Um encontro?
QUATRO DIAS DEPOIS…
Imersa em seus pensamentos, Chloe se perguntou se algum dia conseguiria a pista que estava procurando. O tempo estava passando rápido, e não ter nada para fazer além de tarefa atrás de tarefa começava a mexer com os nervos dela.
Era verdade que aquilo fazia parte do trabalho, então ela precisava ser muito paciente e vigilante para conseguir o que tinha ido buscar ali. Mas ela não tinha todo o tempo do mundo. Perder dias numa casa enorme, trabalhando até não aguentar mais, enquanto tinha seus próprios problemas para resolver, era imensamente irritante.
Com a mão apertando a quina da superfície de azulejo, Chloe soltou um palavrão.
Então, o rumo dos pensamentos dela mudou de direção.
Lembrando das palavras de Gabriel e, mais importante ainda, de Amir, sobre Nathaniel gostar dela, Chloe se perguntou se queria usar esse caminho para conseguir o que queria.
Brincar com sentimentos de verdade podia ser perigoso. Especialmente para ela.
Ela suspirou, porque nada lhe parecia claro. Talvez, se já tivesse conseguido alguma sujeira sobre os irmãos NAG, pudesse estar se sentindo de outro jeito.
— Aí está você — a voz de Lucille cortou o fluxo de pensamentos dela.
Com as pernas roçando a superfície da água, Chloe levantou os olhos para Lucille, e sua boca simplesmente caiu, chocada.
O emagrecimento evidente de Lucille era absurdo. Absurdo no sentido de que tinham se passado só quatro dias desde a última vez que Chloe a tinha visto. E, naquele dia, Lucille com certeza parecia bem.
Então, Chloe precisou perguntar, preocupada, mesmo ainda não gostando dela:
— Lucille. — Os olhos de Chloe percorreram a clavícula saliente da mulher. — Você tá bem?
— Tô, obviamente. — Até as órbitas dos olhos de Lucille pareciam estar aos poucos engolindo os próprios globos oculares.
— Você não parece bem, Lucille — insistiu Chloe, levantando-se da beira da piscina e ficando na mesma altura que ela.
— Eu… — Um pequeno lago de lágrimas já tinha se formado nos olhos de Lucille, e pareceu, por um momento, que ela ia dizer alguma coisa. Mas, um segundo depois, já estava com uma expressão fechada. — Não é da sua conta se eu tô bem ou não.
— Eu sei que a gente não se gosta, mas estou disposta a te ajudar do jeito que eu puder, com seja lá o que for.
Lucille soltou um suspiro trêmulo, as mãos cerradas em punhos, como se estivesse se esforçando desesperadamente para não deixar escapar um segredo. Mas, como antes, aquela expressão de tristeza e dor sumiu e foi substituída por um meio-sorriso debochado.
— Cuida da sua vida. Eu vim dizer que o Gabriel tá precisando da sua ajuda com umas coisas na biblioteca.
— Tá bom. — Chloe ainda estava preocupada. Mas decidiu não se desgastar demais com aquilo enquanto observava Lucille ir embora. Depois de secar os pés e calçar os sapatos, correu para dentro do prédio.
Ela já estava a poucos passos da biblioteca quando viu Nathaniel sair do quarto dele, vestido casualmente com uma camiseta justa no peito e uma calça de pernas largas.
Imediatamente, sem pensar, ela se jogou em um espaço escuro que havia ali por perto.
Chloe observou em silêncio enquanto ele examinava o entorno com desconfiança.
“Ele deve ter percebido o meu movimento”, pensou, rangendo os dentes.
Ela estava agindo como se tivesse feito algo de errado com ele, e o máximo que conseguia fazer era se esconder.
Aquilo, sim, era esquisito.
O mais estranho ainda era o jeito que o coração dela disparou quando ele passou com a cabeça enfiada no celular.
Ao sair de seu esconderijo, Chloe precisou perguntar, para ninguém em específico, se tinha alguma coisa errada com ela, porque mesmo depois que o cheiro dele se dissipou, seu peito continuava acelerado como se ele tivesse acabado de se declarar.
Franzindo a testa, Chloe conseguiu se acalmar e, assim que o fez, começou a analisar a própria reação de antes. Mil pensamentos passaram pela cabeça dela enquanto seguia caminho até a biblioteca e, aos poucos, tudo aquilo começou a parecer bobo.
Então Chloe fez o que sabia fazer de melhor: ignorou a reação tola e dramática no peito.
~~~
“Por que vocês não jantam com a gente hoje à noite?” Gabriel perguntou, só para quebrar o silêncio absurdo que tomou conta da mesa depois que a comida foi servida.
“Hã? Sério?” Lucille perguntou empolgada demais, e Chloe soltou um risinho de deboche.
Naquele momento, a magreza extrema da mulher já não era mais motivo de preocupação.
“Parece uma boa ideia”, Nathaniel, que acabara de entrar, respondeu, sentando-se. “A madame Lugi ainda está por aqui? Ela pode se juntar a nós também.”
“Ela já foi embora”, Lucille respondeu, puxando uma cadeira para sentar.
“Chloe?”
“Hã?” A mente dela tinha voltado à hora em que, idiotamente, se escondeu de Nathaniel.
“Senta aí.”
Ela assentiu e foi para a cadeira em frente a Gabriel. Assim, não ficaria tão perto de onde Nathaniel estava. Porém, ficava totalmente exposta aos olhares de Amir e Lucille.
Minutos depois, já estavam no meio do jantar, um prato de arroz frito.
“E como foi o seu dia, Chloe?” Nathaniel perguntou, os talheres tilintando ao baterem no prato quase vazio.
“Legal, legal.” Chloe rangeu os dentes por dentro. Que tipo de resposta era aquela?
“Parece interessante.” Ela simplesmente não conseguia encará-lo nos olhos. “Legal. Legal”, ela o ouviu repetir em voz baixa. Então ele continuou: “Gabriel, não é amanhã a festa de aniversário do Donald?”
“É. E você sabe que ele está esperando você. E digo, especialmente você.”
“Parece até que ele é obcecado por mim ou coisa assim. Acho melhor eu ir com alguém. O que você acha?”
“Hum.” Gabriel pousou o garfo. “Não é má ideia. Festa hoje em dia é um tédio quando você vai sozinho.”
“Chloe?”
“Oi?” Ela manteve a expressão neutra enquanto encarava os olhos azuis dele.
“Você gostaria de ir comigo?”
“Hã?”
“Vai ser tipo um encontro.”
“Um encontro?” Ela não fazia ideia de por que estava reagindo tão devagar, não era como se já tivesse passado vergonha na frente dele nem nada. E mesmo que fosse o interesse de Nathaniel por ela que a estivesse deixando assim, ela precisava se recompor, porque não gostava dele desse jeito, para começo de conversa.
“Eu vou, se ela não quiser.”
“Ninguém te perguntou nada, Lucille”, Amir falou pela primeira vez.
“Ah… claro. Mas eu não…”
“Não se preocupa, eu cuido de tudo que você precisar”, Nathaniel insistiu, com uma gentileza cuidadosa.
“Vai ser divertido, Chloe”, Gabriel disse, com um sorrisão no rosto que claramente dizia: eu te disse que ele gosta de você.
“Ah, tá. Vamos nessa, então.”
Naquele momento, uma coisa ficou clara: ela tinha mais uma missão. Proteger o próprio coração do homem de olhos azuis deslumbrantes, o homem que gostava dela.
