Ex-Magnata Vingativo

Download <Ex-Magnata Vingativo> grátis!

BAIXAR

Capítulo 5

“Senhora Neville, está tudo bem?” Ao ver o silêncio da Sophia, a Claire perguntou de novo, baixinho: “Você está tão pálida. Está se sentindo mal?”

Ela colocou a pasta transparente de documentos que estava segurando ao lado da Sophia. “Isso aqui… o Gerald disse que não vai mais levar isso adiante. Não se culpe tanto.”

O olhar da Sophia percorreu a pasta, que continha o roteiro que o Gerald tinha criticado com tanta dureza.

A Claire continuou, naquele tom suave: “Eu entendo você de verdade. Estar grávida e ainda ter que trabalhar deve ser muito difícil. E aí acontece uma coisa dessas hoje… é normal ficar abalada. Mas já passou. Eu já conversei com o Gerald, e ele não vai mais colocar a culpa em você. Da próxima vez, só tenha mais cuidado e seja mais minuciosa no trabalho, que ele não vai ficar bravo.”

As palavras dela eram impecáveis. Qualquer um que ouvisse pensaria que ela era uma garota bondosa e compreensiva.

Mas, naquele momento, a Sophia só sentia um peso enorme apertando o peito.

Não foi culpa dela.

Ela tinha terminado um trabalho extra no prazo e enviado um roteiro revisado com cuidado.

Alguém trocou os arquivos, e o Gerald a condenou sem nem perguntar nada.

E agora todo mundo queria que ela admitisse a culpa.

Por quê?

Sophia não tocou na pasta. Ela se levantou devagar e encarou o olhar ainda gentil da Claire. “Obrigada pela sua gentileza, senhorita Douglas. Mas não precisa.”

A expressão perfeita de preocupação da Claire congelou por um instante.

A Sophia continuou: “Já passou do horário de trabalho, e esse documento…” Ela apontou para a pasta transparente. “Eu não vou revisar mais nada.”

Vendo os olhos da Claire se arregalarem um pouco, ela disse, palavra por palavra: “Primeiro: isso nem fazia parte das minhas funções. Foi trabalho extra que jogaram pra cima de mim, e eu já fiz mais do que me cabia. Segundo: a versão revisada que eu entreguei não tinha problema nenhum. Aquele lixo no chão que o senhor Churchill criticou… não fui eu que fiz. Então eu não tenho nada pra corrigir.”

A Claire ficou sem reação. As sobrancelhas delicadas se franziram levemente, como se ela quisesse dizer alguma coisa, mas outra voz afiada interrompeu.

“Sophia! Que atitude é essa?”

A Lily veio marchando até elas, batendo o salto alto. “A senhorita Douglas teve a bondade de falar por você e limpar a sua bagunça, e em vez de agradecer, você fica sendo irônica? Que ingratidão!”

Mas a Sophia só lançou um olhar rápido para ela.

Ela se virou para a Lily, com o olhar cortante, sem ser mais a assistente submissa de antes. “Senhorita Brooks, eu queria te perguntar uma coisa. Aquele monte de roteiros que você me deu antes do fim do expediente — eu não revisei e organizei tudo como você pediu e não mandei pro seu e-mail?”

A Lily não esperava que ela atacasse de repente. Ela travou por um instante e depois ergueu o queixo, dura: “E daí se mandou? Se o que você entregou não ficou bom o bastante e o senhor Churchill não ficou satisfeito, o problema é seu!”

A Sophia soltou uma risada fria. “A versão final que eu te enviei e a que o senhor Churchill acabou de jogar na minha cara são coisas completamente diferentes. Por que o arquivo que eu te entreguei foi trocado por uma versão lixo, cheia de falhas?”

Ela pegou o celular, mexeu rápido algumas vezes e então virou a tela para a Lily e para a Claire. “Isso aqui é um print do e-mail que eu mandei hoje à tarde. Os horários das revisões estão todos registrados. Senhorita Brooks, você quer que eu baixe agora mesmo o rascunho revisado de verdade pra gente comparar?”

As palavras da Sophia eram claras e lógicas, com provas concretas.

Só porque ela costumava engolir tudo calada não significava que fosse burra ou que não soubesse proteger o básico do próprio trabalho.

Os olhos da Lily vacilaram.

Ela não esperava que a Sophia tivesse guardado prova. Ela sempre pareceu tão fraca e fácil de intimidar.

“Você… do que é que você está falando? Você só fez um trabalho malfeito e agora está querendo jogar a culpa nos outros!”

Ao ver Claire olhando para ela com desconfiança, Lily entrou em pânico e começou a falar sem pensar.

— Sophia! Para de inventar acusações! E daí se eu não gosto de você? Olha pra você... você parece um porco e ainda fica grudada no Sr. Churchill todo santo dia, sonhando em casar por dinheiro! Se olha no espelho! Você acha que o Sr. Churchill ia se interessar por você? Só alguém como a Srta. Douglas merece ficar ao lado do Sr. Churchill! Você não é nem digna de carregar o sapato da Srta. Douglas!

As palavras cruéis atravessaram o coração de Sophia na hora.

O corpo dela balançou, e, instintivamente, a mão foi até a barriga para protegê-la.

— Srta. Brooks! — Claire interveio no momento certo. — Não fala assim. Afinal, a Srta. Neville está grávida. É normal que as emoções dela fiquem instáveis.

Ela se virou para Sophia, com um olhar difícil de decifrar.

— Srta. Neville, você também não se exalte. Já passou do expediente; é melhor você ir pra casa descansar.

Mais uma vez, ela assumia o papel de pessoa gentil e generosa.

Sophia olhou para o rosto bonito e inocente de Claire, depois para a expressão de Lily, irritada e ao mesmo tempo culpada, e, de repente, sentiu o quanto tudo aquilo era absurdo.

Ela guardou o celular e lançou a elas um último olhar.

— Tá bom. Meu expediente acabou.

Dito isso, ignorou todo mundo, apoiou a mão na cintura e foi embora, passo a passo.

Ao sair do prédio do escritório, Sophia foi até um banco no ponto de ônibus à beira da rua e se sentou, apertando a bolsa de tecido contra o peito.

Uma onda de mágoa a invadiu.

Por que, não importava o que ela fizesse, não importava o quanto aguentasse, tudo o que recebia em troca era culpa e difamação?

Só porque ela amou a pessoa errada e se casou com a pessoa errada, ela merecia passar por tudo aquilo?

O ônibus chegou, e Sophia subiu meio atordoada.

Ela encarou, sem foco, as figuras borradas do outro lado da rua, e seus pensamentos voltaram, sem controle, muitos anos no tempo, para aquela noite chuvosa em que ela também tinha se sentido abandonada pelo mundo.

Ela não era filha biológica da família Neville.

Tinham encontrado ela, abandonada na porta do orfanato, com apenas uma fotografia antiga e desfocada ao lado.

O casal Neville, de bom coração, a adotou, deu a ela um lar e o nome de “Sophia Neville”.

Num impulso, ela baixou a cabeça e tirou uma carteira velha, abrindo-a para revelar uma fotografia antiga e amarelada escondida lá dentro.

A foto mostrava um menino e uma menina — o menino com uns dez anos, a menina com quatro ou cinco, com o cabelo em trancinhas, sorrindo com certa timidez. O menino mantinha o braço bem apertado em volta do ombro da irmã, fazendo careta para a câmera.

Era a única coisa que ela tinha na época, a única ligação com o passado e com seus parentes de sangue.

A menina na foto era ela, e ao lado estava seu irmão mais velho.

Ela ainda se lembrava de como o irmão a protegia, sempre cuidando dela.

Mas, fora isso, as lembranças de onde era sua casa, quem eram seus pais e por que tinham se separado — essas memórias essenciais pareciam trancadas atrás de uma névoa espessa. Por mais que tentasse, ela não conseguia recuperá-las.

Ao longo dos anos, ela tentou procurar, mas nunca conseguiu encontrar sua família de verdade.

A garotinha da foto tinha traços delicados e um sorriso inocente.

Durante anos, Sophia olhou para aquela foto incontáveis vezes, imaginando como seria sua família, e incontáveis vezes comparou a imagem ao reflexo no espelho, tentando encontrar algum vestígio de semelhança entre ela e a menina da fotografia.

Mas, depois de um acidente, ela engordou muito, e seu rosto mudou um pouco — a ponto de ela mal se reconhecer.

Ainda assim, naquele momento, talvez pela tontura depois de tanta agitação emocional, enquanto encarava os traços da garotinha na foto, outro rosto passou de repente pela sua mente.

O rosto de Claire.

Aquelas sobrancelhas finas e o contorno dos olhos, o jeito como os olhos dela se arqueavam levemente quando sorria...

De repente, Sophia teve a sensação de que a imagem da garotinha na fotografia lembrava um pouco a Claire — jovem e bonita.

Capítulo Anterior
Próximo Capítulo