Luna Preciosa Oculta do Alfa

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Capítulo 6

POV da Lily

As lágrimas embaçavam minha visão enquanto a Alcateia Golden Moon ia desaparecendo devagar atrás de mim.

Eu estava me esforçando tanto pra ser forte… pra não sentir, mas, deusa! Eu vinha engolindo tudo fazia tempo demais e eu já estava exausta. Meus nós dos dedos ficaram brancos de tanto que eu apertava o volante, com a cabeça num turbilhão de emoções.

Os acontecimentos das últimas 24 horas rodavam em looping na minha mente, como um filme cruel que nunca acaba.

Eu realmente tinha acreditado que meu aniversário de 18 anos seria a minha virada. Que eu finalmente ia sentir minha loba despertar — que, enfim, eu ia pertencer a algum lugar. Em vez disso, encontrei meu namorado — não, meu ex-namorado agora — enrolado nos lençóis com a minha irmã. A traição foi funda… uma ferida que nunca ia cicatrizar.

Aí veio a verdade chocante sobre o meu nascimento e o meu exílio iminente da alcateia — como uma Rogue. A palavra tinha um gosto amargo na minha boca. E como meu pai virou contra mim rápido, só porque eu não tinha feito a transformação. Porque eu era fraca.

Eu sabia que poderia ter insistido pra ir embora amanhã… mas eu não queria passar mais uma noite no mesmo lugar que eles. Eu precisava de um tempo. Sacudi a cabeça pra espantar as lembranças e tentei entender onde eu estava.

Eu já dirigia havia horas; não sabia pra onde ir… eu não conhecia ninguém, não tinha amigos, e tudo o que eu queria era colocar distância suficiente entre mim e a Alcateia Golden Moon. Mas, conforme a estrada solitária se estendia, o aviso do Lucas ecoou na minha mente.

— Não vai embora, Lily. Você não sabe o que tem lá fora.

Por um instante, eu me perguntei se era porque ele ainda se importava ou se estava sendo pressionado pela Vanessa e pelo meu pai, mas a lembrança do olhar gelado dele, parado enquanto o Alfa — o meu próprio pai — me bania, esmagou esses pensamentos.

— Não pode ter nada pior lá fora do que o que eu tô deixando pra trás — murmurei pra mim mesma, tentando lutar contra o medo que começava a se infiltrar no meu peito.

Enquanto eu dirigia, um chilreio agudo chamou minha atenção. Eu enfiei a cabeça pra fora da janela do carro pra olhar e vi um bando de pássaros seguindo o meu carro. Os gritos deles pareciam quase desesperados, como se estivessem tentando me avisar de alguma coisa — e era estranho ver pássaros brancos a essa hora da noite.

Enfiei a cabeça de volta pra dentro e resmunguei:

— Ótimo, era só o que faltava. Perseguidores com penas.

Observei eles com cautela, torcendo pra não sujarem meu carro. Várias vezes eu estiquei a mão pra fora e tentei espantá-los, mas também não adiantou. Desisti e continuei dirigindo.

Por fim, atravessei a fronteira da alcateia e entrei na floresta densa que se estendia à frente. Um silêncio sinistro tomou a noite; os pássaros que vinham me seguindo pareciam ter sumido na escuridão. Só restava o barulho do meu carro velho, rangendo, e aquele silêncio inquietante.

Os pelos na nuca se arrepiaram, meus dedos se apertaram ainda mais no volante, e meus olhos iam de árvore em árvore, procurando qualquer sinal de movimento. Histórias de uma floresta cheia de ursos-lobisomens selvagens, pumas, gatos-lobisomens ou até raposas-lobisomens — e sabe-se lá o que mais podia estar espreitando nas sombras — passavam pela minha cabeça, e não ajudava em nada o fato de eu não ter uma loba, o que me deixava dolorosamente vulnerável.

Tentei dirigir o mais rápido que o meu carro aguentava quando, de repente, um galho estalou em algum lugar na escuridão. Meu coração dobrou as batidas, e meu pé instintivamente afundou ainda mais no acelerador. O carro disparou para a frente, mas não parecia estar indo tão rápido quanto eu queria. Subi os vidros e continuei dirigindo, tão concentrada na estrada à frente que quase não vi o vulto se mexendo no retrovisor. Quase...

Meu coração veio parar na garganta quando vi o tamanho enorme dos lobos correndo entre as árvores atrás de mim. Inclinei o rosto, tentando enxergar melhor, e percebi que eram lobisomens. No espelho, apertei os olhos, tentando ver se conseguiria identificar de que alcateias eram, mas eu não podia ficar encarando por tempo demais. Eu estava dirigindo.

Mas eram lobos, sim, e estavam alcançando rapidamente.

“Não, não, não”, eu repetia, com o pânico subindo pelo peito. Isso não podia estar acontecendo. Eu tinha acabado de sair das terras da nossa alcateia e não tinha notado nenhum deles. Então... de onde eles tinham surgido?

Um rosnado rasgou o silêncio da mata, mais perto do que eu esperava. Eu gritei quando uma figura enorme se lançou contra o meu carro, a pata gigantesca batendo no capô com força suficiente para amassar o metal.

O tempo pareceu desacelerar quando eu encarei a criatura. Os lábios estavam repuxados num rosnado cruel, e as presas amareladas brilhavam à luz da lua que atravessava as copas das árvores. Aquele não era um lobo de alcateia — não tinha marca na testa.

Eu congelei. Era um renegado!

E pelo brilho nos olhos, pelo sorriso sinistro que se desenhava nos lábios e pelo jeito que ele martelava o para-brisa, eu soube que estava tentando me matar.

O para-brisa do meu carro trincou quando ele caiu sobre ele, e as rachaduras se espalharam como teias de aranha pelo vidro. Eu sabia que era só questão de segundos até estilhaçar de vez.

De repente, eu reagi. Agindo por puro instinto, puxei o volante com força para a esquerda. O carro derrapou violentamente, com os pneus guinchando em protesto. O movimento brusco pegou o lobo desprevenido, fazendo-o rolar para fora do capô e cair na estrada.

Mas a minha vitória durou pouco. Os que vinham atrás já corriam quase lado a lado com o meu carro. Mais lobos surgiram da mata; eu os ouvia estalando os dentes perto dos pneus, e as patas estrondosas e os rosnados famintos que enchiam o ar da noite eram tudo o que eu precisava para confirmar que eu devia ser o banquete deles hoje.

Lágrimas escorriam pelo meu rosto enquanto eu exigia tudo o que o carro velho podia dar. Meus olhos correram para o marcador de combustível — estava na reserva. De repente, o motor chiou, reclamando, esquentando demais, mas eu não podia diminuir. Não agora. Não com a morte batendo à minha porta.

“Por favor!”, eu soluçava, embora nem soubesse a quem eu estava implorando. À Deusa da Lua? Ao universo? A qualquer um que pudesse ouvir. “Por favor, eu não posso morrer assim.”

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