Lua de prata - O acordo

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Capítulo 4 Preparação - Part 1

Eugênia fica encolhida no canto da cela, esperando o nascer do sol. Com a luz da manhã, vê uma mulher de aparência cadavérica, sem roupas e com garras enormes. Inicialmente com medo, ela percebe que a mulher também é prisioneira e seu receio diminui.

— Não tenha medo, mesmo que eu quisesse te fazer mal, não poderia atrás dessas malditas grades. — A mulher disse, tentando tranquilizá-la.

— Você não é como eles, pelo menos não igual fisicamente! — Eugênia respondeu, sentindo-se mais calma com a presença da estranha.

A mulher explicou que foi um monstro no passado, mas decidiu não se alimentar de humanos ao cair da lua cheia. Ela agora estava no "entremeio", nem lobo, nem humano, e por isso foi aprisionada por um motivo diferente.

— Meu nome é Jane, e o seu? — Ela perguntou.

— Sou Eugênia, a filha mais nova de Elizabeth e Anthony. — Eugênia respondeu, percebendo um leve sorriso tímido no rosto de Jane.

As duas começaram a conversar sobre suas origens e sobre a vila de Eugênia, que se protegia dos licantropos. Jane ouviu sobre a forma como viviam e como se apoiavam mutuamente.

— Precisamos de sangue, e se não derem a ele por bem, Alfa e seus seguidores tirarão por mal. — Jane explicou sobre as necessidades dos licantropos.

Eugênia se revoltou com o pacto injusto que sua vila tinha com os lycans, onde eram forçados a entregar vidas em sacrifício. Ela questionou por que não poderiam coexistir em paz no mesmo mundo.

— Essa é a paz, enquanto derem o que ele quer. — Jane respondeu irônica.

Determinada a mudar as coisas, Eugênia se levantou e aproximou-se da grade, prometendo tirar Jane da prisão e lutar por um mundo diferente.

— Vou te tirar daqui assim que puder, e você vai me ajudar a tornar esse mundo diferente do que é hoje. — Eugênia declarou, olhando para Jane com confiança.

Jane sorriu para ela e junto a sua risada, um som não humano ecoou por todas as celas.

— Gosto da sua confiança e coragem, garota. Gostaria de acreditar que você consiga fazer tudo o que pretende. — Jane respondeu.

— Você vai ver que sim! — Eugênia respondeu com determinação, sentindo uma força interior que a impulsionava a lutar contra algo muito maior e mais poderoso que ela.

Alfa se prepara para o banquete observando seus súditos trazendo prisioneiros. Em seguida, ele se adorna com suas joias características, desce as escadas e encontra Radesh, seu fiel servo, esperando com a mesa já posta.

— Preparei sua comida, meu amo! — Radesh fez uma reverência, como de costume.

O jantar de sacrifício estava nos planos, após os jogos da noite. Porém, desta vez, algo estava diferente. Alfa mencionou que dependia de uma conversa que teria com Eugênia, a jovem prisioneira da masmorra. A declaração surpreendeu Radesh, que raramente via seu mestre questionar suas próprias decisões.

Inseguro, Radesh arriscou falar:

— Perdoe-me pelo atrevimento, mas nunca vi o senhor colocar suas decisões nas mãos de outra pessoa.

— Seu papel aqui é me servir e não questionar. — Retrucou Alfa enquanto comia, deixando claro sua autoridade.

No entanto, Alfa decidiu levar um regalo para Eugênia como uma tentativa de barganha por sua vida. Pediu que Radesh preparasse uma bandeja com frutas e um bom vinho.

Radesh ficou intrigado com aquela mudança de comportamento:

“Nunca vi o mestre servir qualquer outro e menos um humano, essa mulher deve ser muito poderosa.” Pensou Radesh, enquanto atendia a ordem do Alfa.

Alfa chegou à masmorra e ordenou:

— Abra a cela!

Alfa observou Eugênia sentar-se no velho banco que servia como cama na masmorra, colocando a bandeja de comida à sua frente. Ela hesitou por um momento, mas, faminta, começou a comer devagar. Alfa se aproximou, desejando provar a doçura dos lábios dela e mostrando seu poder sobre a jovem.

— Viu como é muito mais doce fazer o que eu mando? — Ironizou, tentando exercer seu domínio sobre ela.

— Só quero que deixe meu povo viver em paz. — Ela implorou tentando não me olhar nos olhos mais uma vez.

— Apenas te trouxe comida, não sabia que tinha trazido como prisioneira uma conselheira.

— Assim como você, eu só quero proteger os meus.

— Você pode ser nobre em meio aos humanos, uma verdadeira princesa. Não é assim que seu povo te chama lá fora? — Alfa sorriu.

Mas Eugênia não se abalava facilmente e continuava a enfrentá-lo com coragem.

— Não sou princesa de lugar algum, senhor, por favor deixe nosso povo em paz. Juro que minha família e eu partiremos desse lugar antes da próxima lua cheia! — Implorou ela.

Alfa, por sua vez, deixou claro que permitiria sua família partir, mas o resto da vila permaneceria, e o sacrifício aconteceria como de costume. Ainda que tentasse intimidá-la, Eugênia permaneceu firme em suas convicções, valorizando o amor e a proteção de seu povo.

— Você é corajosa, Eugênia, muito mesmo. Mas não está agindo com inteligência ao me enfrentar. — Disse Alfa, tentando persuadi-la.

Eugênia, em um ato de rebeldia, se levantou irritada e proclamou seu amor pelas pessoas que protegia. Alfa, com seu poder sobrenatural, imobilizou Eugênia, deixando-a consciente, mas sem controle sobre seu próprio corpo.

A tensão entre os dois era palpável, e Alfa estava diante de uma escolha: usar seu poder para manipulá-la ou respeitar sua vontade e decisões.

Eugênia permanecia parada, incapaz de controlar seus movimentos diante do poder avassalador do homem à sua frente. Mesmo que desejasse escapar, era como se estivesse presa em correntes invisíveis, totalmente à mercê dele. Sentiu um arrepio quando o homem forte a abraçou, erguendo seus cabelos e lambendo seus lábios de forma quase predatória, deixando-a vulnerável e indefesa.

Por mais que quisesse pedir que ele parasse, nenhuma palavra saía de sua boca e ela se viu obrigada a aceitar suas ações. Uma lágrima escapou de seu olho esquerdo, demonstrando sua angústia e impotência perante aquela situação.

— Você é minha, só minha, e posso fazer o que eu quiser com você. — A voz dele ecoou em seus ouvidos, reafirmando seu domínio sobre ela. Mesmo que suas palavras soassem como uma declaração de posse, Eugênia sentia um ar sombrio de romantismo envolvendo-as.

Logo em seguida, ele a libertou do transe, permitindo que retomasse o controle de seu próprio corpo. Eugênia afastou-se rapidamente, ainda em choque com terrível experiência vivida.

— Nunca mais faça isso comigo! — Exclamou, afastando-se ainda mais e tocando-se para se certificar de que estava intacta.

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