Mentiroso, mentiroso, bilionários

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Rejeitado

DOIS DIAS DEPOIS…

— Cara, eu odeio trabalhar de casa. — Amir se espreguiçou, decidindo fazer uma pausa do laptop à sua frente, os olhos indo direto para Nathaniel e Gabriel. A dupla atarefada ignorou o comentário, então ele concluiu que era hora de fazer outra coisa.

Talvez se divertir um pouco.

Reclinando na cadeira, ele sentiu pelo cheiro o perfume meio abaunilhado da nova funcionária, Chloe. Isso indicava que ela estava perto do espaço de trabalho deles. Então ele se levantou e decidiu que ela seria a diversão dele naquele dia. Ou talvez por bastante tempo. Havia algo nela que continuava despertando o interesse dele.

Como ele deduziu, Chloe estava parada na entrada do cômodo, o olhar focado em algum ponto à frente, uma vassoura imóvel na mão. Percorrendo a figura inteira dela com os olhos, Amir apreciou como ela ficava incrível no uniforme. Nem largo demais, nem apertado demais, o tecido preto e branco moldava o corpo dela nos lugares certos.

— Hã-ham. Chloe?

A voz dele a fez dar um pulo. Parecia que ela estava longe, perdida em pensamentos.

— Amir. Em que eu posso ajudar?

— Por favor, eu preciso que você cuide do meu quarto. A Lucille esqueceu de arrumar hoje de manhã.

— Mas...

Ele não queria que ela hesitasse, então se apressou em acrescentar:

— Eu até ia pedir pra ela mesma fazer isso, mas ela saiu pra resolver umas coisas.

— Ah. Tudo bem, então, eu faço isso agora.

Vitorioso, ele sorriu, os olhos brilhando enquanto observava as costas dela se afastando.

O plano dele estava dando certo. Só faltava arrumar um jeito de afundar ainda mais os amigos no trabalho. Assim, eles não seriam uma distração pros planos dele.

— Ei, galera. — Eles responderam com murmúrios. — Lembram do nosso concorrente esquecido, o Anderson? — Ele prendeu a atenção deles na mesma hora. — Ele voltou. Ouvi umas pessoas no clube ontem fofocando sobre o retorno dele. Acho que ele tá planejando vir pra cima da gente.

— E você só tá falando isso agora? — Nathaniel questionou, quase irritado.

Sorrindo, a mão coçando a nuca, Amir respondeu:

— Eu esqueci. Foi mal.

— Também, por que você não ia esquecer, se passa a maior parte do tempo trepando e cheirando coisa? — comentou Gabriel, venenoso.

— Você não tá falando comigo sério, né?

Revirando os olhos pelo cômodo de forma teatral, Gabriel perguntou:

— Fora você, quem mais faz essas coisas?

— Não vou perder meu tempo com você. Vocês vão ver o lance do Anderson?

— Já tô vendo isso agora — respondeu Nathaniel.

Amir sorriu, satisfeito consigo mesmo. Depois anunciou:

— Já volto, gente. Esqueci uma coisa importante no meu quarto.

A animação dentro dele era difícil de conter. Ia ficar com a Chloe só pra ele, e não ia ter ninguém por perto pra atrapalhar.

Quando chegou ao quarto, a porta estava encostada, dando a ele uma brecha por onde pôde ver a moça varrendo a bagunça que ele tinha feito na noite anterior, quando teve um ataque de fome de madrugada. Com cuidado, ele entrou, e Chloe continuou sem perceber que ele estava ali. Devagar, conforme se aproximava, ele foi tirando a camisa.

Na experiência dele com mulheres, o peito dele era uma visão à qual muitas não sabiam dizer não.

— Chloe — ele arrastou o nome dela na voz, surpreendendo a morena.

— Ahm... O que você tá fazendo?

— O que eu tô fazendo no meu quarto? Não é uma pergunta meio boba? — Ele deu um passo a mais na direção dela.

— Não. Tô perguntando por que você tá sem camisa.

Sorrindo de lado, ele perguntou:

— Você gosta do que tá vendo, né?

Pra satisfação dele, o olhar dela percorreu o peito definido.

Ao observar a expressão de Chloe, a vontade de puxá-la pra perto e colá-la no corpo dele só aumentou. Mas Amir sabia que, naquela situação, precisava ir com calma.

— Hum... — Os lábios dela se franziram. — Já vi coisa melhor.

Amir ergueu as sobrancelhas, e os ombros dela se endireitaram, o início de uma irritação surgindo ali.

— Quê? — ele exigiu.

— Não tô mentindo, já vi melhor. — Ela voltou a passar a vassoura no chão. — Por favor, põe a camisa de volta e sai pra eu terminar.

Amir fechou a boca, segurando o choque, decidindo que não ia desistir tão fácil.

— Chloe. Só... eu preciso falar com você sobre uma coisa.

Ela parou de varrer e se virou pra ele.

— E o que seria?

— É que... eu...

— Desculpa, senhor, mas vou precisar que o senhor fale mais claro.

Ela chamá‑lo de “senhor” era claramente uma forma de provocar, isso Amir entendeu na hora. E ele definitivamente não ia deixar que ela conseguisse o que queria.

Segurando a mão dela, ele insistiu:

— Eu tô tentando dizer que ando te observando, Chloe.

Horrorizada, ela puxou a mão de volta.

— Você anda me observando? Tipo... me perseguindo?

Amir não acreditava em como ela distorcia as palavras dele com tanta facilidade.

— Não, não — contestou. — Quero dizer que tenho te admirado.

— Ahhh... — Ela assentiu. — Então você anda me secando. Mas você é meu chefe. Isso não é estranho?

Droga de mulher! Por que ela precisava ser tão difícil?

Amir, mais uma vez, decidiu que não ia desistir. Pegou a mão dela de novo e a segurou com firmeza.

— Me escuta, Chloe. E para de distorcer o que eu falo. O que eu tô tentando dizer é que eu gosto de você e quero que a gente fique junto. O que você acha, Chloe? Não é uma ideia ruim, vai?

Ela não respondeu de imediato. Em vez disso, ficou olhando pra ele, como se estivesse tentando lê‑lo.

— E aí? — ele perguntou.

— Desculpa... — O rosto dela estava longe de parecer arrependido. — Mas eu não posso ficar com alguém como você.

— Alguém como eu?

— É. Eu não posso ficar com alguém que só me quer por prazer.

— Isso é mentira...

— Eu com certeza não ignoro o jeito que você me olha sempre que eu passo. Eu não sou idiota, tá na cara que você me quer na sua cama. Amir — ela arrancou a mão à força do aperto dele —, você não pode tá achando mesmo que eu vou ficar com um cara que já dormiu com metade do país, né?

— Eu... eu não saio assim com qualquer uma — ele odiou o fato de que as “estatísticas” sexuais dele podiam ser inventadas tão fácil. — Eu sou seletivo com as mulheres com quem eu me divirto.

— Você não vai me ter na sua cama, Amir. Bota isso na sua cabeça. — Chloe pegou a vassoura que tinha caído durante a discussão. — E, faz um favor pra você mesmo: vai se testar pra DST.

Inacreditável!

Era inacreditável que ela conseguisse compará‑lo com aqueles caras imundos lá fora que dormiam com qualquer uma. E DST? Nem ferrando que ele ia ter isso!

Extremamente irritado, mais com as palavras dela do que com a rejeição em si, Amir avançou sobre o abajur no criado‑mudo. Tomado pela raiva, tacou o objeto contra a parede, despedaçando tudo.

Quem diabos ela achava que era, afinal? A fúria dele só crescia.

Ela não passava de uma empregada. Devia era agradecer por ele ter reparado nela.

— Que barulho é esse aqui? E por que diabos você tá sem camisa?

Sem se dar ao trabalho de olhar pra trás, Amir reclamou:

— Você acredita na audácia dela? Aquela tal de Chloe teve a coragem de me recusar. Ela faz ideia de quem eu–?

Uma mão o agarrou com raiva e o empurrou com violência contra a parede.

— Seu desgraçado! O que você fez?

Um pouco assustado, Amir choramingou:

— Ei, ei, Nathaniel. Calma.

— Me conta... — As mãos ferozes o prensaram ainda mais na parede, o rosto de Amir latejando de dor por causa da pancada. — ...o que você fez com ela.

— Eu só falei que gostava dela, tá? Mas relaxa, ela me recusou. Você pode ficar com ela.

— A Chloe não é uma porra de uma bola pra você ficar jogando de um lado pro outro, seu idiota! — Nathaniel virou Amir à força pra encará‑lo. — Como é que você tem a ousadia de dar em cima dela?

— Olha, foi mal, cara — Amir tentou rir, mas não conseguiu. — Você disse que tava a fim dela, mas eu achei que tinha desistido. Além do mais, quem vacila, perde.

— Cai fora da minha frente agora!

— Esse quarto é meu. — O homem alto o encarou de um jeito que parecia atravessar o crânio dele, apertando ainda mais o pescoço de Amir. — Tá, tá, já entendi.

— O que tá acontecendo aqui? — Gabriel, que tinha acabado de chegar, perguntou, com o rosto confuso enquanto olhava pro abajur quebrado e sentia a tensão pesada entre os dois.

— Nada não, cara, cuida da sua vida. — Amir esbarrou com violência no ombro de Gabriel ao passar.

Furioso, Gabriel avisou:

— Não manda eu...

— Gabriel. — A voz baixa de Nathaniel foi o suficiente pra mandar o recado.

O homem de cabelos compridos entendeu o recado e se limitou a encarar Amir, que continuou resmungando enquanto saía do quarto.

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