel parecia cada vez menos disposto a aturá‑lo.

Enquanto ela observava a têmpora dele pulsar num misto de incômodo e irritação, perguntou:

— Qual é o seu plano?

— Afastar ele.

— Como?

Com um movimento suave, a outra mão dele escorregou pela cintura dela. Ele a puxou para mais perto, e a resposta veio pelos lábios.

E não parou aí.

Com facilidade, ele aprofundou o beijo, inclinando a cabeça para colar a boca na dela com a maior intensidade possível.

Chloe, que tinha ficado imóvel por vários segundos, sentiu a hesitação desmoronar. Com um desejo que a surpreendeu, ela devolveu a energia daquele beijo, como se quisesse aquilo há muito tempo.

Mas ela realmente desejava aqueles lábios. Principalmente quando ele fazia pequenas pausas de milésimos de segundo para provocá‑la com a própria respiração, ou quando ela sentia o peito dele tensionar, fazendo com que se inclinasse ainda mais.

Então, quando as bocas se encontraram de novo, Chloe se entregou ao beijo que só se aprofundava. Saboreou a exploração intensa e, ao mesmo tempo, cuidadosa, e, quando os dedos dela se cravaram na pele dele, ficou claro que ele também vinha querendo beijá‑la.

Mas, justo quando tudo começava a esquentar de verdade, ele se afastou.

Sem tirar o olhar brilhante do rosto dela, pigarreou e disse:

— O Anderson foi embora. Acho.

— Eu… — O peito dela subia e descia sem parar. — Ah…

Ela ainda sentia os lábios dele.

— Eu preciso resolver uma coisa. Já volto.

— Espera — ela ouviu a própria voz dizer, mas ele já tinha ido, deixando‑a sozinha com os pensamentos desordenados.

Engolindo em seco, Chloe deu um passo para trás, os dedos roçando os lábios que ainda latejavam.

Enquanto tentava entender aquela intimidade tão repentina, finalmente localizou a fonte de chocolate. A visão parecia chamá‑la, então ela se obrigou a não pensar no beijo. Pelo que sabia, aquele beijo podia muito bem ser classificado como um erro.

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