ESPANCADA INTIMIDADA ESTOU QUEBRADA

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Capítulo Seis, Dois anos depois,

POV da Gemma

Dois anos depois

Dois anos.

Dois anos inteiros desde que eu fugi dos Alfas.

Às vezes, tarde da noite, eu ainda pensava naquela noite na floresta — no Asher me carregando nos braços, no Jayden enfrentando o Richard, no Logan tentando me soltar daquelas algemas.

Eles tinham me salvado.

E eu fugi deles mesmo assim.

Uma parte de mim ainda se sentia culpada por isso.

Mas outra parte sabia que eu tinha tomado a decisão certa.

Naquela época, eu não sabia como confiar em ninguém. Todas as pessoas na minha vida acabavam me machucando em algum momento, então fugir foi instinto.

Sobrevivência.

E, sinceramente?

Fugir me salvou.

Porque me trouxe até aqui.

Até a Maggie.

Até o John.

Até a Emily e o Sean.

Até uma família de verdade.

Os últimos dois anos mudaram tudo.

Eu não dormia mais num porão cercada de escuridão e medo. Eu não me encolhia mais toda vez que alguém levantava a voz. Eu não passava mais fome nem escondia hematomas debaixo de roupas grandes demais.

Pela primeira vez na minha vida…

Eu estava me curando.

Não só fisicamente.

Emocionalmente também.

A Maggie me ensinou mais do que a escola jamais conseguiria. Como eu não podia voltar com segurança para a escola pública, ela mesma passou a me ensinar em casa — matemática, inglês, história, lei da matilha, técnicas de sobrevivência e, mais importante…

Magia.

Magia de verdade.

No começo, eu achei que ela estava errada sobre mim.

Não tinha como alguém tão quebrada quanto eu ser poderosa.

Mas a Maggie provou o contrário.

O dia em que ela fez o feitiço de revelação ainda me assombrava.

Os símbolos tinham brilhado em prata, ouro e um vermelho profundo ao redor do meu corpo, antes de explodirem numa luz tão forte que estilhaçou metade das janelas da casa.

Eu era uma tribrida.

A última conhecida.

Parte lobo.

Parte bruxa.

E alguma outra coisa antiga, enterrada bem no fundo da minha linhagem.

Até a Maggie pareceu apavorada naquele dia.

Ao que tudo indicava, criaturas como eu não deveriam mais existir.

Por anos, meu corpo tinha sido fraco porque gastava toda a energia se recuperando dos abusos, enquanto reprimia poderes que eu não entendia.

Mas agora?

Eu estava ficando mais forte.

Todos os dias.

E, devagar… dolorosamente devagar…

Eu estava começando a parar de me odiar.

Às vezes, eu ainda pensava em vingança.

No Richard.

Na Khloe.

Em fazê-los sofrer do jeito que me fizeram sofrer.

Mas a Maggie sempre me avisava para eu não deixar a escuridão me consumir.

“A vingança parece poderosa no começo”, ela me disse uma vez. “Mas, no fim, ela envenena quem a busca.”

Eu tentava me lembrar disso.

Mesmo que uma parte de mim ainda quisesse o Richard morto.

Hoje, porém…

Hoje não era sobre dor.

Hoje era meu décimo sétimo aniversário.

E, de algum jeito, essas pessoas tinham conseguido fazer com que eu me sentisse especial antes mesmo de o dia começar direito.

O John passou um braço pelos meus ombros enquanto a gente estava na cozinha naquela manhã.

“Quando a Emily e o Sean chegarem em casa, a gente vai comemorar direito”, ele anunciou, todo orgulhoso. “Noite de filme, comida, bolo — completo.”

Eu ri baixinho.

“Não precisa fazer tudo isso.”

“Precisa sim”, a Maggie respondeu na hora.

O John abriu um sorriso. “Dezessete é importante.”

Um calor estranho se espalhou pelo meu peito.

Ninguém nunca tinha comemorado meu aniversário antes.

O Richard e a Khloe mal reconheciam que eu existia.

Na maioria dos anos, eu passei meus aniversários trancada no porão.

“Você merece ser feliz, Gemma”, a Maggie disse com doçura. “Nunca deixe ninguém te convencer do contrário.”

A emoção travou minha garganta na mesma hora.

O John me abraçou forte, e mais uma vez eu senti aquela fisgada familiar no peito.

Era assim que pais deveriam ser.

Seguros.

Acolhedores.

Amorosos.

O resto da tarde foi passado treinando com a Maggie.

Ela tinha começado a me ensinar magia avançada recentemente e, sinceramente, era assustador de tão intenso.

Portais.

Feitiços de cura.

Barreiras de proteção.

Quebra de maldições.

Detecção de magia sombria.

Quanto mais eu aprendia, mais assustador o meu próprio poder parecia.

“Foco”, a Maggie orientou com paciência, enquanto a gente ficava do lado de fora, perto da linha da floresta.

Eu fechei os olhos e me concentrei.

A magia se agitava sob a minha pele como uma eletricidade morna.

“Imagine para onde você quer ir”, a Maggie disse, baixinho.

Eu imaginei a clareira à beira do lago ali perto.

Um estalo seco cortou o ar.

Um portal prateado-azulado se abriu de repente na minha frente.

Meus olhos se arregalaram de choque.

“Eu consegui...”

Maggie abriu um sorriso radiante, orgulhosa. “Você está melhorando mais rápido do que eu esperava.”

Eu ri, sem fôlego.

Talvez, pela primeira vez na minha vida...

Eu realmente me senti orgulhosa de mim mesma.

Quando a noite caiu, Emily e Sean entraram pela porta da frente carregando sacolas e discutindo alto, como sempre.

No segundo em que Emily me viu, ela soltou um suspiro dramático.

“A aniversariante!”

Antes que eu pudesse reagir, ela enfiou uma caixa embrulhada com capricho nas minhas mãos.

“Abre!”

Rindo baixinho, eu desembrulhei com cuidado.

Lá dentro havia um colar delicado azul e dourado, com um pingente de diamante em forma de gota.

Na mesma hora, meus olhos se encheram de lágrimas.

“Emily...”

O sorriso dela suavizou, meio nervoso. “Você gostou?”

“Gostei?” eu sussurrei. “Eu amei.”

Ela correu até mim na mesma hora para ajudar a prender o colar no meu pescoço.

“Ficou perfeito em você”, ela disse, toda orgulhosa.

Eu toquei o pingente com cuidado, tomada pela emoção.

“Eu nunca vou tirar isso.”

Sean revirou os olhos, fazendo drama, antes de estender outra caixa.

“Minha vez.”

Eu ri e abri o presente dele.

Dentro havia um relicário lindo de ouro.

De um lado, uma foto da Maggie e do John.

Do outro, uma foto minha com a Emily e o Sean juntos.

Aquilo me desmontou por completo.

Lágrimas felizes escorreram pelo meu rosto.

“Eu nem sei o que dizer...”

“Você não precisa dizer nada”, Sean falou baixinho. “Você é da família.”

Família.

Às vezes, essa palavra ainda parecia irreal.

“Agora”, John anunciou alto, batendo palmas, “primeiro a comida. Depois a choradeira emocionada.”

Todo mundo riu.

E por um tempinho...

Tudo pareceu perfeito.

O jantar foi barulhento, caótico e acolhedor.

Exatamente como jantar em família tem que ser.

John ainda me serviu uma taça minúscula de vinho, dizendo que dezessete anos era “perto o suficiente da maioridade”.

Mas, no meio do filme—

Toc. Toc. Toc.

O som ecoou pesado pela casa.

Na mesma hora, todo lobo na sala ficou tenso.

A expressão de John escureceu.

Então ele farejou o ar.

“Os Alfas.”

Meu sangue gelou.

Não.

Não, não, não.

O pânico explodiu dentro de mim no mesmo instante.

E se eles reconhecessem meu cheiro?

E se me arrastassem de volta?

“Cozinha”, John ordenou, em voz baixa.

Eu não hesitei.

Emily segurou a minha mão enquanto Sean e Maggie nos seguiram depressa para a cozinha.

Meu coração batia com violência enquanto a gente escutava da entrada.

John abriu a porta da frente.

“Boa noite, rapazes.”

A voz de Jayden respondeu primeiro.

“Viemos avisar. Estão falando de um ataque contra a matilha.”

Meu estômago se revirou.

Ataque?

“Não sabemos quando”, Logan continuou, “mas todo mundo está sendo transferido temporariamente para a casa da matilha.”

“Venha com a gente, tio John”, Asher acrescentou, baixo.

Tio.

Certo.

Eles eram família.

John soltou um suspiro pesado.

“Eu não posso deixar a Maggie.”

Houve silêncio.

Então Jayden falou de novo.

“Pelo menos deixe a gente colocar guardas por perto.”

Meu pulso acelerou ao ouvir a voz dele.

Mais grave.

Mais madura.

Mais forte.

Dois anos tinham mudado eles também.

“A gente vai colocar barreiras ao redor da propriedade”, Maggie sussurrou ao meu lado.

A conversa acabou, por fim, com despedidas relutantes.

No segundo em que a porta da frente se fechou, eu soltei o ar, trêmula.

“E se eles me encontrarem?” eu sussurrei.

“Não vão”, Emily me garantiu, rápida.

Mas o medo ainda rastejava por baixo da minha pele.

“Eu preciso de ar.”

Emily se levantou na hora. “Eu vou com você.”

“Não”, eu disse, baixinho. “Eu só preciso caminhar um pouco.”

Maggie me observou com atenção antes de assentir uma vez.

“Fica dentro da barreira.”

“Vou ficar.”

Eu saí depressa para o lado de fora, sentindo o ar fresco da noite.

A floresta me acalmou imediatamente.

O som das folhas se mexendo, as corujas ao longe e a água correndo sempre acalmavam minha mente.

Até que, por fim, eu cheguei ao meu lugar preferido.

O lago.

A luz da lua cintilava na água, linda, reflexos prateados dançando na superfície.

Aquele lugar tinha virado minha fuga.

Minha paz.

Eu me sentei perto da margem, abraçando os joelhos contra o peito enquanto encarava as estrelas.

Minha vida finalmente estava mudando.

Dessa vez...

Eu não estava mais me afogando na escuridão.

Então, de repente—

Crec.

Um galho quebrou atrás de mim.

Todo instinto dentro de mim congelou.

Devagar, eu me virei.

E meu fôlego travou na mesma hora.

Sob as árvores, havia três silhuetas.

Três silhuetas familiares.

Asher.

Logan.

Jayden.

Os Alfas tinham me encontrado.

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