Capítulo 1
A tempestade rugia com uma fúria implacável, cortinas de chuva martelando os vidros do carro como um ataque sem fim. Sophia Neville apertou com força a maçaneta da porta, a voz trêmula enquanto suplicava: “Gerald, por favor, acredita em mim — aqueles capangas que machucaram a Claire Douglas... não fui eu que mandei eles atacarem ela...”
“As provas são irrefutáveis, e você ainda está negando”, respondeu Gerald Churchill, frio, os olhos faiscando com uma intensidade cruel ao atirar um maço de fotos nela. As imagens esvoaçaram pelo ar, cada uma “registrando” o suposto processo de Sophia contratando os capangas.
“Não, isso não é verdade”, Sophia sacudiu a cabeça, desesperada. “Não sou eu... eu nem conheço ela. Por que eu iria querer machucar ela?”
Antes que ela terminasse, uma mão grande avançou, e Gerald agarrou o queixo dela com brutalidade, obrigando-a a encarar seu olhar. A respiração dele veio quente e irregular contra a pele dela e, sem aviso, ele baixou a cabeça, selando os lábios dela num beijo cruel. A língua dele forçou passagem entre os dentes dela com insistência violenta, saqueando a boca dela numa tempestade punitiva de domínio, roubando-lhe o ar até ela quase não conseguir respirar. As lágrimas se misturaram à chuva que escorria pelo rosto dela, traçando um caminho brilhante.
“Eu também quero saber por quê”, ele rosnou contra os lábios dela, a voz carregada de acusação. “Porque ela chamou minha atenção? Foi por isso que você não suportou nenhuma mulher perto de mim, a ponto de mandar três capangas pra destruir a inocência dela?”
“Eu não fiz isso... de verdade, não fui eu...”
“Não foi você?” Gerald zombou, soltando o queixo dela com um empurrão que fez a cabeça dela ir para trás. A mão dele desceu e, com brutalidade, arrancou o fecho da blusa de gestante dela.
Com um rasgo seco, o tecido se abriu, expondo a peça íntima clara e o volume da barriga grávida. Ele não teve nenhuma piedade: a palma grande dele invadiu o sutiã fino, puxando-o para fora para envolver o seio macio e cheio, amassando-o com força desmedida. Os dedos dele beliscaram e provocaram o bico sensível, sentindo o tremor involuntário e o calor subindo no corpo dela.
Sophia recuou, apavorada, encolhendo-se de modo protetor enquanto as mãos tentavam instintivamente cobrir o peito, mas ele as afastou com facilidade. A vergonha crua de estar exposta a inundou como a chuva incessante lá fora.
“E aí, como é se sentir despida assim?” A voz de Gerald era gelada, e o olhar dele cortou a pele vulnerável dela — a curva da barriga grávida e o rubor cheio que ele acabara de maltratar. “Seu corpo reage tão fácil, seu mamilo endurecendo desse jeito... e você ainda fala em inocência? Foi exatamente assim que a Claire foi encontrada. Sophia, o que quer que você tenha feito com ela, eu faço com você.”
As palavras mal tinham saído da boca dele quando a porta do carro se abriu, e Gerald a empurrou para fora, direto na tempestade.
“Ah!”
Ela caiu de um jeito desajeitado no chão ensopado, uma dor aguda atravessando seus joelhos e cotovelos. Antes que ela conseguisse dizer qualquer coisa, o Rolls-Royce arrancou, e as lanternas traseiras sumiram na noite encharcada.
A chuva ficou mais pesada, gotas grandes castigando-a com dor.
Sophia lutou para ficar de pé e olhou em volta, desesperada. Não havia a menor chance de conseguir um táxi ali — ela teria que voltar a pé.
Com uma mão protegendo a barriga e a outra segurando as roupas rasgadas, ela cambaleou na direção da mansão.
A mente dela não conseguia evitar de reviver os últimos três anos.
O casamento com Gerald começou como uma transação.
Três anos antes, o pai dela, Heath Neville, que tinha feito filmes a vida inteira, ficou de cabelos brancos da noite para o dia depois de um investimento fracassado.
O avô de Gerald, Mason Churchill, lembrando-se de como a família Neville o tinha ajudado anos atrás, ofereceu ajuda — com a condição de uma aliança por casamento entre as duas famílias.
Naquela época, Gerald, o herdeiro da família Churchill, precisava por acaso de um casamento para conseguir assumir o controle do fundo fiduciário da família.
Naquele tempo, ela tinha se casado com a família Churchill cheia de esperança, porque gostava de Gerald havia muito tempo.
Infelizmente, ele só sentia nojo dela.
Na cabeça dele, ela era sempre uma mulher ciumenta e cruel.
Até essa criança — ele acreditava que ela tinha colocado alguma coisa na bebida dele e se enfiado na cama dele para conseguir engravidar.
Mas aquilo não era verdade. Ele nunca acreditou nela, assim como hoje. Era claro que não tinha nada a ver com ela, mas ele tinha certeza de que tinha sido ela...
As lágrimas caíam como contas de colar arrebentadas. Sophia caminhava e enxugava o rosto. Depois de quase uma hora, finalmente avistou as luzes da mansão.
A chuva já tinha encharcado o corpo inteiro dela havia muito tempo, deixando seus dentes batendo de frio.
Assim que empurrou a porta da frente, a música alta veio com tudo.
Na sala, Michael Churchill, o irmão mais novo de Gerald, estava largado no sofá jogando videogame, com latas de cerveja vazias espalhadas pelo chão.
Ao vê-la, Michael abriu um sorriso de canto e gritou: “Sophia, tô com fome. Vai fazer alguma coisa pra eu comer, anda logo!”
O tom dele era tão casual, como se estivesse dando ordens a uma empregada.
Sophia, apoiando a barriga que doía de leve, o ignorou e foi direto para as escadas.
“Sophia!” Michael jogou o celular no sofá de repente.
Em poucos passos, ele foi até ela e agarrou o braço dela. “Eu tô falando com você! Tá surda?”
Ele se aproximou, o bafo carregado de álcool batendo no rosto dela, e o olhar dele desceu para a barriga inchada com maldade. “Quem você pensa que é! Sua família faliu, e o vovô teve pena de você — você é só um traste que a gente recolheu! Acha mesmo que é a senhora Churchill? Olha pra você, gorda que nem uma porca. O Gerald já te deu alguma atenção?”
“Se você não me servir direito, eu faço o Gerald se divorciar de você num estalar de dedos!”
As palavras cruéis atravessaram na hora os nervos entorpecidos dela.
Sophia se soltou à força e continuou subindo.
Atrás dela, vieram xingamentos ainda mais insuportáveis de Michael.
De volta ao quarto, ela trancou a porta e foi escorregando devagar encostada nela até se sentar no chão, o corpo tremendo sem controle.
Depois do casamento, ela sempre tinha se esforçado para ser uma boa esposa, mas o que tinha recebido em troca?
Ela acariciou a barriga, a voz rouca: “Bebê, a mamãe errou desde o começo?”
Nesse momento, o celular dela tocou.
Sophia atendeu.
“É a Srta. Sophia Neville?”
Uma voz feminina e gentil veio do outro lado: “Aqui é uma diretora da Luminex Media. O roteiro que você enviou no mês passado, ‘Cidade Azul’, foi selecionado para o Festival de Cannes, e investidores têm interesse em produzir. Você teria disponibilidade para participar das filmagens daqui a dois meses?”
Ao ouvir aquilo, Sophia ficou atordoada.
Aquele roteiro — ela tinha escrito encolhida num canto do escritório, em incontáveis madrugadas depois de ser rejeitada por Gerald.
A pessoa do outro lado ainda esperava uma resposta.
Sophia olhou para a tela do celular, que estava prestes a apagar, e uma fagulha de repente saltou das cinzas mortas no olhar dela.
“Posso.” Ela fez uma pausa, a voz mais firme. “Daqui a dois meses, eu entro pra equipe.”
Depois de desligar, ela foi até a janela e olhou a paisagem noturna agitada da cidade lá fora, com a palma da mão pressionada contra a barriga inchada.
O caminho não estava totalmente fechado — ela devia tentar.
A noite estava densa. Passos soaram do lado de fora da porta do quarto.
Gerald empurrou a porta e entrou, o rosto fechado.
