ESPANCADA INTIMIDADA ESTOU QUEBRADA

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Capítulo Quatro, Onde Ela Está?

POV do Alfa Jayden

A culpa estava me destruindo de dentro pra fora.

No segundo em que percebi que a Gemma era a nossa companheira, alguma coisa sombria se retorceu dentro do meu peito. Meu lobo não parava quieto, andando de um lado pro outro sob a minha pele, dividido entre raiva, instinto de proteção e culpa.

Principalmente culpa.

Porque nós machucamos ela.

Não uma vez.

Não duas.

Por anos.

E agora a Deusa da Lua esperava que ela nos aceitasse?

Eu já sabia que ela não aceitaria.

Não depois de tudo o que a gente fez.

O único motivo de a gente já conseguir sentir o vínculo de companheiros era porque éramos herdeiros Alfa. Nossos lobos despertavam mais cedo do que os lobos normais, mesmo que a gente só pudesse se transformar por completo quando fizesse dezoito anos.

A Gemma provavelmente ainda não sentia nada.

E, pra falar a verdade?

Uma parte de mim torcia pra que ela não sentisse.

Porque, se ela descobrisse a verdade agora, ela fugiria da gente.

Ou pior...

Rejeitaria.

Olhei pra ela desacordada nos braços do Asher, e meu lobo choramingou de dor dentro de mim.

Minha.

Nossa companheira.

Asher a segurava com cuidado contra o peito e, pra minha surpresa, um ciúme me acertou em cheio.

Não fazia sentido.

A gente ficava com garotas o tempo todo. Nunca tinha brigado por atenção antes.

Mas isso?

Isso era diferente.

Ver a Gemma nos braços dele fez algo possessivo crescer dentro de mim.

Eu queria tirar ela dele.

Queria segurar ela eu mesmo.

Queria proteger ela.

Perceber isso me apavorou pra caramba.

“Quem fez isso com ela?”, rosnei, cerrando os punhos com força. “Eu juro pela Deusa da Lua: quando eu encontrar essa pessoa, eu vou matar.”

Emily parecia abalada quando olhou pra Gemma.

“Ela falou da companheira do tio dela”, disse em voz baixa. “Khloe. Ela disse que é uma bruxa... ou talvez uma híbrida. Não tenho certeza.”

Um rosnado perigoso vibrou no meu peito.

Então a Gemma se mexeu.

No segundo em que ela abriu os olhos e viu a gente, o pânico tomou conta do rosto dela.

Ela se desvencilhou na hora dos braços do Asher.

Meu peito apertou de um jeito dolorido quando ela cambaleou assim que os pés tocaram o chão.

Ela mal conseguia ficar em pé direito.

E quando a camiseta enorme levantou um pouco, eu vi hematomas cobrindo a barriga e as costelas dela.

Cicatrizes também.

Cicatrizes antigas.

Meu estômago revirou.

Ela estava tão magra.

Magra demais.

E, de repente, eu entendi a verdade.

Ela não se escondia atrás de roupas largas porque gostava.

Ela estava se escondendo.

“Gemma”, eu disse com cuidado, erguendo um pouco as mãos. “A gente não vai te machucar. Eu prometo.”

As palavras ficaram amargas na minha boca.

Porque eram mentira.

Nós já tínhamos machucado ela.

De novo e de novo.

Gemma deu uma risada fraca, sem humor nenhum.

“Vocês machucam, sim”, ela sussurrou. “Vocês me odeiam.”

A dor na voz dela doeu mais do que qualquer soco que eu já levei.

“Sempre me odiaram.”

Nenhum de nós soube o que dizer.

Porque ela tinha razão.

Gemma olhou nervosa entre nós três antes de virar pra Emily.

“Tchau, Emily.”

E então ela saiu correndo.

“Asher—”, eu comecei.

Mas ele já estava indo.

Nós três nos despedimos rápido da Emily e saímos atrás da Gemma pela mata.

A gente manteve distância pra ela não entrar em mais pânico, mas eu conseguia ouvir tudo.

O batimento do coração dela.

A respiração irregular.

O tranco dolorido toda vez que ela puxava o ar.

Ela estava sofrendo muito.

E mesmo assim continuava correndo da gente.

“Ela tá machucada”, Logan murmurou pelo elo mental.

“Eu sei”, respondi, sombrio.

Seguimos ela mata adentro até uma casa velha e isolada aparecer entre as árvores.

No segundo em que eu vi, meu lobo rosnou.

Tinha alguma coisa errada naquele lugar.

Escura.

A Gemma chegou à varanda, mas antes que conseguisse abrir a porta, ela se escancarou com violência.

Uma mulher saiu como um furacão.

Khloe.

Mesmo de longe, eu conseguia sentir a escuridão emanando dela.

Ela agarrou a Gemma com brutalidade pelo braço e a arrastou pra dentro.

A Gemma gritou.

Então a porta bateu, fechando com força.

Cada instinto dentro de mim gritava pra arrebentar aquela porta e tirar a Gemma de lá.

Mas a gente ficou escondido entre as árvores.

Ouvindo.

“Eu não tenho tempo pra essa sua merda!” Khloe gritou dentro da casa.

Um tapa estalou alto no ar.

Logan rosnou ao meu lado.

Então veio a voz de Gemma.

Pequena.

Quebrada.

“Por favor, para… me desculpa…”

Alguma coisa dentro de mim se partiu.

Eu dei um passo à frente na mesma hora.

“A gente tem que entrar,” eu disse, sombrio. “Agora.”

Logan segurou meu braço antes que eu me movesse.

“A gente não pode.”

Eu me virei pra ele, furioso. “Você não ouviu ela?”

“Ouvi,” ele retrucou, ríspido. “Mas se a gente invadir sem um plano, eles podem matar ela antes mesmo de a gente chegar.”

Eu odiava o fato de ele estar certo.

Asher ficou em silêncio ao nosso lado, encarando a casa com um olhar assassino.

Lá dentro, os gritos continuaram.

Então, de repente—

Um estrondo.

Silêncio.

Meu lobo choramingou de dor.

“Jogaram ela escada abaixo,” Asher disse baixo.

A certeza na voz dele me gelou.

Eu cerrei os punhos com tanta força que as unhas cravaram nas minhas palmas.

Eu queria sangue.

Pareceu que horas passaram enquanto a gente ficava escondido perto da borda do mato, vigiando a casa com cuidado.

Então faróis surgiram de repente entre as árvores.

Um carro entrou na garagem.

Eu me abaixei ainda mais atrás dos arbustos, na hora.

O homem que desceu irradiava poder.

Lobo.

Lobo forte.

Os olhos dele brilharam num dourado escuro quando ele bateu a porta do carro com força.

Um fio de reconhecimento me puxou, fraco, mas eu não consegui identificar de onde.

“Aquele é o Richard,” Logan sussurrou. “Agora eu lembro. Ele e a Khloe vieram pra matilha anos atrás com uma menininha.”

Gemma.

Meu estômago se revirou.

Dentro da casa, uma gritaria começou quase imediatamente.

“Você precisa dar um jeito na sua sobrinha!” Khloe berrou.

Aí a voz de Richard respondeu.

Fria.

Cortante.

Perigosa.

A discussão escalou rápido.

Móveis bateram.

Alguma coisa se espatifou.

Então—

Um tapa.

Poucos instantes depois, a porta da frente se abriu com tudo e Khloe saiu pisando duro, chorando de raiva, antes de sumir no mato.

Ótimo.

Um monstro a menos pra lidar.

Mas o alívio não durou.

Porque, minutos depois, a gente ouviu passos pesados dentro da casa.

Depois uma porta abrindo.

Escadas pro porão.

E de repente—

Gemma gritou.

O som quebrou alguma coisa dentro de mim.

Eu ouvia ela chorando.

Implorando.

Então Richard falou.

“Fica longe dos Alfas.”

Meu corpo inteiro travou.

“Ele sabe,” Asher rosnou baixo.

Outro grito ecoou do porão.

Aí Richard de novo.

“Você vai ficar amarrada nessa cadeira a noite inteira.”

Chega.

Logan deu um passo à frente na mesma hora. “A gente vai tirar ela de lá agora.”

“Não,” eu sibilei, agarrando o braço dele. “Ainda não.”

Ele parecia pronto pra me dar um soco.

“Você ouviu o que ele disse!”

“Ouvi, e se a gente entrar feito doido, ele pode cortar a garganta dela antes de a gente chegar.”

O silêncio caiu pesado entre nós.

Eu odiava isso.

Cada segundo que a gente esperava significava mais dor pra Gemma.

Mas se a gente falhasse…

A gente podia perder ela pra sempre.

“A gente espera até ele sair do porão,” eu disse, firme. “Aí a gente age.”

Asher assentiu devagar. “O Jayden tá certo.”

Logan passou a mão no cabelo, frustrado, antes de soltar um xingamento num rosnado.

“Tá.”

Nós três ficamos agachados em silêncio perto dos fundos da casa, escutando com atenção.

Meu lobo estava enlouquecendo dentro de mim.

Companheira.

Protege ela.

Salva ela.

E, pela primeira vez na minha vida…

Eu concordei totalmente.

Eu encarei a janela do porão, escondida sob a casa.

Uma coisa era certa agora.

Richard e Khloe iam pagar pelo que fizeram com a Gemma.

Cada roxo.

Cada cicatriz.

Cada lágrima.

A gente ia fazer eles sofrerem por tudo isso.

Nem a Mia e os outros estavam seguros agora.

Não depois disso.

Enquanto a escuridão engolia aos poucos a mata ao nosso redor, nós três montamos um plano silencioso pela ligação mental.

“A gente espera o momento perfeito,” Asher disse, calmo. “No segundo em que o Richard deixar ela sozinha, a gente se mexe.”

Logan assentiu. “Pela porta dos fundos. Menos risco.”

Eu olhei pro porão de novo, o peito apertando de um jeito dolorido quando outro choro fraco ecoou lá de dentro.

Aguenta firme, Gemma.

A gente tá indo te buscar.

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