Ex-Magnata Vingativo

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Capítulo 3

Quando Gerald viu a expressão de Sophia, soltou uma risada baixa, sem humor. “Não é à toa que o vovô e o resto apareceram do nada.”

Ele avançou na direção dela, e cada passo parecia mais frio que o anterior. “Você foi correndo até o vovô, não foi? Falou mal da Claire, botou lenha na fogueira e fez ele mandar gente atrás dela. Depois ainda arrastou ele até a minha casa pra me confrontar.”

Sophia estava quase atordoada demais para conseguir falar. “Eu não—”

“Cala a boca.” A voz dele cortou a sala. “Para com esse teatrinho. Quanto mais você finge, mais nojenta você fica.”

A garganta dela se fechou. Todas as palavras que queria dizer desabaram por dentro.

Olhando para o rosto bonito dele, distorcido de ódio, ela percebeu que qualquer paixãozinha de menina que um dia tivera por ele já tinha sido esmagada e virado pó fazia tempo.

Gerald bufou. “Tô te avisando. Fica longe da Claire. Se não ficar, depois não vem me culpar pelo que acontecer.”

Ele pegou o casaco e saiu feito um furacão, batendo a porta atrás de si.

Sophia ficou paralisada. As lágrimas escorreram antes mesmo de ela perceber.

Enquanto chorava, deixou escapar uma risada rouca, sem humor.

Esta casa. Este casamento. Este homem.

No que ela ainda estava se agarrando?

Ela enxugou as lágrimas, virou o rosto e caminhou devagar em direção ao quarto.

Na manhã seguinte, ela acordou com a casa vazia. Gerald não tinha voltado a noite inteira.

Uma dor aguda, familiar, atravessou o peito dela, mas Sophia engoliu aquilo, se vestiu e seguiu para o estúdio do professor Quentin Watson.

Quentin pareceu surpreso quando ela entrou. “Sophia? Você está bem? Eu vi as notícias — seu roteiro foi selecionado pro Festival de Cannes! Parabéns. Depois de tantos anos de esforço, finalmente está valendo a pena.”

“Sr. Watson.” A voz dela suavizou. O calor no tom dele quase fez seus olhos se encherem de novo. “Obrigada.”

Ela hesitou, se recompondo. “Eu… quero fazer algumas mudanças na minha vida.”

Um sorriso de quem já sabia apareceu no rosto de Quentin. “Quando seu projeto de formatura tirou a nota mais alta, eu soube que você tinha talento. Depois…” Ele soltou o ar. “Bom, pelo menos agora você se encontrou.”

Antes que ela respondesse, um diretor jovem se apressou até eles com uma pilha de roteiros. “Sr. Watson, alguma coisa não está encaixando nesse ponto de virada. O senhor pode dar uma olhada?”

Quentin passou os olhos e, em vez disso, entregou para Sophia. “Sophia, por que você não dá uma olhada?”

Ela pegou o roteiro.

Em poucos minutos, apontou várias revisões, transformando uma cena de discussão sem graça em algo carregado de tensão emocional.

Os olhos do diretor jovem se arregalaram. “Isso! É isso. Muito profissional — agora ficou completamente diferente. Moça, você é incrível.”

Quentin analisou as anotações dela, e a aprovação no olhar dele só aumentava a cada linha.

“Sophia”, ele disse, com a voz ficando séria, “meu estúdio está preparando vários projetos novos. Você está desperdiçada como assistente de faz-tudo lá. Venha trabalhar comigo. Vou te dar o cargo de roteirista-chefe.”

Sophia travou. A surpresa e uma dor silenciosa passaram por dentro dela.

Escrever roteiros sempre tinha sido o sonho dela.

Mas, depois de se casar com Gerald, ela trabalhava na Churchill Films só no papel — oficialmente, assistente de roteiro; na prática, uma quebra-galho para todo mundo.

O que Quentin estava oferecendo não era só um emprego. Era uma porta de volta para a paixão dela.

Ela ergueu a cabeça, o olhar firme. “Obrigada pela oportunidade. Eu aceito.”

Elas passaram a tarde discutindo ideias novas. Quando Sophia finalmente saiu do estúdio, se sentia mais leve, como se tivesse voltado à vida.

Quando voltou para casa, Gerald ainda não tinha aparecido. Raramente aparecia. Aquela casa não significava nada pra ele.

Ela subiu, abriu o notebook e começou a escrever a carta de demissão.

Na manhã seguinte, ela chegou ao Grupo Churchill no horário, com a carta dentro da bolsa.

No instante em que atravessou a porta giratória, deu de cara com uma multidão.

Gerald saiu do elevador cercado de executivos, com uma expressão fria e autoritária.

Sophia parou e baixou a cabeça, saindo do caminho depressa.

Ninguém na empresa sabia que ela era esposa dele — nem mesmo depois de quase quatro anos.

O olhar dele passou por ela como se ela fosse um móvel. Nem um lampejo de reconhecimento. Ele seguiu adiante sem diminuir o passo.

Ela apertou mais a alça da bolsa. Quando ele desapareceu pelo corredor, ela foi para o seu setor.

A estação de trabalho dela ficava num canto escuro, escondida da luz do sol. Ela arrumou suas coisas em silêncio e, então, levou a carta de demissão até a sala da gerente geral.

Lily Brooks franziu a testa ao ler. Ela não queria que Sophia saísse. Sophia era eficiente, confiável e facilitava o trabalho dela.

Mas, quando Sophia insistiu, o rosto de Lily endureceu. — Preciso de uma semana para a passagem do serviço.

— Tudo bem — respondeu Sophia. — Obrigada.

Na semana seguinte, ela se enterrou no trabalho — separando documentos, conferindo dados, listando tarefas — escondida naquele canto abafado.

Gerald não apareceu uma única vez.

Boatos começaram a circular pelo escritório sobre ele estar indo ao Centro de Saúde Serenity com a nova estagiária.

Cada cochicho roçava em Sophia como uma agulha fina. Mas ela só parava por um segundo, respirava e voltava a focar na tela.

Logo, nada disso vai importar, disse a si mesma.

Naquela manhã, a área mais bem iluminada do andar de repente ficou agitada.

O pessoal do administrativo entrou carregando móveis novos — uma mesa enorme de madeira maciça, uma cadeira de couro caríssima, arquivos, um sofá, até uma geladeira particular.

Depois vieram objetos de decoração e plantas exuberantes. Em cima da mesa principal havia uma caixinha de joias de veludo aberta, com um colar de diamantes e um relógio brilhando lá dentro.

Assim que tudo foi arrumado, um burburinho estourou perto da entrada.

Sophia ergueu os olhos.

Gerald entrou com Claire.

Claire usava um conjunto bege que realçava os traços delicados; o cabelo comprido caía sobre os ombros. Ela parecia tímida, insegura, quase frágil.

Gerald a conduziu pelo salão, direto para o escritório recém-mobiliado.

O andar inteiro entrou em alvoroço.

— Aquela garota com o senhor Churchill!

— O sobrenome dela não é Douglas? Ouvi dizer que ela estagiou aqui, aí aconteceu uma coisa… O senhor Churchill está no hospital com ela há dias!

— Meu Deus, ele trouxe ela aqui pessoalmente? E deu aquele escritório pra ela?

— Aquele escritório é melhor que o meu apartamento. Ele mima ela mesmo.

— Futura senhora Churchill, com certeza. Ela tem uma carinha tão inocente… que sorte.

Sophia encarou o escritório claro e luxuoso e, depois, o próprio canto escuro.

Uma ardência azeda subiu no nariz. O peito apertou.

Quatro anos antes, quando entrou na empresa, Gerald tinha insistido que ela começasse por baixo. Todo mundo começava assim, ele disse.

Então ela aceitou o cargo mais baixo. Trabalhou duro, fez tudo o que pediam, nunca reclamou.

E depois de quatro anos?

Ela nem merecia uma mesa decente.

Mas Claire só precisava aparecer.

A diferença entre ser amada e não ser amada era um abismo.

Sophia já devia ter acordado havia muito tempo. Já devia ter ido embora havia muito tempo.

Por sorte, ela estava quase livre.

Ela cerrou os punhos, desviou o olhar e voltou ao trabalho.

Nesse momento, Lily se aproximou, batendo os saltos altos, e largou uma pilha grossa de pastas sobre a mesa de Sophia. — Isso aqui precisa estar organizado e na minha mão antes de você ir embora hoje.

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