Mentiroso, mentiroso, bilionários

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Ruídos estranhos e um aviso

Uma semana se passou e Chloe ainda não tinha encontrado nenhuma pista sobre os irmãos NAG.

Em vez disso, a semana foi preenchida com tarefas e mais tarefas numa casa silenciosa, porque os homens quase não apareciam. Cuidar de uma casa enorme era mais do que ela tinha imaginado. Depois do segundo dia, Chloe agradeceu aos céus por Lucille estar por perto.

Aquele dia em particular foi ainda mais cansativo, porque ela estava ajudando dona Lugi com a lavanderia. O cansaço envolveu Chloe de um jeito que ela quase abandonou o posto. No entanto, ela não tinha coragem de deixar a senhora sozinha para dar conta de tudo — havia roupa suficiente para uma comunidade de cinquenta pessoas se vestir repetidamente por três anos.

Mas, assim que terminou, ela não hesitou em fugir dali.

Sem se preocupar em tirar o uniforme, Chloe arrancou os sapatos e se jogou na cama maravilhosa, que tinha se tornado facilmente a sua coisa favorita na casa desde que ela passou a ter noites de sono incríveis ali.

Aos poucos, o sono foi tomando conta dela, as vozes distantes do lado de fora entrando em seu subconsciente, mas não altas o bastante para arrancá-la do descanso.

Só que, momentos depois, um som específico, impossível de ignorar, chegou até ela.

Seus olhos se arregalaram.

Em alerta, ela ficou ouvindo atentamente, esperando que aquele grito fraco se repetisse e, quando aconteceu, seu eu sonolento se levantou num pulo, calçou as pantufas e foi seguindo o caminho de volta, guiada pelo barulho estranho.

Enquanto avançava, concluiu que talvez finalmente estivesse encontrando uma pista.

Como se atendesse a um comando, o grito voltou. Dessa vez, mais alto. A voz parecia tomada pela dor, e Chloe se perguntou, por um instante, se os irmãos NAG tocavam o esquema de tráfico ali dentro mesmo, no prédio.

Ela preferiu duvidar daquela possibilidade, mas continuou determinada a investigar a origem do som.

Quando se afastou do andar onde ficavam todos os quartos, subiu uma curta escada em espiral e entrou numa biblioteca. Perguntando-se como diabos tinha deixado aquele cômodo passar durante o reconhecimento da casa, Chloe se viu caminhando na direção das estantes. Devia haver ali umas dez estantes enormes, todas organizadas como as de uma biblioteca pública.

Com a mão deslizando por uma fileira de livros, ela admirou a coleção e se perguntou se os três homens gostavam de ler. Se gostassem, ela acabara de encontrar um motivo para gostar deles.

“Também está com problemas pra dormir?”

Ela levou um susto. Virou-se e viu Gabriel puxando os lábios num sorriso.

“Ah... eu não sabia que você estava aqui.”

Ele era o único que ela ainda não tinha conhecido oficialmente. E ela estava satisfeita por não estarem se conhecendo numa situação estranha, como tinha sido com Nathaniel.

“Eu estava do outro lado quando você entrou. Então, você gosta de livros? Ou veio aqui pra olhar feio pra eles?”

“Quem é que olha feio pra livros?”

Ele estendeu a palma da mão. “O Amir. ”

Fazendo uma careta de dor fingida, Chloe disse: “O Amir não sabe o que está perdendo. Livros são incríveis.”

“Finalmente. Alguém que aprecia uma forma rara de arte. Quer um pouco de suco de laranja?”

Chloe sorriu, de verdade. Mesmo sabendo que deveria estar sustentando um personagem, dessa vez ela não conseguiu evitar ser natural. Então, não lutou contra isso. “Quero, sim.”

“Beleza, vamos tomar um suco de laranja.”

Ela gostou da personalidade dele. Ele soava simples, parecia alguém que dificilmente teria problemas com o mundo, por causa daquele jeito claramente introvertido.

“Vai ser realmente uma droga ver ele na prisão”, comentou com ela mesma, em pensamento.

Do outro lado das estantes havia uma mesa redonda, daquelas de cafeteria, e alguns livros largados em cima. Aquele ambiente acolhedor alegrou o coração de Chloe. Ela conseguia se imaginar muito bem naquele espaço, lendo por dias. Com certeza aquele lugar tinha tudo para virar outro dos seus cantinhos favoritos na mansão dos NAG.

Assim que se sentou, seus olhos acompanharam Gabriel. Havia um frigobar logo atrás deles, e ele tirou de lá uma caixa de suco de laranja, com duas taças de vidro encaixadas nas mãos.

“Obrigada”, ela sinalizou, quando ele encheu o copo dela e o estendeu na sua direção.

Ele sorriu, a fofura se sobrepondo ao rosto que já era fofo. Quando se sentou em frente a ela, disse:

— Então, tô supondo que você não veio até aqui porque sabia que tinha uma biblioteca aqui.

— Não. Na verdade eu só... — Chloe não viu motivo pra mentir. — Eu ouvi um barulho, parecia que alguém tava gritando.

— Você ouviu? Puxa, me desculpa mesmo se eu te acordei. Às vezes eu prefiro ouvir as versões em áudio de um romance, dá um tipo diferente de vida pra história, sabe. O romance é policial, por isso os gritos. Eu te acordei, não foi?

Ela percebeu o pedido de desculpas nos olhos dele.

— Não, você não me acordou. Eu só fiquei curiosa e um pouco preocupada.

— Hum.

Chloe voltou a se concentrar no suco, mas, enquanto bebia, sentiu o olhar dele a estudando. Se fosse possível ler uma pessoa só de olhar pra ela, Gabriel teria descoberto tudo sobre Chloe naqueles poucos segundos.

— Eu tô curioso sobre você — ele acabou dizendo, e ela quase engasgou com o suco. — Me conta, que tipo de livro você lê?

— Hã... — A leve pressão, ainda que gentil, nas palavras dele a surpreendeu um pouco. Mas ela não se importou, na verdade estava feliz por estar tendo uma conversa agradável. — Em geral, eu gosto de uma boa história. Mas, pra ser mais específica, eu diria terror, fantasia, aventura, romance histórico, policial e, ah, é... romance.

— Não importa o gênero, o romance sempre dá um jeito de brilhar. Eu gosto do seu gosto. — Ele pontuou a aprovação com um gole da própria bebida.

— E você? — ela perguntou.

— Hm... Eu amo todos os gêneros. Isso é estranho?

— Não. Não é, não.

— O que você acha dessa casa?

Chloe soltou uma risada que soou completamente ridícula.

— Ah, ela é enorme. Muito enorme pra só três homens morarem aqui.

— Bom, atualmente cinco pessoas moram aqui, Chloe. — As sobrancelhas dela se ergueram, mas ela acabou concordando com a afirmação dele. Aí ele completou: — Mas você tem razão. Essa casa é gigantesca.

Chloe não encontrou resposta. Então ficou quieta, girando o copo de vidro na mão, os olhos em qualquer lugar, menos em Gabriel.

— O que você acha de nós?

Nossa, ele certamente tinha muitas perguntas pra ela.

— De vocês três? — Ele assentiu. Chloe fingiu pensar, embora, na verdade, o que ela achava deles não era nada difícil de puxar da cabeça. — Bom... Você... eu acho que talvez seja legal e gentil.

— Talvez? — O nariz dele se franziu em diversão.

— Eu ainda não te conheço direito.

Rindo baixinho, ele perguntou:

— E o Amir?

O estômago dela se revirou de nojo.

— Sendo bem sincera, eu não gosto muito dele. Quer dizer, ele age como se quisesse transar comigo toda vez que me vê. Isso me deixa muito desconfortável.

— Eu peço desculpas por ele. O Amir é... — um pequeno suspiro escapou de seus lábios finos e firmes. — Bom, ele pode ser um babaca na maior parte do tempo.

— Tudo bem.

— E o Nathaniel?

A imagem do homem alto, com o rosto quase perfeitamente esculpido e olhos tão azuis que pareciam atravessar quem quer que ele olhasse, passou pela mente dela.

Dando de ombros, Chloe respondeu a Gabriel:

— Eu vejo ele como alguém com muita autoridade.

— Você não gosta dele?

— Hã... Gostar dele?

— Como homem.

Essa pergunta a deixou um pouco desconcertada.

— Hã... Não muito, não?

— Que pena. — Chloe franziu a testa, levando de novo o suco à boca. — Ele gosta muito de você. — Ela cuspiu o suco de volta dentro do copo. — Como mulher.

Tentando não ter um ataque de tosse, Chloe pigarreou, os olhos fulminando Gabriel, que a observava como se não tivesse acabado de soltar uma afirmação absurda.

— Eu tenho que te alertar, porém — ele continuou. — É a primeira vez que ele demonstra interesse por uma mulher. E eu não posso culpar ele, você é uma mulher bonita.

Chloe acariciou a própria garganta enquanto esperava as próximas palavras.

— Quando o Nathaniel demonstra interesse em alguma coisa, ele não para até conseguir. Eu não acho que você vai ser exceção, Chloe. Do jeito que eu tô vendo as coisas, o Nathaniel vai agir em breve. E pode confiar quando eu digo... — O peito de Chloe se agitou quando ele concluiu: — Nathaniel Stone não gosta de falhar.

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